User Tools

Site Tools


coomaraswamy:tempo-e-eternidade:cristianismo

HINDUÍSMO

Le Temps et l'Éternité

  • Cristo e Paulo afirmam a primazia do Presente: “deixai que os mortos enterrem seus mortos”, “não vos inquieteis com o amanhã”, e a ressurreição incorruptível ocorre “num momento, num abrir e fechar de olhos” (1 Cor. 15:51-52), o que evoca o “único-instante do Despertar” (eka-ksana-sambhodi) budista.
    • A corruptibilidade é inseparável de toda existência no tempo, tanto para Aristóteles e os budistas quanto para o cristianismo.
    • Ser “ressuscitado incorruptível” implica passagem do fluxo temporal para uma eternidade presente sem ontem nem amanhã.
    • A. A. Bowman observa que “a preocupação religiosa da vida é a preocupação de uma vida de experiência que renasce momentaneamente em cada instante que passa”.
    • A realidade do presente eterno está ligada à do Espírito Santo, cuja operação é imediata: “E subitamente (exaiphnes) veio um som do céu” (Atos 2:2).
    • Tomás de Aquino decide que a justificação do ímpio “não é sucessiva, mas instantânea” (Sum. Theol. 1.2.113.7), pois o movimento da Graça é repentino e o do livre-arbítrio é “por natureza instantâneo”.
    • Nota 1: “Morto é o homem de ontem, pois morreu no homem de hoje; e o homem de hoje morre no homem de amanhã” (Plutarco, Mor. 392 D).
    • Nota 2: a ressurreição aplica-se não apenas ao futuro distante, mas ao momento presente da iluminação, “quando a alma que jazia morta num corpo vivo ressuscita de novo” (Agostinho, Sermo 88, 3.3).
    • Nota 3: Guénon: “quem não pode escapar do ponto de vista da sucessão temporal é incapaz da menor concepção da ordem metafísica” (La métaphysique orientale, 1939, p. 17).
    • Nota 5: “subitamente” (sub-i-taneus) é literalmente “ir furtivamente”; o mesmo conceito aparece na Índia com referência à processão e imanência divinas (RV. 1.145.4, Mu. Up. 1.1.6, 2.2.1).
    • Nota 6: o “instante” de Tomás é estritamente atômico, e seu argumento baseia-se no fato de que tais instantes não são partes do tempo.
    • Nota 7: nas coisas acima do tempo, nenhum intervalo separa a causa do efeito.
  • Tomás de Aquino, ao tratar a sucessão dos opostos no mesmo sujeito, distingue entre coisas sujeitas ao tempo e coisas acima do tempo: no tempo não há “último instante” em que a forma prévia é inerente, mas há o primeiro instante em que a forma subsequente o é; na mente humana, porém, que está acima do tempo, há um primeiro instante em que a graça é inerente e não um último instante em que o pecado o era.
    • Tudo isso poderia expressar-se nos termos do círculo (bhava-cakra) e de seu raio, onde a sucessão temporal corresponde à moção ao longo da circunferência, e a moção ex tempore do livre-arbítrio à moção centrífuga (queda) e centrípeta (ressurreição).
    • Nota 8: Rumi, Mathnawi 3.1980: “a viagem do espírito é incondicionada com respeito ao tempo e ao espaço”.
    • Nota 9: a mente é aeviternal como os anjos, ou mortal como a razão e imortal como o intelecto.
  • Tomás de Aquino examina a eternidade de Deus na Summa Contra Gentiles 1.14-15, baseando-se na imutabilidade divina e em Aristóteles (“o tempo é a enumeração da moção”), concluindo que Deus tem toda Sua existência simultaneamente (simul), o que é a natureza da eternidade.
    • Deus não se move, não pode ser medido pelo tempo, não existe “antes ou depois”, nem há nele nenhuma sucessão.
    • Nota 10: o agora do tempo difere em aspecto aqui e ali; a eternidade permanece a mesma tanto quanto ao sujeito como ao aspecto (Tomás, 1.10.4 ad 2).
    • Nota 11: aiôn e yus, etimologicamente aparentados, significam “vida” ou “idade”; a raiz IE é I, “ir”, presente em aevum, aeternus, ewig, ever; Agni como vivayus é “a totalidade da vida”.
  • Tomás distingue mais plenamente, na Summa Theologica 1.10, entre tempo, aeviternidade e eternidade: a eternidade é a apreensão da uniformidade do que está fora do movimento; a aeviternidade é o meio entre ambas; os anjos, com ser imutável quanto à natureza e mutável quanto à eleição, são medidos pela aeviternidade.
    • O tempo tem antes e depois; a aeviternidade em si mesma não os tem, mas podem anexar-se a ela; a eternidade não tem antes nem depois, nem é compatível com eles.
    • A aeviternidade aplicar-se-ia à vida dos deuses indianos nascidos com “um milhar de anos de vida” (B. 11.1.6.15), cujo “não morrer” (amritatva) contrasta com a imortalidade atemporal de Brahma.
  • O tempo é uno, não porque é um número abstraído da coisa numerada, mas porque existe na coisa numerada — argumento completamente aristotélico: a peça de tecido não deixa de ser uma peça ao final de cada polegada; tempo e espaço são contínuos e infinitamente divisíveis.
    • Nota 12: Guilherme de Ockham argumenta, no Tractatus de Successivis, que moção, lugar e tempo não são entidades separadas das realidades respectivas — o corpo movido, localizado e movido no tempo; Boehner observa que Ockham considera isso a verdadeira opinião de Aristóteles.
  • Agostinho formula a distinção entre ser e existir: em Deus “nada é passado como se já não fosse; nada é futuro como se ainda não existisse; tudo o que ali é, simplesmente é”; “Ser é um nome para a imutabilidade”; “há uma vida e inteligência primordial e absoluta, em que ser e existir são a mesma coisa” (In Joan. Evang. 38.10; Sermo 7.7; De Trin. 6.10.11).
    • O homem “é quando vê a Deus… vendo A QUEM É, o homem também começa a ser… através da caridade” (In Ps. 121).
    • Nota 13: “Eu sou o que Eu sou” é versão do que em hebraico era “Eu me torno o que me torno”; o grego lê “Ele é em Si mesmo”, o hebraico “Ele é voltado para nós”; ambos os conceitos estão na tradição védica (KU. 6.13; RV. 5.3.1).
    • Nota 14: Eckhart: “Deus ama a todas as criaturas igualmente e as enche de seu ser; e assim devemos nós derramar-nos em amor em todas as criaturas” (Pfeiffer, p. 273).
  • Agostinho radicaliza a análise do presente: o “ano”, o “hoje”, a “hora”, o “momento” — em cada passo, o passado já passou e o futuro ainda não veio; o presente verdadeiro é indivisível e não nos “pertence” como duração.
    • “Que temos nós então desses 'anos'?” (In Ps. 76.8).
  • Boécio, em De Trin. 1.4, distingue o “agora” humano, que conota tempo e sempiternidade mutáveis, do “agora” divino, permanente, imutável e auto-subsistente; em De Consol. 5.6 define a eternidade como “a posse perfeita de uma vida interminável toda ao mesmo tempo (tota simul)”.
    • Os momentos do tempo transitório imitam, de certo modo, o agora que permanece quieto, e por isso a cada momento “parece ser” uma coisa.
    • O chamado “preconhecimento” de Deus deveria chamar-se “providência” (providentia), não “previdência” (praevidentia), pois Deus, colocado acima das coisas, as presencia todas desde a mais elevada sumidade.
    • Boécio pode então tratar o livre-arbítrio e a predestinação: Deus presencia as coisas “futuras” do livre-arbítrio como presentes, e essa inspeção não impugna a liberdade de querer ou negar, assim como nossa visão de um homem distante não controla seus atos.
    • Nota 15: na edição Loeb, aeternum é mal traduzido por “sempiterno”; para Boécio, a eternidade é in-finita, sem começo nem fim, mas não uma duração — é o tempo que “dura”.
    • Nota 17: o sânscrito prajna, etimologicamente o grego prognosis e o latim pro-gnosis, atribui-se ao Sol e ao Si Mesmo Espiritual onisciente; é conhecimento de todas as coisas que não deriva da observação de sua ocorrência.
  • A operação da razão ou da mente, enquanto age realmente, está “acima do tempo”, e o livre-arbítrio possui uma moção real mas ex tempore; os movimentos que nos parecem passados ou futuros decorrem apenas de nossas posições relativas com respeito ao Agora da Eternidade.
    • Boécio compara o tempo à circunferência de um círculo cujo centro é a eternidade (De Consol. 4.6): “uma coisa é muito mais livre do fatum, quanto mais próxima está do eixo (cardo) de todas as coisas”.
    • Nota 19: Dante, Paradiso 13.11 e 28.41: “a ponta do eixo em torno do qual a primeira roda gira… desse ponto depende o céu e toda a natureza”.
    • Nota 20: “Ad id quod est id quod gignitur, ad aeternitatem tempus, ad punctum medium circulus” — Boécio.
    • Nota 22: a moção do livre-arbítrio não é no tempo nem na eternidade, mas entre eles; figurativamente, será espiral; a apocatástase final de todas as “luzes caídas” está assim garantida.
  • Meister Eckhart afirma que Deus está criando a totalidade do mundo agora, neste instante (nû alzemâle), sem que o tempo jamais tenha entrado ali; o que foi há mil anos e o que será daqui a mil anos estão todos presentes agora.
    • “Em toda a eternidade não há antes nem depois… assim pois, a viver nessa eternidade, ajuda-nos Deus meu!” (Pfeiffer pp. 190, 192).
    • Nota 23: o círculo de Tiago e o bhava-cakra indiano; sobre o simbolismo do círculo cf. Dionísio, De div. nom. 5.6; Tomás de Aquino, De principio scientiae Dei 14; Guénon, Le symbolisme de la croix.
  • Eckhart afirma que há um poder na alma ao qual o tempo não toca, e que o Agora em que Deus fez o primeiro homem, o Agora em que o último homem morrerá, e o Agora em que ele fala são todos o mesmo Agora em Deus.
    • “Tomai as breves palavras (João 4:23) venit hora et nunc est: quem quiser adorar ao Pai [em espírito e em verdade] deve estabelecer-se na Eternidade com seus anseios e esperanças.”
    • “O dia que foi há mil anos não é na Eternidade mais afastado que este agora em que eu sou; nem tampouco o dia por vir daqui a mil anos.” (Pfeiffer, pp. 44, 45, 57).
  • Eckhart descreve o mundo como um círculo centrado em Deus, cujas obras são sua circunferência; a alma, ao se lançar ao centro (daz punt des zirkels), une-se ao ponto essencial onde a Trindade realizou toda sua obra permanecendo imutável, e torna-se onipotente e eterna.
    • São Boaventura compara a Deus a um círculo cujo centro está por toda parte (Itin. mentis 5); Dante, a punta cui la prima rota va dintorno (Paradiso 28.41); o bindu marca o centro de todos os mandalas e yantras indianos.
    • Nota 24: Shatapatha Brahmana 10.5.2.17: “ao mesmo tempo perto e longe; pois enquanto Ele está aqui na terra na carne Ele está perto, e enquanto é Esse Um em outro mundo Ele está também longe”.
  • Ruysbroeck formula que para conhecer o Ponto Eterno é necessário estar nele, “além da mente e acima de nosso ser criado; nesse Ponto Eterno onde todas as nossas linhas começam e acabam, onde elas perdem seu nome e toda distinção, e se tornam um com o Ponto mesmo” (De Septem custodiis, cap. 19).
  • O simbolismo do ponto central relaciona-se com a doutrina que iguala os seres beatificados e os anjos aos raios do Sol Inteligível, e que implica uma “fusão sem confusão” ou “distinção sem diferença” (bhedabheda), sem interpretação panteísta herética.
    • RV. 1.109.7: “são os mesmos raios com os que os Pais de outrora se uniram”; B. 1.9.3.10: “os raios d'Aquele que brilha ali são os Perfeitos (sukrta)”.
    • Plotino, Enéadas 6.4.3: “sob a teoria da processão pelos poderes, às almas se as descreve como raios”.
    • Nota 25: “não o sol que todos os homens veem, mas Aquele que poucos conhecem com a mente”, AV. 10.8.14.
    • Nota 28: em sentido adequado é inevitável um “panteísmo”, pois se Deus fosse menos que Tudo, haveria algo exterior à sua essência, e ele já não seria infinito.
  • Dante faz múltiplas referências ao “ponto essencial” onde todos os tempos estão presentes (Paradiso 17.17), onde todo onde e todo quando têm seu foco (29.12), onde “de esse ponto depende o céu e toda a natureza” (28.41), e que “não tem nenhum outro onde que a mente divina” (27.109).
    • “O movimento sobre a face das águas por parte de Deus não foi nem antes nem depois” (Paradiso 29.20).
    • “Cada parte está onde sempre esteve, pois ele não está no espaço, nem tem polos… por isso está subtraído assim de tua vista” (22.64).
    • Filão de Alexandria: “há um fim do movimento em que o universo veio a ser 'em seis dias'” (LA. 1.20); Rumi: “a cada momento o mundo é renovado, a vida está sempre chegando nova” (Mathnawi 1.1142).
    • Nota 29: na metáfora da corrida de carro, a meta é o poste em torno do qual se dá a volta, não o ponto de partida.
    • Nota 30: “O Imperecível Brahma… onde estão contidos todos os mundos e todas as coisas que há neles” (Mu. Up. 2.2.2), “como uma flamejante roda ígnea” (MU. 6.24).
  • O Paraíso, como diz Nicolau de Cusa, tem seus muros “construídos dos contraditórios” — dos quais o passado e o futuro são o par mais significativo —, e quem quiser entrar deve ter vencido o mais alto Espírito de Razão que guarda a porta estrecha que os distingue.
    • Nicolau de Cusa, De visione Dei cap. 10: “na eternidade em que tu concebes, toda sucessão temporal coincide em um e no mesmo Agora Eterno; assim não há nada passado nem futuro onde o passado e o futuro coincidem no presente.”
    • “Tira de mim, oh Senhor, pois ninguém pode alcançar-Te salvo que seja atraído por Ti; liberta-me deste mundo e une-me a Ti, absolutamente Deus, na eternidade da vida gloriosa” (idem, cap. 25).
    • Nota 32: o Logos: “Eu sou a porta, quem por mim entrar…”
  • A resistência das mentalidades contemporâneas ao conceito de ser estático baseia-se quase sempre em sentimentos, não na questão da verdade ou falsidade da doutrina tradicional; confunde-se a atividade, que é procedimento inacabado da potencialidade ao ato, com o ser em ato.
    • R. A. Nicholson protesta que “para nossas mentes os átomos sem extensão no espaço nem no tempo parecem muito insubstanciais” (Studies in Islamic Mysticism, 1921, p. 154).
    • W. H. Sheldon observa que “os homens sentem que o que não pode pôr-se nos termos do tempo carece de significado”, mas que o ser estático deve compreender-se como “processo tão intensamente vívido e veloz que compreende o começo e o fim num único toque” (Modern Schoolman 21.133).
    • Os que falam de ser estático e sem tempo falam também dele como experiência imediatamente beatífica e possessão de tudo que alguma vez veio ou virá a ser no tempo.
    • Os homens retrocedem do Nirvana, “embora pertença à definição do Nirvana dizer que 'o que o encontra, encontra tudo' (sabbam etena labbhati, KhP. 8) e que é a 'suprema beatitude' (parama sukham, Nikayas, passim)”.
  • Boécio define o “tempo eterno” como “a posse perfeita e total de uma vida interminável em sua simultaneidade”, e Eckhart formula a resposta à objeção sentimental: possuir tudo que tem ser, simultaneamente e sem partes (zemal ungeteilet), na alma inteira, em Deus, “revelado em sua invelada perfeição, onde brota primeiro” — isso é felicidade.
    • Eckhart denomina “Plenitude do Tempo” ao ato de reunir todo o tempo e tudo que aconteceu em seis mil anos num único Agora presente (ein gegenwertic nû): “Isso é o Agora da Eternidade (daz nû der êwikeit), quando a alma conhece todas as coisas como elas são em Deus, novas e frescas e belas, como eu as encontro agora” (Pfeiffer p. 105).
    • A Upanishad afirma: “se se toma a Plenitude, ainda resta a Plenitude” (BU. 5.1).
    • Nota 34: in dem êrsten ûzbruche — nem ainda mostrado (futuro) nem oculto (passado), mas inmanifesto-manifesto (vyakta-avyakta); o momento da Aurora, comparável à postura do arqueiro no instante da solta.
    • Nota 35: “todo o tempo” significa, para um hindu, todos os tempos de que a presente idade do mundo é apenas um.
    • Nota 36: samadhi é literal e etimologicamente “síntese”.
  • Na eternidade nada falta (“oni-obtenção”, sarvapti), nenhum desejo permanece insatisfeito; quem não participou da eternidade aqui e agora talvez nunca venha a participar; o nunc aeternitatis está tão presente aqui e agora como sempre esteve.
    • Nota 37: Kausitaki Upanishad 3.2.3: “Vida e Imortalidade junto… isso é a 'oni-obtenção' no Espírito de Vida”.
    • Nota 38: Platão, Filebo 54 E, sobre homens que não querem viver sem fome e sede; Traherne: Deus “anela infinitamente todos Seus gozos… e todos esses prazeres anelados os tem infinitamente… Sua vida em anelos e gozos é infinita, e ambos se sentem como Sua Suprema Deleitação”.
  • Todo encontro é um encontro pela primeira vez e toda separação é para sempre, pois “todo câmbio é um morrer” (Platão, Eutidemo 283 D; Eckhart); os encontros e separações só afligem na medida em que nos identificamos equivocadamente com os tabernáculos psicofísicos mutáveis que nosso Si Mesmo assume.
    • Chandogya Upanishad 8.2.1-2: os desejos verdadeiros e os falsos; “do amado que morre, já não se tem visão aqui; mas tudo que se deseja encontra quem entra ali”.
    • Os desejos verdadeiros e falsos são platônicos e agostinianos: Platão, Filebo 40 C e 51: os prazeres falsos são os afetos misturados de aflição; os verdadeiros são os que se têm na beleza matemática e no conhecimento, sem mistura de aflição.
    • Agostinho: enquanto consideramos as coisas eternas, participamos da eternidade; a eternidade não está longe de nós, mas mais perto que o tempo, cujas duas partes (futuro e passado) estão realmente afastadas.
    • Nota 39: samhita — “em samadhi”: literal e etimologicamente “sintetizado”.
    • Nota 40: “o reino do céu está dentro de vós”.
    • Nota 43: Agostinho, De civ. Dei 14.28: “dois amores criaram estas duas cidades… que cada homem se pergunte o que ama, e descobrirá de qual delas é cidadão”.
    • Nota 44: AV. 10.8.44: “o Si Mesmo auto-subsistente, in-desejoso, jovial, sem velhice e sem morte, a quem se um o conhece, não teme mais a morte”.
    • Nota 45: Plotino, Enéadas 6.9.9: “os objetos dos amores terrenos são mortais, danos e amores de sombras que mudam e passam; mas ali está o verdadeiro objeto de nosso amor, onde podemos estar com ele, apreendê-lo e possuí-lo realmente”.
    • Nota 46: “entrarão e sairão, e encontrarão pradaria” (João 10:9); Taittiriya Up. 3.10.5; Nuvem do Desconhecido, cap. 59.
  • A faculdade sinóptica do intelecto — exemplificada pelo gênio matemático, pela composição de Mozart ouvida totum simul, e pela visão de Dante da “forma universal” da pintura do mundo (Paradiso 33.85-100) — fornece uma analogia de como seria ver e conhecer todas as coisas ao mesmo tempo, onde “conhecer e ser são a mesma coisa”.
    • Mozart ouvia suas composições não frase a frase, mas como um totum simul, e julgava essa “escuta efetiva da totalidade junta” melhor que a subsequente escuta da totalidade extendida.
    • A visão de Dante: “dentro de sua profundidade vi abraçadas, cingidas por amor em um único volume, todas as folhas esparsas da totalidade do mundo, substâncias e acidentes e suas sucessões… de tal modo que do que falo é de uma única chama.”
    • Nota 50: o “paradigma eterno” de Platão (Timeu 29); Shankara, SvAtmanirûpana 95: “a pintura do mundo pintada pelo Espírito sobre a tela do Espírito”.
    • Nota 52: Plotino, Enéadas 6.9.6: “todos são o mesmo ali e sem embargo distintos; da mesma maneira a alma possui o conhecimento de muitas coisas sem confusão”.
    • Nota 53: Agostinho: “em todas as conversações entre dois há referência tácita a uma natureza comum… essa terceira parte, ou natureza comum, é Deus” (William James, Varieties of Religious Experience); Schrödinger: “a consciência é um singular cujo plural é desconhecido” (What is Life?, 1945, p. 90).
    • Nota 55: Agostinho parece ter sido o primeiro a enunciar explicitamente que, in divinis, viver, conhecer e ser são uma e a mesma coisa (De Trin. 6.10.11; In Joan. Evang. 99.4; Conf. 13.11).
    • Nota 56: os Anjos têm menos ideias e usam menos meios que os homens; Deus tem apenas uma ideia e não precisa de nenhum meio (Eckhart).
  • Os poetas metafísicos ingleses persistem na doutrina tradicional do tempo e da eternidade: Herrick, Sylvester e Angelus Silesius cantam a absorção de todos os tempos no Dia sem fim; Labadie entrega a alma “como uma gota de água à sua fonte”, suplicando a Deus que o tome em Si e o engolfa no abismo de Seu ser.
    • O motivo “a gota de orvalho que se funde no mar brilhante” é rastreável através de Ruysbroeck, Eckhart e Dante no Ocidente; dos sufis Shams-i-Tabriz e Rumi, e até fontes budistas, védicas e chinesas no Oriente.
    • Prana Upanishad 6.5 (com equivalente quase literal em Anguttara Nikaya 4.198): “como as correntes fluentes que vão para o mar… seu nome-e-figura se desfazem, e fala-se apenas do 'Mar'; assim… fala-se apenas da 'Pessoa'. Ele devém então sem partes (akala), imortal.”
    • Nota 58: a “anegação” é de dois tipos extremamente diferentes: nas águas superiores (perda do Ego empírico) ou nas águas inferiores (perda da própria individualidade, como “unidade estatística”). RV. 7.86.2: “quando viremos a ser novamente em Varuna?” (o Mar = Brahma).
    • Nota 61: Ruysbroeck usa constantemente “imersão” como equivalente exato do pali ogadha, em amat'ogadha, “imersão ou anegação dentro do Sem-Morte”.
    • Nota 62: Eckhart: “como a gota torna-se o oceano, assim a alma se deifica, e perde seu nome e operação, mas não sua essência” (Pfeiffer p. 314).
    • Nota 63: Dante, Paradiso 3.85-86: “nossa paz é aquele mar ao qual tudo se move”.
    • Nota 64: Shams-i-Tabriz, Diwan: “entra nesse Oceano, que tua gota se torne um Mar que é cem mares de Omã”.
    • Nota 68: Tao Te Ching 32: “ao Tao todo sob o céu virá, como correntes e torrentes fluem para um grande rio ou o mar”.
  • Ruysbroeck sintetiza em The Sparkling Stone (cap. 9) e The Book of Supreme Truth (cap. 10) a doutrina percorrida: “se possuímos a Deus na imersão do amor, nos submergimos eterna e irrevogavelmente em nossa única possessão que é Deus”; “isso tem lugar mais além do tempo; sem antes nem depois, num Agora Eterno… o lar e o começo de toda a vida e de todo o devir”.
  • A conclusão rastreia a persistência dos conceitos de tempo e eternidade através de dois milênios: o tempo, contínuo em que tudo vem e vai, e a eternidade, em que tudo permanece imutável, são parte integral da experiência humana, pois “a intuição não-espacial e não-temporal é a condição da interpretação do próprio mundo do espaço-tempo”.
    • Guénon: “todos os estados do ser, vistos no princípio, são simultâneos no agora eterno; e quem não pode escapar do ponto de vista da sucessão temporal é incapaz da menor concepção da ordem metafísica” (La métaphysique orientale, 1939, pp. 15, 17).
    • Nicholson: “na experiência da realidade unificada, a totalidade do processo da criação, desde o Pacto Primordial até a Ressurreição, é um único momento sem tempo de auto-manifestação Divina” (Commentary on Rumi, Mathnawi 1.2110-2111).
    • A invocação final OM NAMO ANANTYA KALANTAKAYA encerra o capítulo.
    • Nota 49: BU. 1.4.15, 4.4.14; CU. 7.25.2, 8.1.6; BG. 18.58.
    • Nota 57: F. H. Brabant, Time and Eternity in Christian Thought, 1937; Alberto Rougés, Las Jerarquías del Ser y la Eternidad, Tucumán, 1943; Katz, “Eternity — Shadow of Time” (Review of Religion 11, 1946): Traherne responde que Deus “anela infinitamente todos Seus gozos… e os tem infinitamente… Sua vida em anelos e gozos é infinita”.
    • Nota 70: Wilbur M. Urban, The Intelligible World, 1929, p. 268.
    • Nota 71: Guénon, idem, pp. 15, 17.
    • Nota 72: Nicholson, Commentary on Rumi, Mathnawi 1.2110-2111.
coomaraswamy/tempo-e-eternidade/cristianismo.txt · Last modified: by 127.0.0.1

Except where otherwise noted, content on this wiki is licensed under the following license: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki