Na filosofia perene, a única via de restauração ou despertar é a ascensão à visão da verdade, e
Platão, no livro cinco de A República, distingue os verdadeiros filósofos como amantes dessa visão.
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Quem vê apenas belas coisas terrenas vive como em sonho, preso na opinião e na reatividade emocional.
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Quem ascende à visão da beleza absoluta possui conhecimento direto da natureza do ser.
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O ser, aqui, é absoluto, eterno, verdadeiro e belo; ascender a essa visão é tornar-se sábio.
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O sábio que saiu da caverna e habita a luz do sol é um sábio em relação aos que permanecem abaixo, e produzir um sage é o objetivo da filosofia perene.
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A ascensão iniciática descrita no Fedro leva o filósofo a contemplar beleza divina, sabedoria e bondade, tornando-se aquilo que contempla, numa visão que é simultaneamente recordação do que sempre foi e retorno ao reino nativo.
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É possível também afundar, sobrecarregado por apegos e aversões ao mundo terreno.
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A visão do perfeito aperfeiçoa o contemplador.
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A beatífica visão de luz e beleza viva é ao mesmo tempo memória e indicação do que pode ser conhecido novamente — anamnese.
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Os Mistérios filosóficos não podem ser transmitidos pela escrita, apenas aludidos, pois precisam ser experienciados, e a palavra escrita corre o risco de substituir o que apenas indica.
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É fácil mal-interpretar uma obra; os diálogos de
Platão são frequentemente apresentados como algo inteiramente diferente do que são.
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Platão é acusado de ser dualista e proto-totalitário, como se suas obras não tratassem precisamente dos Mistérios e da iniciação à vida espiritual.
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Os antigos conheciam o problema da escrita, razão pela qual os Mistérios egípcios, gregos e druídicos nunca foram redigidos discursivamente, permanecendo como ensinamentos estritamente iniciáticos, orais ou sussurrados.
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A partir de
Platão, e especialmente com o advento do Cristianismo, a iniciação passou a ser transmitida elipticamente por escrita e imagens, e a filosofia perene raramente manteve continuidade por mais de algumas gerações, precisando ser redescoberta a cada vez.
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Hoje a situação não é diferente do que era há mil ou dois mil anos.
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Talvez apenas a poucos seja concedida a possibilidade de sair da caverna.
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Alguns são assombrados por memórias de luz e vida que não parecem pertencer ao mundo sensorial, mas que se entreveem através dele — na natureza selvagem, nos corpos luminosos do céu.
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A natureza presenteia alguns e priva outros, e existe uma aristocracia espiritual, quer se goste ou não, que a filosofia perene reconhece como fato.
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A era atual impõe um igualitarismo forçado, como se a solução para a diferença fosse mutilar o mais rápido.
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Alguns pertencem à espécie homo religiosus, naturalmente inclinados a lembrar, buscar iluminação e viver a vida solitária e eremítica.
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O encontro entre esses indivíduos pode ocorrer pela palavra escrita, que é também um encontro vivo de mentes independente de tempo ou distância.
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Sair da caverna não significa ignorar ou abandonar a terra e seus mistérios, mas despertar para o que está aqui, pois a filosofia perene é perene tanto na cultura humana quanto nos padrões da natureza, que guardam chaves sempre redescobríveis.