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ÁGUAS GELADAS E ÁGUAS FLUENTES

Tradição Hermética

  • Uma vez separados os princípios Sol e Lua, a relação que se estabelece entre eles define dois tipos de realidade: o mundo do devir sublunar, onde o princípio fixo (Sol) é dominado pelo fluido (Lua), e o mundo da ordem e da perfeição, onde o princípio fluido é fixado e dominado pelo Sol.
    • O primeiro caso, a “dissolução” hermética, corresponde à lei do mundo sublunar, do devir incessante e da mudança, onde o princípio da forma e da individuação é subjugado pela força caótica e úmida do desejo.
    • Este é o segredo dos mitos onde seres primordiais, como Osíris, são devorados por dragões ou por naturezas que personificam o princípio úmido do caos (Tifão-Seth).
    • O segundo caso reflete a existência de tudo o que possui caráter de coisa acabada, perfeita e organizada, onde predomina uma lei de ordem e equilíbrio sobre a mera mudança.
  • Esta dinâmica se expressa nas imagens das águas geladas e das águas fluentes, que representam, respectivamente, as forças individualizadas e fixadas pelo princípio solar e as forças em seu estado elementar, livre e indiferenciado.
    • As águas fluentes simbolizam a vitalidade indiferenciada, o espírito cósmico ou éter-luz, a energia sutil das transformações que é volátil e inapreensível.
    • As águas heladas representam a cristalização dessa força universal em formas estáveis, individuadas e concretas, graças à ação coagulante do princípio solar.
    • O poder do limite e da individuação, exercido pelo Sol, é descrito como uma “aspereza aguda e terrible”, uma força adstringente que atrai e fixa, comparável ao inverno que congela a água.
  • O “fuego frío” ou “frigidez ígnea” são expressões que designam a ação do princípio solar, que anima mas ao mesmo tempo domina e subjuga, projetando uma fixidez sobre o fluxo vital e dando origem às formas individuais e à consciência do “Eu”.
    • Ao contrário do fogo vulgar, que é calor e consumo, o fogo solar é uma potência que fixa e dá forma, congelando o movimento caótico das águas em estruturas estáveis.
    • Este poder de individuação é o que permite a passagem do espírito cósmico impessoal para a consciência de si, para o milagre do “Eu” que se afirma como centro.
    • O princípio “Oro” ou “Sol”, portanto, expressa o “Eu”, seja em sua forma vulgar e terrestre (mero reflexo do verdadeiro Sol), seja em sua forma pura e viva (o “Eu” regenerado e tornado centro absoluto).
  • O símbolo da Pedra, aplicado ao corpo humano, adquire um sentido complementar: o corpo, como natureza organizada e estável, é um “fixo” que se opõe à “volatilidade” dos princípios psíquicos, relacionando-se com o princípio solar.
    • A relação entre o princípio solar e a corporeidade é frequente nos textos, que associam o Ouro e o Sol ao corpo, tanto em seu estado vulgar quanto em seu estado transfigurado.
    • Quando o princípio espiritual adquire a estabilidade sobrenatural dos regenerados, elevando os princípios da corporeidade a um plano superior, a união resultante é também chamada de Pedra: a Pedra Filosofal.
    • O “céu”, como símbolo dos estados invisíveis e espirituais, desempenha o papel de elemento feminino (Lua) em relação ao elemento masculino da corporeidade (Sol), que carrega a semente do Ouro, ou seja, da personalidade em seu sentido superior e real.
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