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MISTÉRIO GIBELINO

MISTÉRIO DO GRAAL

  • A passagem ao plano do invisível dos elementos que conservam a memória do centro e da Tradição primordial simboliza a passagem do manifesto ao oculto de um poder não menos real, sendo o reino do Graal um centro imóvel e polar que reúne numa cadeia inquebrável homens dispersos pelo mundo, aos quais se pertence por um nascimento diferente do físico, permanecendo sempre existente e inacessível, enquanto os homens e os reinos é que se aproximam ou afastam dele.
    • A passagem do manifesto ao oculto simboliza um poder que permanece real, embora não visível.
    • O reino do Graal é um centro polar, imóvel, que reúne eleitos de todas as terras por um nascimento espiritual.
    • Este reino, como o de Artur ou Preste João, existe sempre, e são os homens que se aproximam ou afastam dele.
  • Durante a Idade Média gibelina, o reino do Graal pareceu aproximar-se do manifesto, oferecendo condições para que se afirmasse como uma realidade que reuniria autoridade espiritual e poder temporal, constituindo o coroamento do mito imperial medieval e a suprema profissão de fé do gibelinismo, expressando-se mais através da saga e da representação fantástica do que da consciência refletida da época.
    • A Idade Média gibelina apresentou condições para que o reino do Graal se tornasse manifesto.
    • A realeza do Graal constituiu o coroamento do mito imperial medieval e a profissão de fé do gibelinismo.
    • Essa realidade expressou-se mais por meio de sagas e representações fantásticas do que pela consciência política clara da época.
  • Para aprofundar a compreensão da Idade Média segundo este ponto de vista, seria necessário expor a metafísica geral da História ocidental, recordando apenas alguns pontos axiomáticos: a derrocada da romanidade como síncope da tentativa imperial, a penetração do Cristianismo com seu dualismo, e o ressurgimento do símbolo do Império após a invasão das raças nórdicas.
    • A derrocada da antiga romanidade foi a síncope da tentativa de formar o Ocidente sob o símbolo imperial.
    • A penetração do Cristianismo, com seu dualismo, ocorreu até à formação da civilização medieval.
    • Com a invasão das raças nórdicas, ressurgiu o símbolo do Império como restauratio e continuatio.
  • O Sacro Império Romano, como restauração do movimento romano em direção a uma síntese solar ecumênica, implicava a superação do Cristianismo e entrou em conflito com a pretensão hegemônica da Igreja de Roma, que não podia admitir um princípio superior ao seu e tentou usurpar o direito imperial, dando origem à tentativa teocrática guelfa.
    • O Sacro Império visava uma síntese solar ecumênica, que logicamente superaria o Cristianismo.
    • A Igreja de Roma não podia admitir um princípio superior ao seu e tentou usurpar o direito imperial.
    • Desse conflito nasceu a tentativa teocrática guelfa.
  • A civilização medieval resultou de três elementos: o nórdico-pagão, o cristão e o romano, tendo o elemento nórdico um papel decisivo na ética, no modo de vida e na constituição social, mas apresentando uma involução no que respeita às suas tradições espirituais, que se encontravam em estado de latência, com ecos fragmentários da Tradição nórdico-hiperbórea primordial.
    • O elemento nórdico-pagão foi decisivo para a ética cavaleiresca e a constituição social feudal.
    • Embora portador de valores superiores, o elemento nórdico apresentava uma involução espiritual.
    • As tradições nórdicas da época eram apenas ecos fragmentários da Tradição primordial, em estado de latência.
  • O contacto com o Cristianismo e com o símbolo de Roma atuou de forma galvanizante sobre a substância nórdica, reavivando o sentimento de transcendência e oferecendo a ideia de um regnum universal, o que integrou o ethos guerreiro e promoveu um avanço para um ciclo de restauração heroica, transformando o simples guerreiro em cavaleiro e o príncipe de uma raça em imperador sacral e ecumênico.
    • O Cristianismo reavivou o sentimento de transcendência, e o símbolo romano ofereceu a ideia de um poder imperial universal.
    • Esse contacto integrou a substância nórdica e deu pontos de referência superiores ao seu ethos guerreiro.
    • Resultou numa evolução que transformou o guerreiro em cavaleiro e o príncipe em imperador sacral.
  • Este renascimento e transformação de forças requeriam um centro supremo de cristalização, mais alto que a ideia cristã romanizada e que a ideologia política do Império, centro que se apresentou no mito da realeza do Graal, cujo tema fundamental expressa o problema mudo da Idade Média gibelina: a necessidade de que um herói com “duas espadas” ponha a questão que vinga, cura e restaura a potência da realeza.
    • O mito da realeza do Graal ofereceu o centro supremo de integração necessário.
    • O tema fundamental desse ciclo é a necessidade de que a questão seja posta por um herói.
    • A questão a ser posta é aquela que vinga, cura e restaura a realeza.
  • A Idade Média esperava o herói do Graal para que o chefe do Sacro Império se tornasse uma imagem do “Rei do Mundo”, dando novo impulso às forças, fazendo a Árvore Seca florescer e instaurando uma ordem solar, onde o imperador invisível fosse também o manifesto, dando à Idade Média o sentido de uma Idade do Centro.
    • O herói do Graal tornaria o chefe do Império uma imagem do “Rei do Mundo”.
    • Isso faria triunfar uma ação absoluta sobre todas as usurpações e antagonismos.
    • A Idade Média teria, assim, o sentido de uma Idade do Centro.
  • A sensação de que algo impede o autor de falar nas aventuras dos heróis do Graal, onde uma resposta banal cala a verdadeira, aponta para o verdadeiro sentido da questão: não se trata de saber o que são os objetos, mas de sentir a tragédia do rei ferido e, após a realização interior simbolizada pela visão do Graal, tomar a iniciativa da ação absoluta que restaura, sendo a indiferença por esse problema a falta do herói.
    • A verdadeira resposta sobre o Graal é calada por respostas banais nas narrativas.
    • A questão fundamental é sentir a tragédia do rei ferido e tomar a iniciativa da ação restauradora.
    • A indiferença do herói por este problema, após ter conhecido o Graal, é a sua falta.
  • Historicamente, o reino do Graal que alcançaria novo esplendor é o próprio Império, e o herói do Graal que se transformaria no “Senhor de todas as criaturas” é o Imperador histórico que realizasse o mistério do Graal, transformando-se ele próprio no Graal, como em textos onde o cavaleiro pergunta diretamente ao rei “Onde está o Graal?”, questionando o poder que este deveria representar.
    • O reino do Graal que seria restaurado é o próprio Império.
    • O herói do Graal que realizasse o mistério seria o Imperador, transformando-se no Graal.
    • A pergunta “Onde está o Graal?” questiona o poder que o rei deveria representar, resultando no milagre.
  • Nesse contexto, fragmentos de remotas tradições atlânticas, célticas, nórdicas e hebraico-cristãs formam um conjunto cujos elementos, como se mostrou, revelam uma unidade lógica para quem penetrar na sua essência.
    • Elementos de diversas tradições, como Avalon, Seth, Lúcifer e José de Arimateia, misturam-se.
    • Apesar da mistura, esses elementos revelam uma unidade lógica em sua essência.
  • Durante cerca de um século e meio, o Ocidente cavaleiresco viveu intensamente o mito da corte de Artur e da busca do Graal, num clima histórico que saturava e que, ao despertar uma tradição heróica ligada a uma ideia imperial universal, suscitou forças inimigas e provocou um choque com o Catolicismo.
    • O mito arturiano e a busca do Graal saturaram o clima histórico do Ocidente cavaleiresco.
    • Esse despertar de uma tradição heróico-imperial suscitou forças inimigas.
    • O choque resultante deu-se com o Catolicismo.
  • A verdadeira razão da oposição da Igreja ao Império foi a sensação instintiva da natureza da força que ganhava terreno por detrás do espírito cavaleiresco e da ideia gibelina, enquanto os defensores do Império tinham apenas consciência parcial do verdadeiro fim, o que gerou o drama do gibelinismo medieval, da grande cavalaria e, em particular, da Ordem dos Templários.
    • A Igreja sentiu instintivamente a verdadeira natureza da força por trás do movimento gibelino.
    • Os defensores do Império tinham apenas consciência parcial do objetivo a alcançar.
    • Desse descompasso resultou o drama do gibelinismo, da cavalaria e dos Templários.
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