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A INVERSÃO DOS SÍMBOLOS
REINO DA QUANTIDADE E SINAL DOS TEMPOS
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Um mesmo símbolo pode apresentar dois sentidos aparentemente opostos, ligados por correlação.
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Não se trata apenas da multiplicidade de sentidos conforme níveis ou pontos de vista.
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Trata-se de dois aspectos correlatos, um sendo como o inverso ou “negativo” do outro.
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Essa duplicidade radica na dualidade pressuposta por toda manifestação.
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A dualidade é complementaridade em princípio, não oposição absoluta.
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A oposição só existe num nível contingente e se resolve em complementaridade num nível superior.
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Num nível ainda mais alto, ambos retornam à unidade do princípio comum.
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O ponto de vista do complementarismo é intermediário entre oposição e unificação.
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Cada ponto de vista tem validade própria no grau que lhe corresponde.
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A consideração simultânea dos dois aspectos contrários de um símbolo é legítima.
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Um aspecto não exclui o outro.
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Ambos são verdadeiros sob certo ângulo.
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A correlação torna sua existência solidária.
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É erro atribuir cada aspecto a doutrinas necessariamente opostas.
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A diferença pode depender da predominância dada a um aspecto.
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Pode depender também da intenção ritual ou iniciática do uso do símbolo.
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Os dois aspectos podem coexistir numa mesma figura simbólica complexa.
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A dualidade pode dispor-se vertical ou horizontalmente.
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O quaternário cruciforme decompõe-se em duas dualidades: vertical e horizontal.
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A dualidade vertical refere-se aos extremos de um eixo (alto/baixo).
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A dualidade horizontal refere-se a elementos simétricos (direita/esquerda).
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Exemplos verticais: os dois triângulos do Selo de Salomão.
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Exemplos horizontais: os dois serpentes do caduceu.
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Na dualidade vertical, a inversão é claramente marcada.
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Na horizontal, os termos podem parecer idênticos, embora sejam contrários em sentido.
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As direções espaciais possuem valor qualitativo simbólico.
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A distinção técnica entre aspectos “benéfico” e “maléfico” não é moral.
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Os termos são empregados em sentido técnico.
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A qualidade benéfica ou maléfica não é absoluta.
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Ela depende de aplicação específica.
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Desaparece no nível do complementarismo.
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Abusos desse ponto de vista podem gerar subversão simbólica.
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A subversão simbólica pode assumir duas formas principais.
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Atribuir supremacia ao aspecto maléfico.
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Inverter os valores, tomando o maléfico por benéfico e vice-versa.
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Nem sempre a inversão é visível na figura externa.
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Alguns símbolos não diferenciam exteriormente os dois aspectos.
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O exemplo do simbolismo da serpente ilustra essa ambiguidade.
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Pode representar Agathodaimôn ou Kakodaimôn.
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A ignorância da dupla significação gera equívocos.
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O Ocidente moderno tende a ver apenas o aspecto maléfico.
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O mesmo ocorre com outros animais simbólicos.
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Símbolos geométricos invertidos nem sempre indicam intenção subversiva.
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O triângulo invertido pode ter significado legítimo.
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Torna-se sinal de inversão apenas quando há intenção deliberada de contrariar o sentido normal.
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A inversão pode ocorrer também em palavras e fórmulas.
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Certas práticas de feitiçaria utilizam fórmulas “ao contrário”.
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A análise da subversão deve considerar a intenção interpretativa mais que a forma externa.
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A subversão mais perigosa é a que mantém a forma e altera o sentido.
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A deformação pode ocorrer sem alteração visível.
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A contra-iniciação pode atribuir às organizações tradicionais interpretações invertidas.
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Essa estratégia provoca confusões e equívocos deliberados.
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Certas campanhas modernas contra o esoterismo ilustram essa inversão.
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São conduzidas com auxílio inconsciente de colaboradores.
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Muitos participantes ignoram o verdadeiro papel que desempenham.
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O combate mal orientado pode servir involuntariamente àquilo que pretende combater.
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