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RAMA COOMARASWAMY

A obra de Rama P. Coomaraswamy, The Destruction of the Christian Tradition, à qual nos referimos nos ensaios, é uma exposição brilhantemente escrita e bem documentada sobre o que aconteceu imediatamente antes, durante e depois do Concílio Vaticano II. O autor interessa-se sobretudo pelo que é ortodoxo e pelo que é herético, e a maneira muito clara, direta e simples com que trata o assunto baseia-se nas decisões dos concílios anteriores e nas declarações das mais altas autoridades da Igreja ao longo dos séculos. O que ele escreveu é suficiente e não precisa de aditivos. Mas, a partir de um ângulo ligeiramente diferente e, de certa forma, para enfrentar os modernistas em seu próprio terreno, que é o do oportunismo psíquico, gostaríamos, no entanto, de acrescentar as seguintes observações.

Os responsáveis pelas mudanças em questão argumentaram que uma religião deve se adaptar aos tempos, ao que se deve responder: não, se adaptar significa deixar de ser você mesmo e tornar-se cúmplice dos tempos. A verdadeira adaptação é diferente: a medicina, por exemplo, para se adaptar a uma época, deve ser capaz de fornecer antídotos para tudo o que se apresenta como doença. Da mesma forma, não seria irracional sustentar que, para se adaptar a uma época caracterizada por mudanças violentas e distúrbios desordenados, a religião deve estar mais preparada do que nunca para manifestar, e mesmo proclamar, sua estabilidade inabalável, sem a qual, como veículo da Verdade Eterna, ela nunca poderá, em qualquer caso, ser fiel a si mesma. Não há dúvida de que a alma humana tem uma profunda necessidade em sua existência de algo que permaneça sempre idêntico, e ela tem o direito de esperar que a religião seja a constante infalível que satisfaça essa necessidade.

Tais considerações foram disseminadas aos quatro ventos pelo Concílio Vaticano II. Portanto, não é surpreendente que este tenha precipitado uma crise sem precedentes. A gravidade da situação pode ser medida, até certo ponto, pelos seguintes números: de 1914 a 1963, apenas 810 padres solicitaram à Igreja Católica permissão para abandonar o sacerdócio, e entre esses pedidos, apenas 355 foram aceitos. Desde o concílio, houve mais de 32.000 deserções no clero. É preciso considerar que esses números se referem em parte aos culpados pela crise e em parte às suas vítimas; no que diz respeito a estas últimas, que são membros do clero ou leigos, é significativo que não só o uso da liturgia tradicional tenha sido desencorajado, mas também expressamente proibido. Essa estratégia teria fracassado totalmente se não fosse pelo fato de que a imensa maioria dos leigos — e isso se aplica também, em certa medida, aos próprios membros do clero — imagina que a obediência devida à hierarquia clerical é absoluta. Um dos grandes méritos da obra de Rama Coomaraswamy é mostrar em que momento, de acordo com a doutrina católica estritamente tradicional, a obediência se torna um pecado e em que momento a autoridade, mesmo a de um papa, se torna nula e sem efeito.

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