User Tools

Site Tools


evola:ject-15

SER-PARA-MORTE

Cavalgar o Tigre

  • A obscuridade do existencialismo de Heidegger advém da concepção do ser como algo externo e anterior ao ente, uma totalidade de possibilidades a ser perseguida, o que reflete a vivência da transcendência como uma força coercitiva sofrida por um sujeito destituído de liberdade real.
    • Interpretação da finitude como negação e dívida (Schuld)
    • O ser como um “estar-adiante-de-si” (Sich-vorweg-sein) em um processo de busca incessante
    • Caracterização da temporalidade autêntica como uma sucessão extática horizontal
    • Projeção das possibilidades excluídas do ente em metas temporais inalcançáveis
  • A perspectiva de Heidegger reduz o Dasein a uma busca sequencial e sedenta pelo ser que nunca se possui, configurando uma fuga para frente em que a existência é marcada pela carência e pela tensão inquietante, em oposição à decisividade do homem integrado que age a partir de um princípio livre.
    • Analogia entre o Dasein heideggeriano e o homem sedento que jamais alcança a água
    • Crítica à impossibilidade ontológica de atingir o ser quando este não é raiz prévia
    • Destruição da tensão e da necessidade no homem vinculado à dimensão transcendente
    • Transferência do acento do Eu para o Ser como fundamento da ação
  • O existencialismo sem abertura religiosa manifesta o ritmo da morte sob a forma de um desejo frenético de viver a qualquer preço, revelando-se como uma filosofia da crise que admite a insignificância da vida socializada e anódina.
    • Identificação do conteúdo existencial profundo como um ritmo de morte
    • O niilismo como subsolo das construções filosóficas acadêmicas
    • Limite extremo do pensamento moderno diante da vacuidade existencial
  • Heidegger localiza a única possibilidade de capturar a totalidade do ser na morte, definindo a existência como um ser-para-a-morte, o que demonstra a persistência de uma condição passiva mesmo diante do fim que deveria representar o cumprimento (telos).
    • A morte como interrupção da privação irremediável e da não-totalidade
    • Angústia diante da morte interpretada como a “possibilidade mais própria”
    • Crítica à coragem da angústia frente ao ideal tradicional de morte triunfal (mors triumphalis)
    • Rejeição da impassibilidade em favor de uma preocupação tida como autêntica
  • O processo existencial que gravita em torno da morte é descrito como um destino sombrio em que o indivíduo é lançado em sua possibilidade derradeira, deixando na obscuridade qualquer consideração sobre estados pós-morte ou a tipologia tradicional do falecimento.
    • O morrer como um “ser-lançado” (Geworfenheit) na própria finitude
    • Ausência de reflexão sobre a sobrevivência ou hierarquia de estados post-mortem
    • Negligência quanto ao impacto da atitude diante da morte no destino da alma
  • Os motivos positivos tocados por Heidegger, como a liberdade como fundamento e abismo, são neutralizados por sua visão do ser como algo excêntrico ao Dasein, restando ao homem apenas a escolha entre a inautenticidade social ou a perseguição vã de uma miragem de totalidade.
    • A liberdade reduzida a uma conformidade com a exigência do ser-para-a-morte
    • Transcendência experimentada apenas como uma força que impele por trás (vis a tergo)
    • Alternativa entre a fuga de si mesmo ou a obediência a um destino fatalista
  • O colapso final do existencialismo manifesta-se em Jaspers através da doutrina do fracasso (Scheitern), na qual o impulso humano de abraçar o ser total é destinado à derrota diante das situações-limite de culpa, acaso e morte.
    • Impossibilidade de atingir o ser puro, que se manifesta apenas como linguagem cifrada
    • Powerlessness do indivíduo perante a ambiguidade do mundo e o imprevisto
    • Reação autêntica descrita como desespero e angústia frente à realidade
  • A solução de Jaspers para o fracasso consiste em um salto na fé após o reconhecimento da própria derrota, identificando o colapso trágico do eu com uma abertura extática à transcendência, o que revela uma base teológica protestante subjacente.
    • Desejo do próprio naufrágio como via de acesso ao ser
    • Paralelismo com o princípio evangélico de perder a vida para encontrá-la
    • A epifania da transcendência no momento da fuga do Ser
    • Paz existencial fundamentada na aceitação da impotência da criatura
  • O conceito de abrangente (das Umgreifende) em Jaspers resulta em uma experiência mística de dissolução do sujeito no todo, assemelhando-se ao mergulho passivo de Heidegger no ser através da morte, o que é antitético à conquista soberana da transcendência.
    • Incapacidade de superar a dualidade sujeito-objeto sem aniquilar o Eu
    • O “mergulho no abrangente” como regressão mística e passiva
    • Ausência de uma realização afirmativa e criativa da unidade primordial
  • O existencialismo incorpora demandas nietzschianas, mas recai em complexos emocionais subintelectuais — angústia, náusea, solidão —, falhando em prover uma relação central e positiva com a transcendência que fundamente o domínio do Dasein.
    • Transcendência concebida como o “outro” e não como o Si-mesmo verdadeiro
    • Fracasso das soluções baseadas em sentimentos de culpa e desraizamento
    • Regressão ao mundo religioso em crise sob uma terminologia abstruza (Jaspers, Marcel)
  • A diferença fundamental entre o existencialismo e o homem de tradição reside no fato de que o primeiro é uma projeção do homem na crise, enquanto o segundo preserva uma dignidade natural e desapegada, restabelecido no Ser de modo inabalável.
    • Alienação da filosofia existencialista para quem redescobriu o Si-mesmo
    • Soberania interior versus o caminhar trêmulo sobre o abismo
    • Contraste entre a existência conformista dos filósofos acadêmicos e a realidade dos homens em revolta ou combatentes
  • A ideia existencialista de uma escolha original atemporal pode ser integrada à doutrina tradicional da pré-existência, reativando a consciência das origens e de uma liberdade superior que gera força e distância no coração do mundo.
    • Distinção entre pré-existência e a doutrina popular da reencarnação
    • Crítica à teologia criacionista por suprimir a dimensão não humana da pessoa
    • A pré-existência como abertura para a dimensão do Ser além do Eu físico
    • Fortalecimento da capacidade de entrega total sem ferimento essencial, reunindo as “duas partes da espada”
evola/ject-15.txt · Last modified: by 127.0.0.1

Except where otherwise noted, content on this wiki is licensed under the following license: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki