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CRISTIANISMO E SEU MISTÉRIO

BORELLA, Jean. Ésotérisme guénonien et mystère chrétien. Lausanne: L’Age d’Homme, 1997.

RELIGIÃO CRISTÃ FALA DELA MESMA

  • A refutação indireta das teses de Guénon exige a restituição do cristianismo ao seu lugar próprio para que a religião deixe de ser submetida a exigências estranhas à sua natureza original.
    • Necessidade de deslocamento do objeto em questão.
    • Autonomia da natureza cristã face a critérios externos.
  • O estabelecimento do cristianismo em seu sítio hermenêutico verdadeiro pressupõe que a revelação seja iluminada por sua própria luz e compreendida a partir do modo como o Objeto revelado fecunda a inteligência.
    • Primazia do modo de auto-apresentação da revelação.
    • Determinação da compreensão pelo modo de expressão do Saint Empire.
    • Reflexão do Objeto no espelho intelectivo como chave de inteligibilidade.
  • Embora o cristianismo utilize elementos simbólicos da tradição universal e formas cósmicas comuns à humanidade, tais componentes sofrem uma transformação semântica profunda ao serem centralizados na figura unificadora de Jesus Cristo.
    • Presença de elementos suscetíveis à interpretação universal na obra de Guénon.
    • Fragmentação do Livro da revelação divina adâmica após a queda original.
    • Seleção e síntese cultural própria de cada tradição.
    • Reordenamento de todas as formas em torno do centro único do revelatum.
  • A apreensão da essência religiosa depende da percepção da figura geral e do estilo formal da religião, os quais comunicam uma intuição que deve guiar o trabalho da inteligência para além das categorias a priori da mente.
    • Importância da visão global e da ideia inspirante.
    • Papel das categorias preexistentes e do conhecimento teórico.
    • Contribuição da estética das formas e da fenomenologia.
    • Revelação da essência através do estilo da linguagem, dos símbolos e dos gestos rituais.
  • O acesso à autoconsciência de uma religião exige o exame de suas declarações expressas e palavras explícitas, que funcionam como chaves denotativas para o entendimento de sua própria natureza.
    • Diferenciação entre elementos implícitos e declarações denotativas.
    • Prioridade às atestações da Igreja sobre a natureza de sua mensagem.
    • Substituição da argumentação dialética pela escuta das fontes originais.
  • A delimitação do estudo concentra-se na linguagem utilizada pela Igreja e nas disposições adotadas para a administração da graça, preterindo a análise exaustiva de todos os elementos simbólicos.
    • Impossibilidade de catalogação de todos os elementos formais.
    • Interdependência entre componentes conotativos e denotativos.
    • Foco na sacramentalidade eclesial e no discurso cristão como guias de inteligência.
  • A recuperação do sentido original dos termos escolhidos pelos Apóstolos e seus sucessores torna o recurso à história indispensável para que a transparência causada por milênios de uso não oculte a significação viva da Escritura.
    • Intencionalidade na seleção do vocabulário neotestamentário e paleocristão.
    • Desgaste semântico causado pelo uso contínuo.
    • Utilidade da ciência histórica apesar das limitações da mentalidade moderna.
  • A exegese moderna é valorizada quando aplica o rigor da erudição e das ciências do texto para perscrutar a formulação sagrada, desde que respeite o texto como fundamento absoluto e dê continuidade ao trabalho de autores como Orígenes e Agostinho.
    • Rejeição ao fracionamento arbitrário dos textos e à negação da autenticidade tradicional.
    • Valorização dos métodos de análise que preservam o dado primeiro.
    • Superação do uso meramente instrumental ou dogmático da Escritura.
  • A metodologia de leitura aplicada à literatura eclesiástica busca entender o texto em si mesmo através do vocabulário e da estratégia narrativa, evitando o erro comum de julgar autores antigos a partir de categorias doutrinais posteriores.
    • Prevenção contra contrassensos históricos em relação a Mestre Eckhart ou Orígenes.
    • Ausência de suspeita prévia quanto à ortodoxia.
    • Aplicação prévia do método aos conceitos de regra de fé e dogma.
  • Observa-se que Guénon, embora tenha reconhecido a necessidade de uma reforma mental para estudar o hinduísmo, falhou ao não aplicar o mesmo rigor ao cristianismo, utilizando categorias externas e aceitando definições modernas vulgares.
    • Contraste entre a introdução ao hinduísmo e a ausência de obra análoga sobre o cristianismo.
    • Aplicação indevida de categorias como esoterismo e iniciação ao contexto cristão.
    • Aceitação acrítica de termos como filosofia, dogma e mistério em seu sentido banal.
  • O recolhimento de testemunhos da Tradição eclesial sobre a natureza de sua mensagem e de seus ritos visa contribuir para uma compreensão que Guénon não logrou alcançar.
    • Intenção de oferecer subsídios para o estudo do cristianismo.
    • Foco na consciência tradicional sobre os ritos e a mensagem.
  • O termo mistério assume a centralidade desta análise por sintetizar a integralidade da mensagem evangélica e permitir a entrada na inteligência da essência do revelatum.
    • Transição da retificação de pontos secundários para a inteligência da essência.
    • Prevalência do vocabulário escriturístico e paleocristão.
  • O exame do aspecto doutrinal do mistério abrange sua evolução desde o Novo Testamento até os Padres do século IV, situando o contexto cristão em relação ao ambiente judeu e helenístico.
    • História da palavra e do conceito.
    • Investigação sobre a existência de tradições secretas em Clemens de Alexandria e Origenes.
  • O ensino tradicional da Igreja sobre os ritos de iniciação e a disciplina do arcano constituem o núcleo da compreensão sobre a transmissão da graça.
    • Foco nos três ritos da iniciação cristã.
    • Análise das disposições disciplinares da Igreja antiga.
  • A caracterização da via mística fundamenta-se na história do termo e nos ensinamentos dos próprios místicos, confirmando a natureza de tal caminho como uma via integral.
    • Pesquisa histórica sobre a terminologia mística.
    • Recurso direto aos relatos de experiência dos místicos.

Mistério e Doutrina

Capítulo consagrado essencialmente ao mistério sob seu aspecto doutrinal, onde se estuda a história da palavra e da coisa em uma série de artigos que vão do Novo testamento aos Padres até o século IV. A preocupação constante é situar o “mistérico” cristão em relação aos contextos culturais judeu e helenístico nos quais se desenvolveu. E se verá igualmente o que se precisa pensar da existência de tradições secretas no cristianismo das origens e de seu conteúdo, principalmente em Clemente de Alexandria e Orígenes.

  • O mistério do “cristianismo”“
  • Os “mistérios” do paganismo
    • Etimologia e vocabulário
    • Caracteres gerais dos mistérios pagãos
    • Mistérios pagãos e sacramentos cristãos
  • O mysterion teologal no Novo Testamento
    • Nos evangelhos
    • Em São Paulo
  • O triplo mysterion da doutrina cristã
  • O mistério cristão e as tradições esotéricas do rabinismo
  • As tradições secretas em Clemente de Alexandria
  • Esoterismo e conhecimento em Orígenes
  • O esoterismo doutrinal dos primeiros séculos
    • O Cristo ensinou oralmente a doutrinas de fé aos Apóstolos
    • As chaves da gnose só foram confiadas a quatro discípulos
    • O Magistério doutrinal na Tradição cristã

A Iniciação Sacramental e a Disciplina do Arcano

O ensinamento tradicional da Igreja relativo aos três ritos da iniciação cristã e a questão da “disciplina do arcano”.

  • Um esoterismo manifesto
  • Mistérios, sacramentos, iniciação
  • A disciplina do arcano
    • Significação e história da expressão
    • Arcano e catecumenato
    • O arcano nos textos dos séculos II ao IV
    • Um testemunho capital: São Basílio de Cesareia
    • O arcano a partir do século IV
    • Arcano e esoterismo
  • A doutrina sacramentária
    • A catequese batismal de Jesus Cristo
    • O selo do pecado e o selo do batismo
  • Teologia dionisiana da iniciação cristã
    • Uma doutrina sacramentária “arquetípica e mistérica”
    • As três etapas da via e os três graus da hierarquia
    • Hierarquia dos iniciadores e hierarquia dos iniciados
    • Os sacramentos da iniciação: o batismo (adultos e crianças)
    • Confirmação e eucaristia: a iniciação perfeita
    • Os graus de contemplação e a iniciação monástica
  • Um certo espírito de esoterismo
  • Sobre o cânon da missa recitada em silêncio
  • Os graus da salvação
  • Habitus operativo e habitus entitativo
  • São Simeão o Novo Teólogo e o batismo no Espírito
  • As três etapas da via e as três partes da filosofia
  • O batismo das crianças nos Padres da Igreja
  • Natureza da consagração monástica segundo a doutrina católica

A Via Mística

Caracterização da via mística primeiro investigando o sentido deste termo através de sua história, em seguida nos voltando para os ensinamentos dos místicos eles mesmos, pelo menos de alguns: poderemos assim estabelecer que se trata de uma via integral.

  • À escuta da palavra cristã
  • O que os Padres entendiam por “mística”
  • Natureza da contemplação mística
  • Do adjetivo ao substantivo
    • Dos séculos V ao X: a herança dos Padres
    • Dos séculos XI ao XIII: do sentido eucarístico ao sentido eclesial
    • Dos séculos XIV ao XVI: o místico e a mística
    • Sob a patronagem do Santo Dionísio o Areopagita
    • Século XIX: aparição do “misticismo”
  • Ruptura ou continuidade na tradição mística
    • Uma certa psicologização da via mística
    • O aristotelismo enfraqueceu a “virtude gnóstica” do intelecto
    • A mística: refúgio do platonismo cristão
  • Contemplação adquirida e contemplação infusa
  • A via do Cristo e o misticismo “guenoniano”
    • “Eu sou a Via”
    • Desprendimento místico ou demiurgia iniciática
    • O Cristo Jesus não é uma avatara
  • A palavra mística e a Essência divina
    • A questão dos fenômenos
    • A união mística
  • A respeito da “Pérola evangélica”
  • São João da Cruz é voluntarista?
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