Mas porque optar por uma morte como final de todo homem, sem continuidade entre aquele que morre e o que ressuscita?
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No ensinamento de S. Paulo podemos admitir que o espírito (pneuma) inserido no homem pela nova criação e a habitação do Espírito de Cristo guarda — além da morte do corpo terrestre — uma ligação misteriosa com o Corpo ressuscitado do Cristo.
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É a mesma pessoa espiritual que inaugurou uma vida nova no Cristo ao batismo, que alcançará sua glorificação perfeita com o Cristo, quando da Ressurreição final no dia final.
Vê-se que o Pai dominicano, finalmente, evoca três noções:
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de uma alma mortal com o corpo, a “carne” compreendendo os dois,
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da alegação post-mortem, entre o “Pneuma” e o Verbo Eterno divino,
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da ressurreição dos corpos, dogma do cristianismo, que implica evidentemente, no “momento” extra temporal da imediatidade ressurrecional em Cristo, a revivificação eterna da “forma santa” do corpo e da alma, revivificação que faz do corpo um “corpo glorioso” trans-formada, além mesmo da forma (pois a “forma santa” é princípio das formas logo trans-formante por ausência de impedimento. Aqui o Cristo é um pescador de peixes, aí um jardineiro para Maria Madelana, um companheiro de rota desconhecida pelos peregrinos de Emaús … e no entanto cada vez ele é ele mesmo e se faz reconhecer na identidade de sua Pessoa … que tem olhos para ver veja e orelhas para ouvir ouça!
Para dizer a verdade, o desaparecimento das análises judias sobre as vestimentas anímicas ao redor do corpo grosseiro em seguida ao redor do Espírito, finalmente perdida de vista, conduz a todas as incompreensões já mencionadas. Qual seja:
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dualismo alma/corpo, às vezes denominado espírito/corpo
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ou ainda “a alma” tomada como única referência “não corporal” mas da qual não se sabe mais o que é preciso dizer e isto a que ela corresponde depois sete ou oito séculos de errância conceitual…