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A INVERSÃO DOS SÍMBOLOS

REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS

  • Um mesmo símbolo pode apresentar dois sentidos aparentemente opostos, ligados por correlação.
    • Não se trata apenas da multiplicidade de sentidos conforme níveis ou pontos de vista.
    • Trata-se de dois aspectos correlatos, um sendo como o inverso ou “negativo” do outro.
    • Essa duplicidade radica na dualidade pressuposta por toda manifestação.
    • A dualidade é complementaridade em princípio, não oposição absoluta.
    • A oposição só existe num nível contingente e se resolve em complementaridade num nível superior.
    • Num nível ainda mais alto, ambos retornam à unidade do princípio comum.
    • O ponto de vista do complementarismo é intermediário entre oposição e unificação.
    • Cada ponto de vista tem validade própria no grau que lhe corresponde.
  • A consideração simultânea dos dois aspectos contrários de um símbolo é legítima.
    • Um aspecto não exclui o outro.
    • Ambos são verdadeiros sob certo ângulo.
    • A correlação torna sua existência solidária.
    • É erro atribuir cada aspecto a doutrinas necessariamente opostas.
    • A diferença pode depender da predominância dada a um aspecto.
    • Pode depender também da intenção ritual ou iniciática do uso do símbolo.
  • Os dois aspectos podem coexistir numa mesma figura simbólica complexa.
    • A dualidade pode dispor-se vertical ou horizontalmente.
    • O quaternário cruciforme decompõe-se em duas dualidades: vertical e horizontal.
    • A dualidade vertical refere-se aos extremos de um eixo (alto/baixo).
    • A dualidade horizontal refere-se a elementos simétricos (direita/esquerda).
    • Exemplos verticais: os dois triângulos do Selo de Salomão.
    • Exemplos horizontais: os dois serpentes do caduceu.
    • Na dualidade vertical, a inversão é claramente marcada.
    • Na horizontal, os termos podem parecer idênticos, embora sejam contrários em sentido.
    • As direções espaciais possuem valor qualitativo simbólico.
  • A distinção técnica entre aspectos “benéfico” e “maléfico” não é moral.
    • Os termos são empregados em sentido técnico.
    • A qualidade benéfica ou maléfica não é absoluta.
    • Ela depende de aplicação específica.
    • Desaparece no nível do complementarismo.
    • Abusos desse ponto de vista podem gerar subversão simbólica.
  • A subversão simbólica pode assumir duas formas principais.
    • Atribuir supremacia ao aspecto maléfico.
    • Inverter os valores, tomando o maléfico por benéfico e vice-versa.
    • Nem sempre a inversão é visível na figura externa.
    • Alguns símbolos não diferenciam exteriormente os dois aspectos.
  • O exemplo do simbolismo da serpente ilustra essa ambiguidade.
    • Pode representar Agathodaimôn ou Kakodaimôn.
    • A ignorância da dupla significação gera equívocos.
    • O Ocidente moderno tende a ver apenas o aspecto maléfico.
    • O mesmo ocorre com outros animais simbólicos.
  • Símbolos geométricos invertidos nem sempre indicam intenção subversiva.
    • O triângulo invertido pode ter significado legítimo.
    • Torna-se sinal de inversão apenas quando há intenção deliberada de contrariar o sentido normal.
    • A inversão pode ocorrer também em palavras e fórmulas.
    • Certas práticas de feitiçaria utilizam fórmulas “ao contrário”.
  • A análise da subversão deve considerar a intenção interpretativa mais que a forma externa.
    • A subversão mais perigosa é a que mantém a forma e altera o sentido.
    • A deformação pode ocorrer sem alteração visível.
    • A contra-iniciação pode atribuir às organizações tradicionais interpretações invertidas.
    • Essa estratégia provoca confusões e equívocos deliberados.
  • Certas campanhas modernas contra o esoterismo ilustram essa inversão.
    • São conduzidas com auxílio inconsciente de colaboradores.
    • Muitos participantes ignoram o verdadeiro papel que desempenham.
    • O combate mal orientado pode servir involuntariamente àquilo que pretende combater.
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