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NICOLAS FLAMEL E SUA ESPOSA

  • O relato de Nicolás Flamel e de Perrenelle, extraído de sua obra sobre as figuras hieroglíficas do Cemitério dos Santos Inocentes, introduz simbolicamente o primus agens da Grande Obra.
    • Flamel nasceu em 1330, em Pontoise, e trabalhou como escrivão em Paris.
    • Foi sepultado em 1417 na igreja de Saint-Jacques-la-Boucherie.
    • Seu testemunho associa biografia histórica e narrativa iniciática.
  • O livro misterioso adquirido por dois florins constitui símbolo da revelação hermética, estruturado em três vezes sete folhas, evocando as três fases principais da obra e a correspondência planetária e metálica.
    • Três etapas: enegrecimento, branqueamento e rubefação.
    • Sete planetas e sete metais.
    • Estrutura numérica como chave simbólica.
  • As imagens da vara com duas serpentes, da serpente crucificada e das fontes no deserto condensam a doutrina alquímica sob forma hieroglífica.
    • A vara de Hermes simboliza enxofre e mercúrio sob o eixo do espírito.
    • A serpente crucificada representa a fixação do volátil.
    • As fontes no deserto indicam restauração do estado primordial.
  • A procedência judaica do livro remete à função mediadora do mundo hebraico entre cristianismo e Islã, contexto decisivo para a transmissão da alquimia na Europa medieval.
    • Referência às dispersões judaicas.
    • Continuidade entre tradições monoteístas.
    • Influência islâmica na renovação alquímica.
  • O adolescente alado identificado com Mercúrio e a figura de Saturno-Cronos ilustram a tensão entre volatilidade e fixação, tempo passivo e ritmo dominado.
    • Saturno tenta cortar os pés de Mercúrio.
    • O tempo pode extinguir ou estabilizar a força volátil.
    • O domínio do tempo implica instaurar um agora permanente.
  • A flor tricolor na montanha ventosa exprime as fases da obra e a polaridade ouro-prata, enquanto a montanha simboliza o eixo cósmico e o centro do ser.
    • Azul, branco e vermelho correspondem às cores operativas.
    • A montanha representa solidão e verticalidade.
    • Dragões indicam potências cósmicas circundantes.
  • A fonte branca ao pé do rosal representa o mercúrio filosofal que flui da matéria prima, invisível aos cegos e reconhecido apenas pelo sábio que o “pesa”.
    • O peso corresponde ao ritmo interior.
    • Referência ao “arte da balança” de Djábir Ibn Hayyán.
    • Peso traduz-se como medida temporal qualitativa.
  • O massacre dos inocentes simboliza o sacrifício dos movimentos vitais primordiais para encher o recipiente do coração com o mercúrio espiritual.
    • O sangue representa o espírito mineral.
    • O Sol e a Lua banham-se nessa substância.
    • A morte precede rejuvenescimento e união.
  • A cooperação entre Flamel e Perrenelle ilustra a complementaridade de enxofre e mercúrio no plano humano, onde o amor sublimado torna-se princípio operativo do solve et coagula.
    • Homem e mulher como polos ativos e passivos.
    • Amor interiorizado desencadeia dissolução e cristalização.
    • A obra realiza-se no matrimônio espiritual.
  • A peregrinação a Santiago de Compostela e o encontro com o médico Canches indicam a necessidade de mediação tradicional e transmissão iniciática.
    • Santiago como patrono das artes cosmológicas.
    • O bordão lembra o caduceu de Hermes.
    • A iniciação exige mestre e cadeia de transmissão.
  • A repetição das tentativas durante vinte e um anos revela que a obra não se reduz a manipulação material, mas exige purificação da intenção e superação da cobiça.
    • A “sangue” é espírito mineral, não literal.
    • A interpretação literal conduz ao erro.
    • A perseverança integra purificação moral.
  • A realização final do magistério, descrita como transmutação do mercúrio em prata e ouro, expressa exteriormente uma transformação interior já consumada.
    • O forte odor indica fase decisiva.
    • A projeção simboliza passagem qualitativa.
    • A obra é contemplação da ação maravilhosa da Natureza.
  • O relato conclui sugerindo que a verdadeira transmutação nasce da união harmoniosa dos princípios masculino e feminino, quando o amor espiritual interioriza as forças naturais e as converte em instrumento da realização.
    • Solve corresponde à dissolução do ego.
    • Coagula corresponde à cristalização da forma nobre.
    • A natureza humana torna-se receptáculo do ouro vivo.
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