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A admissão de que a opinião de que os grandes filósofos teriam, no fundo, dito a mesma coisa não deve ser desprovida de todo fundamento.
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A crença em uma metafísica que seria a metafísica, para além de todos os sistemas contraditórios.
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A constatação de que, no caso da filosofia ocidental, a referência a esta filosofia única só pode ser implícita e involuntária.
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O papel do historiador da filosofia em descobrir uma convergência espiritual para certas verdades fundamentais na multiplicidade dos sistemas.
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A consciência do filósofo, enquanto tal, de sua própria originalidade e seu cuidado em destacar o que o distingue de seus predecessores.
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O acesso à philosophia perennis como sendo quase que a contragosto do filósofo.
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A identificação da única forma de continuidade tradicional oferecida pela filosofia ou metafísica ocidental com a permanência implícita de verdades que se impõem aos filósofos a contragosto.
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A aparência dessas verdades, ligadas à metafísica, como mutiladas e refratadas através do dogmatismo dos sistemas filosóficos.
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A caracterização desta forma de filosofia eterna como vaga e confusa, relevando de um sincretismo insípido.
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A crença na possibilidade de pôr em luz uma perspectiva espiritual e doutrinal que traga um conteúdo rico e preciso à noção de filosofia eterna.
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A proposta de dar a esta perspectiva o nome de “perspectiva metafísica”.
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A definição desta óptica, no plano teórico ou doutrinal, como correspondente ao que René
Guénon chamou em suas obras de “a metafísica”.
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O fundamento desta perspectiva em uma concepção rigorosamente universal do ser ou do Absoluto.
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A legitimidade de reservar o nome de metafísica a esta perspectiva, que por definição parece escapar às limitações dogmáticas dos sistemas filosóficos.
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A referência à filosofia contemporânea, e notadamente à filosofia da existência, que pôs em luz a noção de “situação”.
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A condição de concebibilidade da metafísica: que o pensamento e a existência humanos possam de alguma maneira superar as situações, ou seja, as diversas formas possíveis de limitação.
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A citação de
Aristóteles sobre as ciências mais exatas serem as mais científicas dos princípios, e a metafísica como a ciência mais rigorosa por ter como objeto o ser enquanto ser, que escapa às limitações.
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A crítica à “realização” desta ideia por
Aristóteles, que, em razão do dogmatismo de sua polêmica antiplatônica, implicou uma limitação capital para o destino da metafísica ocidental.
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A possibilidade de atingir uma concepção do ser mais universal e, portanto, mais rigorosa, constituindo a essência da philosophia perennis e merecendo o nome de “metafísica”.
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A caracterização da perspectiva metafísica pelo superamento de todas as concepções limitadas, dogmáticas e sistemáticas que constituem o conteúdo da história da filosofia.
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O fundamento da perspectiva metafísica na noção metaforicamente mais rigorosa do Absoluto ou do Infinito.
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A concessão, por este superamento, de um caráter eminentemente intemporal ou trans-histórico à perspectiva metafísica, distinguindo-a profundamente dos sistemas filosóficos.
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A identificação da metafísica como o conhecimento daquilo que está além do objeto constituído pela “física” tradicional, ou seja, dos princípios imutáveis.
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A participação deste conhecimento da imutabilidade de seu objeto, na medida em que se mostra profundo e rigoroso.
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A legitimidade de falar, com
Guénon, da metafísica, e de reservar este termo às doutrinas que puseram em relevo o aspecto mais universal do Absoluto.