No coração, a comunidade filosófica é uma família espiritual cujo núcleo é o “culto” — palavra da mesma família linguística que cultivar e agricultura, todas compartilhando a ideia de criar, nutrir, cuidar e produzir pela arte humana —, e tal comunidade reflete e manifesta abaixo o que está acima: a vida dos deuses, serena, alegre, plena de beleza, bondade e verdade.
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Numerosos grupos devotados a diferentes esferas da vida — religião, agricultura, metalurgia, artes guerreiras, poesia, artesanato, caça, navegação, engenharia — formam juntos a tapeçaria de uma cultura como um todo.
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Desses grupos surgem guildas e outras comunidades que moldam a expressão artística de uma cultura em todos os aspectos da vida.
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Essa organização cultural natural ocorre espontaneamente mesmo hoje, sempre que uma comunidade com um centro espiritual emerge, e continuará a ocorrer no futuro precisamente porque é perene, mas para florescer, como Peter
Kingsley apontou, uma cultura precisa ser cuidada — necessita de guardiões e sábios que a moldem e guiem.
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A cultura pode ser descrita como a maneira pela qual se transmite a verdade — expressando a ascensão contemplativa e a transcendência de diversas formas —, e na grande Antiguidade essa ascensão foi simbolizada em formas que se estendiam de baixo para cima: megalitos, afloramentos naturais como as Externsteine, e colunas gregas e romanas.
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Por meio da arquitetura e do reconhecimento e moldagem de formas naturais como pedras, cavernas, colinas e montanhas, as culturas da Europa Anglo-Ocidental expressaram o movimento de baixo para cima e de cima para baixo.
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Esse movimento é o que se denomina cultura.