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Símbolos

  • Símbolos e signos — verbais, musicais, dramáticos ou plásticos — são meios de comunicação cujas referências diferem essencialmente: os símbolos referem-se a ideias e os signos a coisas, podendo um mesmo termo ser símbolo ou signo conforme o contexto.
    • A cruz é um símbolo quando representa a estrutura do universo, mas um signo quando se ergue numa encruzilhada
    • Os símbolos e signos podem ser naturais — verdadeiros, por propriedade inata — ou convencionais — arbitrários ou acidentais — tradicionais ou privados
    • O artigo não se ocupa da linguagem dos signos empregados indicativamente na linguagem profana e na arte realista e abstrata
    • Por “arte abstrata” entende-se a arte moderna que evita expressamente a representação — em distinção à “arte principial”, que é a linguagem naturalmente simbólica da tradição
  • A linguagem da arte tradicional — escrita, épica, folclore, ritual e todos os ofícios conexos — é simbólica, e por ser uma linguagem de símbolos naturais, não de invenção privada nem estabelecida por acordo conciliar ou mera costume, é uma linguagem universal.
    • O símbolo é a incorporação material — em som, figura, cor ou gesto — da forma imitável de uma ideia a comunicar, e essa forma imitável é a causa formal da própria obra de arte
    • O símbolo existe em razão da ideia que incorpora, e não em razão de si mesmo — uma forma efetiva deve ser simbólica de sua referência, ou não é mais que uma figura ininteligível que agradará ou desagradará apenas por gosto
    • A maior parte da estética moderna assume que a arte consiste ou deveria consistir inteiramente em tais figuras ininteligíveis, e que a apreciação da arte consiste ou deveria consistir apenas em reações emocionais apropriadas
    • Escolher considerar apenas as superfícies estéticas das artes antigas, orientais ou populares não habilita ninguém a supor que pode assim escrever a história da arte no sentido de uma explicação pelas quatro causas
    • Para compreender a composição de uma dança ou a disposição das massas numa catedral ou num ícone é necessário compreender a relação lógica das partes — assim como para compreender uma sentença não basta admirar os sons melodiosos
    • O mero “amante da arte” não é muito melhor que uma pega, que também decora seu ninho com o que mais agrada à sua fantasia e se contenta com uma experiência puramente “estética”
    • O poder convocatório da beleza não se dirige apenas aos sentidos, mas através dos sentidos ao intelecto — “a beleza é afim à cognição”
    • Hermes: “uma ideia imaterial”
    • Lankavatara Sutra: “uma pintura que não está nas cores”
    • Dante: “a doutrina que se oculta por detrás do véu dos versos estranhos”
    • Basílio de Cesareia: “o arquétipo da imagem, e não a imagem mesma”
    • Agostinho de Hipona: “É por suas ideias que nós julgamos como as coisas devem ser”
  • Os símbolos e conceitos — e as obras de arte são, segundo Tomás de Aquino, coisas concebidas per verbum in intellectu — não podem servir a nenhum propósito naqueles que, no sentido platônico, ainda não “esqueceram”, pois a necessidade dos símbolos surge apenas quando o homem é expulso do Jardim do Éden.
    • Plotino: nem Zeus nem as estrelas recordam nem aprendem — “a memória é só para os que esqueceram”, isto é, para nós, cuja “vida é um sonho e um esquecimento”
    • Os símbolos e os ritos simbólicos surgem como meios pelos quais o homem pode recordar, em etapas posteriores, sua descida dos níveis de referência intelectuais e contemplativos aos níveis de referência físicos e práticos
    • Há mais esquecimento nos modernos do que naqueles que tiveram necessidade dos símbolos pela primeira vez — e nada poderia constituir prova maior disso do que a pretensão moderna de ser superior a todas as operações rituais e de poder aproximar-se da verdade diretamente
    • Os motivos da arte tradicional — que se tornaram hoje “ornamentos” — foram empregados originalmente como sinais da Via ou como rastro da Luz Oculta, seguidos pelos caçadores de uma caça supra-sensual
    • Andrae, Die ionische Saule, Schlusswort: em sua via de descida até nós, as formas foram cada vez mais esvaziadas de conteúdo, cada vez mais desnaturalizadas com o progresso da “civilização”, até tornarem-se o que se chama de “formas de arte”
    • Quando o significado e o propósito foram esquecidos, ou quando apenas os iniciados os recordam, os símbolos retêm somente os valores decorativos que se associam com a “arte”
    • A negação moderna de que a forma de arte possa ter tido qualquer qualidade além da meramente decorativa leva a supor que ela se originou numa “observação da natureza” e a criticá-la em termos de progresso — “isso era antes de saberem anatomia”, “antes de compreenderem a perspectiva”
    • Os helenistas gregos fizeram da palma de loto um elegante acanto, e o Renascimento impôs um ideal de “fidelidade à natureza” sobre uma arte mais antiga de tipologia formal
    • O mito e a épica são interpretados do mesmo ponto de vista — os milagres e o Deus ex machina são vistos como tentativas mais ou menos torpes do poeta de realçar a apresentação dos fatos
    • O mito é um todo em que as maravilhas são parte tão integral quanto os supostos fatos, e todas essas maravilhas têm uma significação estrita inteiramente independente de sua possibilidade ou impossibilidade como acontecimentos históricos
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