TRABALHO COMO CONDIÇÃO DA VIDA DO CORPO
Pelo que se pode julgar a partir de alguns textos antigos, parece que o primeiro homem, na facilidade de conhecimento e ação que lhe era proporcionada por sua união com o ser, esqueceu que seu pensamento tinha, como reverso, a matéria terrestre 1).
Com a privação da árvore da vida, ou seja, a impossibilidade de captar diretamente a matéria em sua forma radiante, a ideia que mais se destaca no Gênesis é que o homem foi formado do “pó” do nosso globo. Uma vez reduzido a esse pó pela ocultação, o super-homem foi obrigado a trabalhar essa terra, da qual antes extraía sem esforço o que precisava. Isso visa não apenas a substituição da vida contemplativa inicial pelo trabalho físico, mas, de maneira indireta, o aprofundamento no conhecimento sensível, condição para a exploração da terra. O pensamento, ao mudar de nível e privar-se dessa ciência elevada que, integrando-o ao ser, lhe permitia alimentar seu corpo sem esforço pelo fato de se alimentar de Deus, foi obrigado a passar pela terra tanto para se alimentar de ideias quanto para alimentar seu corpo, — as duas coisas, que antes eram uma só, de certa forma, agora estavam separadas.
