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CAIM E ABEL

REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS

  • A solidificação do mundo gera, na ordem humana e social, um estado de mecanização em que tudo é contado, registrado e regulamentado, promovendo uniformização administrativa e tratamento dos indivíduos como unidades numéricas.
    • Multiplicação de recenseamentos ligados à primazia das estatísticas.
    • Intervenções administrativas crescentes em todas as circunstâncias da vida.
    • Administração moderna trata indivíduos como unidades numéricas equivalentes.
    • Imposição de medida média uniforme como princípio organizador.
    • Rapidez técnica das comunicações contrasta com obstáculos crescentes à livre circulação entre países.
    • Vida nômade torna-se inviável pela redução de espaços livres.
    • Pressão sistemática para sedentarização dos povos nômades.
    • Predominância das cidades como grau máximo de fixação espacial.
    • Vitória final de Caim sobre Abel simboliza triunfo da fixidez urbana.
  • O simbolismo bíblico de Caim e Abel representa a oposição primordial entre povos sedentários agricultores e povos nômades pastores, cada qual com lei tradicional própria e ritos sacrificiais distintos.
    • Caim é agricultor e tipo do povo sedentário.
    • Abel é pastor e tipo do povo nômade.
    • Caçadores ou pescadores são casos acidentais ou degenerados.
    • Povos comerciais ou industriais modernos são igualmente anômalos.
    • Ofertas vegetais de Caim e ofertas animais de Abel indicam diferença ritual.
    • A Torá hebraica vincula-se ao tipo nômade.
    • Narrativa bíblica privilegia perspectiva dos pastores.
    • Reprovação de certos ofícios ligados à construção fixa.
    • Construção do Templo exigiu artesãos estrangeiros na época de Davi e Salomão.
  • A fundação da cidade por Caim marca segunda fase do sedentarismo, intensificando fixidez espacial e expressando relação entre tempo e espaço como princípios compressivo e expansivo.
    • Primeira fase é agricultura; segunda é urbanização.
    • Povos sedentários produzem obras do tempo e continuidade histórica.
    • Povos nômades dispõem de espaço aberto e possibilidades indefinidas.
    • Tempo atua como princípio de compressão.
    • Espaço atua como princípio de expansão.
    • Tempo consome o espaço como força devoradora.
    • Absorção progressiva dos nômades pelos sedentários simboliza morte de Abel.
  • Atividades e simbolismos diferem conforme condição nômade ou sedentária, refletindo correspondências entre sentidos, espaço e tempo.
    • Nômades atuam principalmente sobre o reino animal móvel.
    • Sedentários atuam sobre reinos vegetal e mineral fixos.
    • Sedentários criam símbolos visuais e esquemas geométricos.
    • Nômades utilizam símbolos sonoros compatíveis com migração.
    • Visão relaciona-se diretamente com espaço.
    • Audição relaciona-se diretamente com tempo.
    • Artes plásticas desenvolvem-se entre sedentários.
    • Artes fonéticas desenvolvem-se entre nômades.
    • Toda arte originária é simbólica e ritual.
    • Degeneração moderna transforma arte em jogo profano.
  • Complementaridade e antinomia entre tendências compressiva e expansiva asseguram equilíbrio relativo da existência, evocando imagens alquímicas de coagulação e dissolução.
    • Trabalhadores do tempo fixam-se no espaço.
    • Errantes do espaço modificam-se no tempo.
    • Vida segundo tempo fixa e conserva.
    • Vida segundo espaço dispersa e transforma.
    • Predomínio exclusivo de uma tendência levaria à cristalização ou volatilização.
    • Coagulação e solução alquímicas simbolizam essas fases.
    • Dualidade remete à oposição essência e substância.
    • Céu e Terra correspondem a Purusha e Prakriti.
  • O desequilíbrio inicial entre Caim e Abel exige restabelecimento por trocas recíprocas que associem tempo e espaço, fundamento tradicional dos pactos e da distribuição das influências espirituais.
    • Sacrifício animal conduz à morte de Abel.
    • Oferta vegetal de Caim não é aceita.
    • Um é abençoado e morre; outro vive e é amaldiçoado.
    • Equilíbrio só se restaura por intercâmbio das produções de ambos.
    • Movimento associa tempo e espaço como resultante combinada.
    • Movimento é série de desequilíbrios compensados.
    • Troca é conjunto de movimentos inversos e compensatórios.
    • Intercâmbios podem ocorrer nos domínios espiritual, psíquico e corporal.
    • Princípios, símbolos e oferendas formam base dos pactos e alianças.
    • Mundo moderno nega esse estado normal tradicional.
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