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REGRESSO DE ULISSES
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O tema mitológico do retorno do herói, presente na Odisseia e em outras tradições, simboliza a realização espiritual onde o homem se despoja do ego habitual e das paixões para reconquistar seu verdadeiro “si mesmo”.
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O herói regressa como estrangeiro ou mendigo (humildade).
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Reconquista da fortuna legítima usurpada.
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Combate contra o “velho eu” e as paixões.
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Comparação com o Mahabharata e a mitologia germânica quanto à presença do transcendente [1, 2].
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A esposa do herói, mantida prisioneira por forças adversas, representa a alma (anima) que, sendo complementar à natureza viril do espírito, deve ser libertada para que ocorra a união legítima.
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Penélope como imagem da alma profunda e fiel.
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Pretendentes como paixões que dilapidam a herança interior.
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A esposa pertence ao herói por direito espiritual [3, 4].
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A peregrinação de Ulisses é vista retrospectivamente como um processo de despojamento, onde a perda dos companheiros e dos navios simboliza a purificação necessária antes de entrar no espaço sagrado de Ítaca.
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Companheiros como forças que liberam ventos hostis ou violam o sagrado.
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Chegada solitária e desprovida de bens à terra natal.
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Intervenção de Atenea para dissipar as brumas da ignorância [5, 6].
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A Gruta das Ninfas constitui um símbolo do cosmos e do coração, contendo elementos que representam a substância material, a vida em devir e as portas solsticiais que marcam a descida para a geração ou a ascensão para o divino.
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Pedra e água como matéria e fluidez originais.
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Tecidos de púrpura como as vestes da vida/sangue.
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Duas portas: Bóreas (homens/descida) e Sul (deuses/ascensão).
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Correspondência com os solstícios de Câncer e Capricórnio [7-9].
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A astúcia de Ulisses, longe de ser um defeito moral como na visão de Dante, é interpretada na cosmovisão grega como uma inteligência soberana e uma magia mental capaz de penetrar e dissimular para vencer as provas.
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Proteção de Palas Atenea, deusa da sabedoria.
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Capacidade de se fazer “pobre em espírito” (mendigo) mantendo a riqueza interior.
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Necessidade de reconciliação com as divindades através da humilhação [10, 11].
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O massacre dos pretendentes após a prova do arco simboliza a aniquilação das paixões internas pela luz e justiça solar, restaurando a pureza da “casa” ou da alma.
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Arco como arma do deus solar Apolo (comparável a Rama e Krishna).
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As doze machadinhas representam os meses zodiacais e o eixo do mundo.
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Flecha como o raio solar que atravessa as trevas.
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Justificativa da violência como purificação necessária [12-15].
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O segredo do leito nupcial, construído sobre um tronco de oliveira enraizado, revela que a união entre o herói e sua esposa ocorre no “centro do mundo”, simbolizando o casamento sagrado entre o espírito e a alma no coração.
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Penélope tecendo e destecendo como o ritmo da Natureza (Maya).
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Oliveira como Árvore do Mundo e eixo espiritual.
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Câmara nupcial como o santuário do coração onde se unem os opostos [16, 17].
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