coomaraswamy:hinduismo-teologia
HINDUÍSMO – TEOLOGIA E AUTOLOGIA
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O Sacrifício (yajña) realizado no mundo humano é apresentado como mimesis ritual da ação primordial dos Deuses e como operação que participa simultaneamente do caráter de pecado e de expiação, estabelecendo uma relação circular entre compreensão do Mito e realização do Sacrifício.
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O Sacrifício reproduz o que os Deuses fizeram no começo.
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A operação sacrificial é simultaneamente culpa e expiação.
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A compreensão do Mito depende da realização do Sacrifício.
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A realização do Sacrifício depende da compreensão do Mito.
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A investigação preliminar exige responder às questões acerca de Deus e acerca da natureza humana.
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Deus é definido como essência sem dualidade (advaita), ou como realidade sem dualidade mas dotada de relações (viśiṣṭādvaita), cuja essência subsiste em natureza dupla enquanto ser e devir.
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A essência divina é apreendida como ser (asti).
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A natureza dupla manifesta-se como ser e como tornar-se.
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A Intereidade (kṛtsnam, pūrṇam, bhūman) reúne pares complementares: explícito e não explícito, sonante e silente.
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Outras polaridades incluem saguṇa e nirguṇa, temporal e eterno, manifestado e não-manifestado.
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O conhecimento do aspecto imanente (apara) implica conhecimento do aspecto transcendente (para).
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A Pessoa no coração, que come e bebe, é também a Pessoa no Sol.
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O Sol é apresentado como Luz das luzes e como o Ātman universal de todas as coisas.
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A presença divina é simultaneamente interior e exterior, indivisa nas coisas divididas.
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Deus não provém de lugar algum nem se torna alguém, mas assume todas as modalidades possíveis de existência.
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A multiplicidade dos nomes divinos como Agni, Indra, Prajāpati, Śiva ou Brahma exprime manifestações diversas daquele que é realmente uno.
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A tradição afirma que muitos nomes designam o mesmo ser único.
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Deus assume as formas concebidas pelos adoradores.
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As tríades Agni–Vāyu–Āditya ou Brahmā–Rudra–Viṣṇu são consideradas encarnações supremas do Brahman incorpóreo.
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Essas incorporações participam de um único Si comum definido por operações distintas.
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Tais formas são meios de ascensão progressiva nos mundos.
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No ponto final dessa ascensão alcança-se a simplicidade da Pessoa.
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A sílaba AUM é apresentada como o símbolo mais perfeito de Deus, reunindo todos os sons e servindo como suporte de contemplação do princípio sem forma.
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AUM representa a totalidade dos sons e a música das esferas cantada pelo Sol.
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O símbolo audível possui valor equivalente ao ícone plástico.
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Ambos funcionam como suportes contemplativos (dhiyālamba).
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O invisível e o inaudito são apreendidos por analogia no visível e no audível.
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Os símbolos são meios para abordar o sem-forma.
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Tais formas devem ser abandonadas antes da identificação final com o princípio.
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A realidade designada como “Isso” (tat) é descrita como sizígia de princípios conjuntos sem composição nem dualidade.
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Os princípios não se distinguem interiormente.
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Exteriormente distinguem-se como suficiente e insuficiente.
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A oposição surge quando se considera a auto-manifestação (svaprakāśatvam).
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A manifestação introduz as categorias de sujeito e objeto.
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O universo percebido aparece como multiplicidade de existências individuais.
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O Uno pode ser denominado simultaneamente Multiplicidade Integral e Luz Oniforme, porque a criação é exemplar e procede de princípios originalmente unidos.
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Pares como Céu e Terra, Sol e Lua ou homem e mulher eram originalmente um.
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A conjunção desses princípios produz um terceiro.
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O terceiro reproduz a imagem do primeiro e a natureza do segundo.
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A conjunção da mente (manas) e da voz (vāc) gera o conceito (saṅkalpa).
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A união do Céu e da Terra gera o Filho, o Fogo (Agni), cujo nascimento separa os pais e ilumina o espaço intermediário.
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O Fogo nasce no espaço intermediário (antarikṣa).
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No microcosmo o mesmo fogo é aceso no espaço do coração.
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O Filho permanece no seio da Mãe possuindo todos os seus poderes.
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Ele atravessa os Sete Mundos e passa pela porta do Sol.
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A ascensão é comparada ao fumo que sobe do altar.
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Agni é descrito simultaneamente como mensageiro divino, hóspede nas casas humanas e sacerdote que conduz a oferenda ao mundo além do céu.
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Agni reside tanto em casas construídas quanto no corpo humano.
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Ele constitui o princípio pneumático e luminoso da vida.
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O fogo transporta a oferenda queimada ao mundo celeste.
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A via que conduz além da abóbada do céu é a “Via dos Deuses” (devayāna).
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A Via divina é apresentada como caminho que conduz à outra margem do rio da vida e fundamenta simbolismos universais de viagem, ponte e porta.
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A travessia conduz da margem terrestre à margem celeste.
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O caminho segue os passos do Precursor.
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Os símbolos de peregrinação e passagem derivam dessa concepção da Via.
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As duas metades da unidade primordial podem ser distinguidas segundo perspectivas políticas ou psicológicas.
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Politicamente aparecem como Sacerdotium e Regnum (brahma-kṣatrau).
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Psicologicamente aparecem como Si mesmo e não-si mesmo.
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Correspondem ao Homem Interior e à individualidade exterior.
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Correspondem ainda aos princípios masculino e feminino.
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Esses pares são dispares e hierárquicos, pois o princípio subordinado permanece contido de modo mais eminente no superior.
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O Sacerdotium reúne em si Sacerdotium e Regnum.
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Exemplos simbólicos incluem Mitrāvaruṇau ou Indrāgnī.
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O Regnum, isolado, é apenas função subordinada.
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O Sacerdotium dirige o Regnum como hegemon.
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A relação hierárquica expressa-se também simbolicamente em termos de sexo e correspondências metafísicas.
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Mitra corresponde ao para Brahman.
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Varuṇa corresponde ao apara Brahman.
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Varuṇa é feminino em relação a Mitra.
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O sacerdote é masculino em relação ao rei.
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O rei é masculino em relação ao reino.
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A mesma hierarquia estende-se à ordem humana e social, na qual o princípio intelectual governa o princípio ativo.
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O homem está sob o governo conjunto da Igreja e do Estado.
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O homem exerce autoridade sobre a esposa.
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A esposa administra o domínio doméstico.
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O princípio noético determina o que o princípio estético executa.
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O desordem surge quando o princípio estético se separa da orientação racional e identifica a paixão com liberdade.
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O princípio estético torna-se escravo das próprias paixões.
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Essa escravidão passa a ser confundida com liberdade.
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A aplicação principal dessa doutrina recai sobre o indivíduo, cuja individualidade exterior é feminina em relação ao seu Sí mesmo interior contemplativo.
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O controle de si mesmo corresponde à submissão do homem exterior ao homem interior.
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Essa submissão constitui a verdadeira autonomia.
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A autoafirmação corresponde ao contrário dessa ordem.
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O retorno a Deus é interpretado por meio de simbolismo erótico que expressa a união do si mesmo com o Si mesmo solar.
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A união elimina a distinção entre “eu” e “tu”.
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Śaṅkara explica esse estado pela unidade.
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Todas as coisas são amadas apenas por amor do Si mesmo.
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O verdadeiro amor do Si mesmo dissolve a oposição entre egoísmo e altruísmo.
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O Si mesmo é visto igualmente em todos os seres.
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Todos os seres são vistos nesse mesmo Si.
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Meister Eckhart afirma que amar o próprio Si mesmo é amar todos os homens.
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O dito sufi declara que o amor consiste em tornar-se o próprio outro.
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O casamento sagrado realizado no coração simboliza simultaneamente morte e ressurreição beatífica.
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O termo “casar” (eko bhū) significa também morrer.
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O termo grego teleo significa perfeição, casamento ou morte.
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Quando cada um é ambos, toda relação desaparece.
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A beatitude (ānanda) é apresentada como fundamento de toda vida e felicidade.
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Sem essa beatitude não haveria vida em lugar algum.
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O processo do mundo é descrito como jogo (krīḍā, līlā) do Espírito consigo mesmo.
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O jogo é comparado à luz solar que ilumina sem ser afetada.
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A vida humana é um jogo conduzido por apostas temporais.
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O amor divino é comparado a jogo em que perder equivale a ganhar.
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A separação do Céu e da Terra estabelece os três mundos e o espaço etérico intermediário (ākāśa).
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O espaço intermediário permite a manifestação de possibilidades finitas.
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Do éter derivam sucessivamente ar, fogo, água e terra.
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Os cinco elementos formam os corpos das criaturas.
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Deus entra nesses corpos e divide-se para preencher os mundos como os distintos deuses.
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As inteligências formam a hoste dos seres (bhūtagaṇa).
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Esses seres operam em nós como alma elemental (bhūtātman).
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Esse conjunto constitui o si mesmo consciente mortal.
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Os seres elementais ignoram o seu Si mesmo imortal.
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Devem ser distinguidos das deidades imortais chamadas Arhats.
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Os Arhats alcançaram sua condição por mérito.
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A Pessoa no coração recebe alimento físico e mental por meio dessas deidades mundanas.
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A Pessoa interior é também a Pessoa no Sol.
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O alimento sustenta o processo do ser ao devir.
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Os poderes que atuam na consciência refletem a providência e a onisciência atemporal do Espírito solar.
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O mundo não é fonte do conhecimento divino.
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O mundo é consequência da contemplação divina de si mesmo.
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A diversidade do mundo é comparada a pintura feita pelo próprio Espírito.
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O Espírito não se conhece por meio do mundo, mas o mundo surge de seu autoconhecimento.
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Conhecer Deus por meio do mundo pertence ao conhecimento inferencial humano.
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A teologia e a autologia são apresentadas como uma única ciência cuja resposta fundamental é a identidade entre o homem e o princípio divino.
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A resposta à pergunta “o que sou eu?” é “Isso és tu”.
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Há dois em quem é simultaneamente Amor e Morte.
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Há também dois no ser humano.
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Esses dois não constituem dois de Deus nem dois do homem, mas uma única realidade comum.
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Entre começo e fim o homem aparece dividido entre essência e natureza.
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Essa divisão faz Deus parecer separado do homem.
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A relação entre o Pássaro-Sol e o Pássaro-Alma ilustra a dualidade aparente entre espectador e participante.
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Ambos estão pousados na Árvore da Vida.
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Um observa e o outro come os frutos.
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Para o Compreensor os dois pássaros são um.
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A iconografia representa essa unidade como pássaro de duas cabeças ou como dois pássaros entrelaçados.
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A diferença entre espectador e participante corresponde à diferença entre liberdade e envolvimento.
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O participante sofre até reconhecer seu Senhor.
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Outra imagem compara a constituição do indivíduo a uma roda (cakra).
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O centro é o coração.
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Os raios são as faculdades.
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A circunferência corresponde aos órgãos de percepção e ação.
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Os dois polos dessa roda correspondem ao sí mesmo profundo e ao superficial.
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O polo axial permanece imóvel.
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O polo periférico reage ao contato com a terra.
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A roda representa o ciclo do devir (bhava-cakra).
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A confluência das rodas em movimento constitui o samsāra.
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O fluxo universal envolve mundos e indivíduos.
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O si mesmo elemental está implicado nesse fluxo.
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As experiências humanas resultam da operação de causas mediatas (karma).
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O ponto central da roda permanece independente dessas causas.
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O ponto está na roda mas não pertence a ela.
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A presença divina participa também da natureza passível e sofre aparentemente com as ações humanas.
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O princípio divino entra em nascimentos diversos.
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Ele experimenta bem e mal, verdade e falsidade.
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O Senhor é descrito como o único transmigrador.
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O ato de conceder consciência implica que o próprio Senhor se prende na rede do mundo.
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A metáfora compara essa condição a pássaro capturado na rede.
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Essa captura é apenas aparente.
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A questão da libertação conduz à investigação sobre o que é realmente livre das limitações da individualidade.
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A individualidade baseia-se na noção de “eu” e “meu”.
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A libertação é libertação desse “eu”.
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Somente aquele que jamais se tornou alguém é livre de virtudes e vícios.
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Libertar-se de si mesmo implica deixar de ser alguém.
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Permanecer o mesmo impede a libertação.
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A verdadeira libertação corresponde à realização da identidade “Isso és tu”.
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Na porta do Sol a resposta correta à pergunta “quem és?” é “tu mesmo”.
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O sacrifício exprime essa identificação entre sacrificador e vítima.
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A oração “o que tu és, isso seja eu” exprime a mesma identidade.
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A questão decisiva da morte é partir no próprio si mesmo ou no Si mesmo imortal.
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A realização do Si mesmo cumpre totalmente a finalidade da vida humana.
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O estado alcançado é descrito como kṛtakṛtya.
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Não resta nenhuma potencialidade por cumprir.
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A libertação e a imortalidade são apresentadas como realidades realizáveis já nesta vida.
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O jīvan-mukta não morre novamente.
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O conhecedor do Si mesmo não teme a morte.
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O liberado é descrito como homem morto que continua a andar.
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Ele não ama mais a si ou aos outros como indivíduos.
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Ele é o Si mesmo em todos.
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A morte do próprio si mesmo implica também morte aos outros enquanto alteridade.
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A aparente ausência de egoísmo não resulta de altruísmo intencional.
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O estado é descrito como de-si-mesmado.
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O liberado está além de estatutos, deveres e direitos.
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Torna-se um movedor-à-vontade (kāmacārī).
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Esse estado é comparado ao movimento livre do Espírito (Vāyu).
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São Paulo descreve essa condição como estar além da lei.
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A imparcialidade dos que encontraram o Si mesmo manifesta ausência de amor ou ódio particulares.
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Essa condição corresponde à exigência evangélica de abandonar pai, mãe e a própria vida mundana.
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O estado do liberado não pode ser descrito positivamente, apenas negativamente.
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A expressão de Dante afirma que a transumanização não pode ser significada por palavras.
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Aqueles que não se conheceram a si mesmos permanecem prisioneiros de suas próprias sensações.
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A autologia brahmânica é apresentada como ciência autorizada.
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Tudo o que é estranho ao Si mesmo constitui desastre.
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Onde não há outro não existe temor.
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A distinção entre o homem exterior e o Si mesmo interior é indicada pela experiência comum de desconfiar de si ou esquecer-se de si.
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A consciência de ser permanece válida apesar da identidade individual ilusória.
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A gnose da deidade imanente pode realizar-se agora.
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A realidade do princípio divino não pode ser demonstrada em ambiente puramente quantitativo.
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Contudo não é científico negar hipótese suscetível de verificação experimental.
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Existe uma Via prescrita para quem deseja segui-la.
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A exposição conduz da consideração dos princípios contemplativos à consideração da operação sacrificial que permite verificá-los.
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A passagem corresponde ao movimento da vida contemplativa para a vida ativa ou sacrificial.
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