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MULHER – ÁGUA
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Simbologia hermética que se concentra no princípio do caos, denominado “Materia Prima”, e suas múltiplas representações, que incluem a figura da Mulher, a substância da Água e o elemento Mercúrio, todos intrinsecamente ligados à noção de um poder que é ao mesmo tempo criador e dissolvente, ou veneno.
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A “Materia Prima” ou caos é identificada com a possibilidade indiferenciada e o princípio de toda a geração, sendo figurada por símbolos universais como a Noite, o Abismo e a Matriz.
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A tradição hermética recupera a conexão ancestral entre o princípio feminino, a Terra Madre e as Águas, designando a “Materia Prima” como a “Senhora dos Filósofos” e uma “deusa de beleza sublime”.
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Zósimo afirma a centralidade deste princípio ao declarar que sem a Água divina nada existe, pois é ela quem realiza cada operação no composto.
O simbolismo da Água e do Mercúrio se sobrepõe, designando a mesma substância primordial que é a matéria, o princípio e o fim de toda a Obra hermética.-
O Mercurio é descrito como a base de todos os três reinos da natureza e é frequentemente associado a uma “umidade viscosa” que representa o estado espiritual sobre o qual a força do desejo atua.
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A Água divina, também chamada de Água de Vida, é o solvente universal que, paradoxalmente, tem o poder de matar os vivos e ressuscitar os mortos, ou seja, de dissolver os estados superficiais da consciência para liberar os mais profundos.
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O princípio do caos é igualmente representado pela Serpente ou Dragão universal, que “move-se no interior de todas as coisas” e encarna uma força dissolvente, um poder de morte e de atração para baixo.
O Dragão e a Serpente simbolizam o aspecto perigoso e devorador do princípio primordial, personificando o desejo cego, a sede ardente e a natureza que se fascina e se consome a si mesma.-
O dragão que se devora a si mesmo representa a natureza do desejo que, sem um objeto externo, se volta para si próprio em um ciclo de autofagia e insatisfação eterna.
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Este poder é descrito como uma “natureza viscosa” que aprisiona e amalgama os elementos, dificultando a separação necessária para a Obra.
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No mito, os dragões são os adversários que os heróis solares, como Hércules e Jasão, devem vencer para acessar o poder e a imortalidade representados pelo Árbol ou pelo Vellocino de Ouro.
O conceito de veneno (íos) está intimamente ligado a este poder dissolvente e transformador, sendo a própria capacidade do princípio único de se alterar e se dissolver para gerar uma nova vida.-
A palavra grega “íos” significa simultaneamente veneno e a ferrugem que confere aos metais uma propriedade ativa e viril, apontando para a dualidade do princípio como agente de morte e de transformação.
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A iosis, ou estado de virulência, é o processo pelo qual a energia espiritual se manifesta com violência ao se separar das amálgamas corporais, atuando como um “ácido dissolvente” que corrói as impurezas.
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O veneno, portanto, não é apenas um elemento negativo, mas a força corrosiva e necessária que, ao dissolver o velho, prepara o terreno para o surgimento do novo ser, sendo essencial para a “purificação pela separação”.
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