evola:eros-prazer
EROS E TENDÊNCIA AO PRAZER
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É necessário reconhecer a prioridade do impulso elementar que atrai os sexos, sem que esse reconhecimento permita conclusões unilaterais equivocas sobre a natureza do instinto.
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A prioridade do impulso entre os sexos deve ser admitida diante da biologia.
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Esse reconhecimento não pode gerar mal-entendidos que distorçam a compreensão do fenômeno em sentido oposto.
A teoria que fundamenta o instinto sexual na busca do prazer é questionada, pois a antecipação consciente do prazer como objetivo separado afasta-se da normalidade do Eros e caracteriza a luxúria, erro no qual incorreu o freudismo ao erigir o princípio do prazer como base da vida psíquica, posição que a própria obra freudiana posterior tratou de superar.-
Na atração sexual, o homem comum avalia o prazer antecipado da parceira, não suas qualidades procriativas.
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A busca do prazer como objetivo consciente e isolado constitui uma dissociação do amor físico, denominada luxúria ou libertinagem.
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O impulso erótico normal, despertado pela polaridade sexual, conduz naturalmente a um estado de embriaguez que culmina no prazer, sem que este seja a meta pré-ordenada.
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O freudismo, ao instituir o princípio do prazer como fundamento do eros e de toda a psique, revelou-se um produto de sua época decadente, na qual a sexualidade funciona como um estupefaciente.
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A obra posterior de Freud, “Além do princípio do prazer”, representa um abandono forçado dessa posição inicial.
A existência histórica de uma ars amandi, ou arte do amor, atesta que o cultivo da experiência erótica não se reduz necessariamente à depravação, tendo sido praticada e respeitada em certas culturas, nas quais suas detentoras eram equiparadas a outros artistas e por vezes associadas a cultos religiosos.-
A ars amandi antiga e oriental não consistia em meras técnicas para a luxúria, mas sim numa arte respeitada.
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Na Antiguidade Clássica, heteras eram estimadas por figuras ilustres e homenageadas com templos e estátuas, ao lado de heróis e políticos.
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No Japão, algumas mulheres peritas nessa arte foram celebradas em monumentos.
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A arte amorosa tradicional, como outras artes, provavelmente envolvia uma ciência secreta, frequentemente ligada a cultos específicos.
O desenvolvimento das potencialidades superiores da experiência erótica não ocorre espontaneamente em suas formas grosseiras, sendo crucial distinguir entre uma ars amandi que aprofunda a dimensão do eros e outra que degenera na busca exterior do prazer, lembrando que a técnica, por si só, é ineficaz sem as premissas internas adequadas.-
A experiência erótica entregue à sua espontaneidade bruta não desenvolve suas formas mais elevadas.
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A questão central é saber se a experiência erótica mantém sua dimensão profunda ou se degenera na procura libertina do prazer.
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Técnicas amorosas voltadas apenas para o prazer são inócuas sem a base psíquica e interna adequada.
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Com as premissas internas corretas, um simples contato pode ser mais intenso do que a manipulação técnica de zonas erógenas.
A análise dos pontos de vista sexológicos materialistas sobre o prazer mostra-se útil para libertar a compreensão do eros dessas explicações redutoras, confirmando a necessidade de colocar o termo “prazer” entre aspas ao designar o ápice do amor físico.-
A discussão sobre o “prazer” no clímax do amor físico justifica o uso de aspas para o termo.
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A análise da sexologia materialista serve para demarcar o domínio do eros dessas explicações.
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