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PERDIÇÃO E SUBVERSÃO

REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS

  • A ação antitradicional constitui uma obra de desvio em relação ao estado normal das civilizações tradicionais.
    • O estado normal é comum a todas as formas tradicionais, apesar de suas diferenças particulares.
    • O mundo moderno foi “fabricado” por esse processo de desvio.
    • O desvio pode operar-se de modo gradual e quase imperceptível.
  • É necessário distinguir entre desvio e subversão.
    • O desvio comporta graus indefinidos e pode desenvolver-se progressivamente.
    • Exemplos desse processo são a passagem do humanismo ao racionalismo, depois ao mecanicismo e ao materialismo.
    • A ciência profana tornou-se progressivamente mais quantitativa.
    • Todo o desvio moderno tende ao estabelecimento do “reino da quantidade”.
  • A subversão é o termo extremo do desvio, implicando verdadeiro “reversar”.
    • Trata-se de um estado diametralmente oposto à ordem normal.
    • Subversão não deve ser confundida com o “retorno” final do ciclo.
    • O “retorno” final é um redirecionamento restaurador do estado primordial.
    • A subversão é o oposto desse restabelecimento.
  • A subversão é o último grau do desvio e seu objetivo final.
    • O mundo atual apresenta sinais visíveis de subversão.
    • Tais sinais aparecem nas múltiplas formas de “contrafação” e “paródia”.
    • A contrafação revela a origem “satânica” do desvio.
    • “Satânico” designa tudo o que nega e inverte a ordem.
  • O espírito de negação manifesta-se como espírito de mentira e disfarce.
    • Ele imita o que pretende negar.
    • “Satanás é o macaco de Deus” e “se transfigura em anjo de luz”.
    • O desordem assume aparência de falsa ordem.
    • A negação dos princípios é mascarada como afirmação de falsos princípios.
    • O simulacro é apresentado com habilidade suficiente para enganar a maioria.
    • O gosto popular pelo engano facilita a eficácia da paródia.
  • Toda contrafação contém elemento grotesco que a denuncia.
    • O grotesco pode ser mais ou menos evidente.
    • A perspicácia natural é anulada por “sugestões” inconscientes.
    • O caráter paródico constitui marca de origem da falsificação.
  • Exemplos públicos de paródia no mundo moderno ilustram essa contrafação.
    • Pseudo-ritos cívicos e laicos substituem ritos religiosos.
    • O “naturismo” moderno confunde estado de natureza com animalidade.
    • A “organização dos lazeres” ameaça desnaturar até o repouso humano.
    • Todos esses fenômenos pertencem ao domínio público.
    • O senso do ridículo diante deles é raro.
    • A maioria dos produtos modernos exige o prefixo “pseudo”.
    • A ciência profana é uma “pseudo-ciência”.
    • Trata-se de falsificações com finalidade deliberada.
  • A possibilidade da contrafação funda-se na analogia inversa entre o mais alto e o mais baixo.
    • O ponto inferior pode imitar o superior por analogia invertida.
    • A aproximação da quantidade pura permite simular a unidade principial.
    • A uniformidade e a simplicidade modernas são caricaturas da unidade transcendente.
    • Quando o inferior imita o superior, chega-se propriamente à subversão.
  • A tendência à quantidade pura não pode realizar-se plenamente.
    • A redução total à quantidade é impossível na manifestação.
    • Para que a subversão seja completa, é necessária intervenção suplementar.
    • Tal intervenção liga-se ao termo final da manifestação cíclica.
    • O “redirecionamento” final aparece como inversão total da subversão precedente.
  • As duas fases da ação antitradicional podem ser caracterizadas distintamente.
    • A primeira fase é obra de desvio, culminando no materialismo.
    • A segunda fase é obra de subversão, visando a uma “espiritualidade às avessas”.
    • As forças sutis inferiores convocadas são forças subversivas.
    • A utilização invertida de vestígios tradicionais também constitui subversão.
    • Tais vestígios, abandonados pelo “espírito”, caem nas regiões inferiores do domínio sutil.
  • Um exemplo notável de subversão é a inversão intencional do sentido legítimo dos símbolos tradicionais.
    • Essa inversão constitui caso típico de uso “às avessas”.
    • A questão remete ao duplo sentido inerente aos símbolos.
    • O duplo sentido simbólico requer explicitação para compreensão adequada.
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