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bazan:gnosticismo

DEFINIÇÃO DE GNOSTICISMO

GARCÍA BAZÁN, Francisco. Gnosis. La esencia del dualismo gnóstico. Buenos Aires: Ediciones Universitarias Argentinas, 1978

Ao final do Colóquio de Messina (1966), um grupo de ilustres e experientes especialistas em Gnose (G. Widengren, U. Bianchi, H. Jonas, J. Daniélou, C. Colpe, M. Simon e H. I. Marrou) foram encarregados de propor com exatidão o significado correspondente às palavras “gnose”, “gnosticismo”, “pregnosticismo”, “protognosticismo” e “gnóstico”, que pudesse ser generalizado como cientificamente válido e aceitável como consenso do Congresso. Embora as caracterizações alcançadas não tenham sido totalmente aceitas por todos os participantes, chegou-se a estes resultados que, em parte, parafraseamos:

  • Por “gnosis” deve-se entender todo “conhecimento dos mistérios divinos reservados a uma elite”.
    • O “gnosticismo”, por outro lado, envolve em sua estrutura verbal a ideia de sistema e o termo deve ser empregado para os conjuntos doutrinários que floresceram por volta do século II d.C. e seguintes, e que já os heresiólogos compreenderam nesse sentido. O gnosticismo, portanto, abrange uma série coerente de elementos: a presença da centelha divina no homem, sua proveniência do reino divino, sua queda no mundo, que é regido pela fatalidade e pela lei do nascimento e da morte, e — a necessidade de ser despertado por sua contraparte divina, para poder se reintegrar em seu estado primitivo. Essa concepção da “degradação” do divino baseia-se na ideia ontológica do enfraquecimento do âmbito do divino, uma vez que a periferia de sua esfera entra em crise, o que indiretamente lhe permite produzir o mundo e que também não pode negligenciar totalmente, já que deve recuperar o pneuma (perspectiva dualista sobre um fundo monista, que se expressa dialeticamente pelo duplo caminho da degradação e da reintegração). Somente as doutrinas gnósticas que incluem os fundamentos ontológicos, teológicos e antropológicos mencionados fazem parte do gnosticismo. E essa conaturalidade da partícula pneumática com o divino faz com que a gnose do gnosticismo subentenda: a identidade do cognoscente, do conhecido e do meio do conhecimento, ou seja, a gnose, que como faculdade superior implícita deve ser atualizada. Essa gnose é uma revelação-tradição. Deve-se levar em conta a existência, nessa designação, de formas de pensamento contemporâneas aos grandes sistemas gnósticos cristãos e que apresentam certas semelhanças com a doutrina e as escolas do gnosticismo: o hermetismo, certos neoplatônicos, etc., que também devem ser examinados e classificados.
    • O pensamento “pregnóstico” é aquele que apresenta características que podem ser identificadas externamente com os sistemas gnósticos, mas estando essas características integradas em uma concepção global alheia ao gnosticismo. Pensamento que não é e é gnóstico e essa dualidade é expressa claramente pelo termo “pré-gnóstico”.
    • O “protognóstico” teria como termo de denotação todo sistema gnóstico incipiente ou germinal, ou seja, movimentos espirituais que são dirigidos por uma atitude semelhante à que impregna os sistemas gnósticos consagrados. Como as pesquisas realizadas até o momento não deram os resultados práticos das do parágrafo anterior, muito menos tentaram encontrar a possível conexão entre essa presença de manifestações gnósticas em níveis mais profundos, desviaremos, embora apenas por enquanto, nossa atenção dessa rica fonte de sugestões, descartando, provisoriamente, o termo “protognóstico”.
    • O adjetivo “gnóstico” pode ser aplicado tanto a concepções ligadas à gnose quanto ao gnosticismo. Na verdade, em sentido estrito, seu significado tem maior parentesco com a gnose do que com o gnosticismo, pois, como veremos, este contém aquela como seu aspecto fundamental, e o que faz é determiná-la em movimentos históricos que encerram certos caracteres fixos. A ambiguidade do termo, portanto, é intransferível e somente o contexto literário pode facilitar seu significado exato.
    • Resta, finalmente, tratar do termo “gnostizante”. Este se aproxima bastante, em seu significado, do pregnóstico, já que o termo se refere a traços que possuem analogia com o gnosticismo, mas integrados em um sistema não gnóstico. Preferimos usar o adjetivo “pregnóstico” para os casos que se apresentam como anteriores aos grandes sistemas do século II e seguintes, e “gnostizante” para os contemporâneos e posteriores.
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