O texto do Vêda, considerado de autoridade incontestável por seu caráter não-humano (apaurushêya), ensina que o tempo mundano se divide em quatro períodos, encontrando-se a humanidade no final da última dessas quatro idades, a idade de ferro ou Kali-Yuga.
Os sinais confirmam, no entanto, que quanto mais a fonte se afasta da visão direta, mais ela se torna interior e se faz presente em sua própria ausência.
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Esse estado paradoxal revela o ensinamento mais secreto e o mistério mais sutil da metafísica verdadeira: nada muda em última instância, tudo permanece sempre no seio da Unidade, nada jamais esteve separado da perfeita plenitude, o Eixo nunca deixou seu Ponto original, e todos estão, desde sempre e para sempre, ligados e unidos ao Centro.
Nada pode subsistir fora do Princípio, que o Vêda nomeia Brahma, e mesmo o caos tem seu fundamento e realidade em seu seio.
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Essa verdade essencial não é uma fórmula vazia ou artifício argumentativo, e
Guénon lembrou que seu conhecimento não deve permanecer letra morta ou servir à pura especulação abstrata.
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O conhecimento deve levar ao engajamento sério na ascensão do Monte do silêncio, afastando as seduções enganosas do mundo da ilusão e removendo o véu que cobre a essência da Verdade.
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A obra de
Guénon deve ser vista como uma formidável empresa de clarificação simbólica e doutrinal, visando conduzir ao despertar do ser para que ele realize o trabalho indispensável de transformação em vista de sua Delivrance.
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A Tradição é viva: ela se dá como um saber e se transmite como um trabalho, uma obra a ser cumprida, que é o sentido da via iniciática real.
O ser, consciente da situação imposta pelas determinações da manifestação, tem a obrigação de efetuar o trabalho soberano da Tradição para retornar ao Centro, ao ponto imóvel onde os contrários se harmonizam e os antagonismos se equilibram.
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Esse trabalho consiste em subir, passo a passo, a escala dos estados múltiplos do ser em direção aos estados superiores.
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O objetivo a ser perseguido é dirigir-se interiormente para o Centro imutável, onde reina a Grande Paz (Es-Shekînah), realizando a Extinção da Extinção (Fanâ el-fanâi) e a união final, que é a reintegração ao Princípio.
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Essa reintegração constitui a Obra por excelência, o acabamento último dos Grandes Mistérios.