Sobre a menção a hostilidades sofridas por
Ibn Arabi em meios exoteristas, Askarî esclarece que não é o caso em seu meio, pois as objeções mais notáveis partiram do mestre esotérico Ahmed Sirhindî, e a defesa veio tanto do lado esotérico quanto do exotérico, com destaque para Shâh Ashraf Alî, que ocupava função de autoridade exotérica, tendo dedicado duas pequenas obras à defesa de
Ibn Arabi, cujos escritos, como as Futûhât Makkiyya, são frequentemente citados como autoridade em obras exotéricas contemporâneas, especialmente por aqueles ligados à Dâru-l-’Ulûm de Deobend, conhecidos por sua ortodoxia e severidade.
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A ausência de hostilidade generalizada a
Ibn Arabi é sublinhada.
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A defesa de
Ibn Arabi por Shâh Ashraf Alí é apresentada como prova da aceitação mesmo em círculos exotéricos rigorosos.
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A citação das Futûhât Makkiyya em obras exotéricas contemporâneas demonstra a vigência da autoridade de
Ibn Arabi.
Askarî informa que o meio local não é hostil à concepção da Wahdatu-l-wujûd, sobre a qual a maioria prefere silenciar, mas que constitui o tema central da poesia tradicional em urdu e em dialetos regionais, sendo cantada nas aldeias todas as noites.
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A distinção entre o silêncio público e a aceitação difusa na cultura popular é crucial para entender a recepção da doutrina.
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A poesia e o canto popular são apresentados como veículos de transmissão e preservação da doutrina metafísica.
Em resposta a considerações sobre a universalidade tradicional e o uso de termos hindus por
Guénon, Askarî oferece uma série de precisões históricas que atestam a precedência dessa abordagem no Islã do subcontinente.
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O príncipe Dârâ Shikûh, no século XVII, já havia estabelecido uma correspondência entre termos esotéricos hindus e islâmicos em sua obra Majma’u-l-Bahrayn, cuja tradução em urdu é facilmente acessível.
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O xeque Ahmed Sirhindî reconheceu a validade das doutrinas védicas, embora duvidasse das possibilidades de realização no
hinduísmo contemporâneo a ele.
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Shah Waliyullâh ad-Dihlawî escreveu sobre as doutrinas védicas em sua obra Lamahât.
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Hazrat Maz’har Djânî Djânân, uma autoridade espiritual do século XVIII, admitiu a verdade das doutrinas védicas, com reservas quanto à validade atual da tradição hindu.
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Shah Kâzim Qalandar, no século XVIII, e seu filho Shah Turâb Alî Qalandar, no século XIX, escreveram poesias sobre a Wahdatu-l-wujûd empregando termos e símbolos hindus.
A nota encerra as citações da correspondência com o Professor Askarî, anunciando que retomará o assunto em breve a propósito de René
Guénon.