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O misticismo como repetição da experiência iniciática numa civilização não mais coral, um retorno involuntário da tradição.
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Surgimento da antologia mística no esgotamento dos ritos iniciáticos, quando o indivíduo se dissocia da comunidade.
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Tendência do misticismo para criar novas comunidades, como conventos, para restaurar condições de uma comunidade arcaica.
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Observação de Simone Weil sobre a castidade como aceitação da criatura presente, não dirigindo o desejo para um futuro.
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Retorno ao estado de espírito arcaico, recreando as bases económicas do comunismo primitivo ou inserindo-se em sociedades já formadas.
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Análise de Jack Lindsay sobre o taoismo como movimento místico que visava um retorno ao tribalismo primitivo, usando a perspetiva da igualdade da gens.
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Extinção da sede de prestígio, riqueza e segurança, permitindo o retorno a uma espontaneidade nos atos.
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Interpretação moderna e distorcida da iniciação tribal como treino para privações, instrução eclesiástica ou antagonismo geracional.
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Objetivo real da iniciação: eliminar o medo dos desastres, substituindo-o pela reverência às divindades.
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Interpretação errónea do ascetismo como masoquismo e das metáforas eróticas místicas como indício de repressão sexual.
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Equívocos na antiguidade clássica e sua multiplicação após a revolução científica sobre a natureza da iniciação.
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Definição psicológica do misticismo como estado de normalidade, aparentando um paradoxo hiperbólico.
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Condição do homem moderno como “deslocável”, submetido a um ascetismo invertido e renunciando a bens profanos sem compensação espiritual.
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Semelhança aparente, mas oposição real, entre o místico, que transcende as paixões, e o homem deslocável, que regride aquém delas.
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Necessidade de uma dupla mediação preliminar à experiência mística moderna: crítica do falso consumo e configuração de uma vida pré-moderna.
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Exemplos da dupla mediação em místicos modernos: Kierkegaard, Hölderlin, Herman Melville, Emily Dickinson, Kafka, Robert Musil, Simone Weil e Pasternak.
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Interrupção da antologia de místicos ocidentais com a Revolução Francesa, devido à alteração do ponto de partida da experiência.
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Carácter festivo e calendarial do misticismo na história da religião grega, representando o mundo zodiacal pleno.
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Fim da antiga humanidade no século XVIII, marcado pelo misticismo sincretista e mistificador de Emmanuele Swedenborg.
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Carácter já moderno de William Blake, Claude de Saint-Martin e Fabre d'Olivet, os “gnósticos da Revolução”.