STABLES, Pierre. Deux clefs initiatiques de la “Légende dorée”, la kabbale et le “Yi-king”. Paris: Dervy, 1975
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O episódio de
São Tomás na Legenda Áurea, em que um relâmpago cura os enfermos após a resposta coletiva de Amém, concretiza fenômenos bíblicos como o fogo de Jéhovah e o estrondo de El Shaddaï.
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A luz celeste manifesta-se no instante em que a fé, derivada de Amunah e expressa no Amém, é ratificada por aqueles que receberam instrução.
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A cura corporal surge como uma forma de liberação obtida pela eficácia de uma fé que depende da intercessão e do conhecimento dos instruídos.
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A eficácia da oração em favor de outrem no cristianismo demonstra que o Eu não é uma mônada fechada, mas uma realidade supra-individual capaz de destacar-se do eu para permitir a ação divina.
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O apagamento do eu individual permite que o Eu atue em favor do próximo, sugerindo a existência de técnicas de desapego da individualidade entre os iniciados.
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As fronteiras da individualidade cristã são porosas, permitindo que a vontade de uns produza efeitos reais sobre a condição de outros.
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A distinção entre Shaddaï e El Shaddaï, vinculada aos valores numéricos 314 e 345, aponta para simbolismos geométricos e rítmicos que superam a aritmética profana.
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O número 345 relaciona-se ao triângulo retângulo de Pitágoras, enquanto o 314 refere-se a proporções temporais e à imagem cabalística do entrelaçamento das mãos de três pessoas.
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A cifra 42 e o triângulo de mãos dadas, como na cena de Mozart, operam como véus para realidades que transcendem a medida física ou temporal.
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A distinção rigorosa entre símbolos e sintemas é fundamental para evitar a coagulação formelle e as heresias que confundem o plano espiritual com o psíquico ou físico.
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A cosificação do espírito aniquila a vida interior, conforme ilustrado pela inversão da raiz hebraica L B (coração) para B L (nada).
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O Yi-King atua como a sophia dos sintemas ao extrair sabedoria das formas concretas sem cair em sofismos ou inversões espirituais.
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O trovão no Yi-King representa a concórdia e a submissão interior que eclodem em sonoridade, celebrando a virtude perfeita através da música.
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A música é compreendida como o resultado do choque entre a positividade do éter e a negatividade da submissão acumulada, harmonizando Céu e Terra.
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Os ritos musicais instituídos pelos antigos reis funcionam como sintemas que repercutem sobre o passado, auxiliando os antepassados.
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O conceito cristão de Filhos do Trovão encontra paralelo psicossociológico naqueles que, como filhos dos reis inventores, imitam a música da concórdia interior.
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O raio oculto sob a terra durante o solstício de inverno simboliza o renascimento da positividade no meio da passividade voluntária e da obscuridade.
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O retorno ascendente do sol a partir da meia-noite solsticial marca a abertura para a liberdade e a entrada na via da permeabilidade progressiva.
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A luz do raio é o sinal da libertação contraposta à dependência da cegueira.
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A influência do homem dotado penetra o universo quando a positividade celeste encontra o estado de submissão, embora o nascimento das coisas novas seja inicialmente frágil e obstruído.
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A vontade ou coração do céu e da terra torna-se visível através de uma tripla ajuda exterior e do concurso de amigos.
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A decisão de praticar o bem, e não a inação, é o que salva o indivíduo no limite entre o repouso e o movimento.
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O
Taoismo refuta o quietismo confucionista ao afirmar que a vontade do céu é a origem do movimento positivo, e não o simples repouso passivo.
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O silêncio e o fechamento de fronteiras rituais visam preservar o calma da nascimento interior, impedindo que a luz incipiente se disperse antes de ganhar força.
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O isolamento do iniciante e a lei do silêncio pitagórico servem para edificar a fé enquanto o conhecimento permanece em suspenso.
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A preservação externa do silêncio favorece o repouso da imaginação e impede a criação de fantasmagorias.
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A descida do Espírito exige um repouso da mente compatível com a esperança ativa e a contemplação, elevando o sujeito acima da carne.
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Saint Paul e o Livro da Sabedoria confirmam que a oração e a intenção pura precedem a iluminação e o advento do Paracleto.
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O repouso da oração é uma preparação ativa, não uma inatividade vazia.
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O sintema corporal da humildade manifesta-se na atitude de homens sentados com as portas dos cinco sentidos cerradas e o coração unificado.
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O Espírito Santo vivifica apenas os membros espirituais unidos, exigindo que o homem se eleve acima da morada carnal pela contemplação.
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O Yi-King e a tradição cristã coincidem ao reconhecer que, embora o repouso seja necessário para o desenvolvimento, ele não é a causa eficiente do mesmo.