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Jean Thamar

Études Traditionnelles Ano 52 N. 290 (1951)

  • O Zodíaco e a Roda das Existências
    • Existe um notável e pouco percebido paralelismo entre os doze Signos que designam as constelações do zodíaco e as doze Origens Interdependentes (pratitiasamutpada) ou condições da existência (nidanas) da doutrina budista.
    • As objeções sobre a artificialidade desses paralelos perdem força ao se considerar o papel capital do ciclo dos nidanas (cuja penetração produz a iluminação no budismo dos dois veículos) e a importância do simbolismo dos corpos celestes na doutrina de Plotino.
    • O objetivo é examinar se os dois ciclos duodenários não apenas se correspondem termo a termo, mas também derivam de dados metafísicos e cosmológicos comuns, além de mostrar como os dois pontos de vista se distinguem, se complementam e se compenetram.
  • I. A Perspectiva Plotiniana
    • Para Plotino, explicar a realidade é capturá-la intuitivamente em um momento do movimento de distensão a partir do Um ou do movimento de concentração em direção ao Um.
    • O Um ou Bem (o princípio suressencial, a primeira hipóstase) é figurado pela Luz ou o Céu, e sua primeira síntese é a Inteligência universal (Nous, segunda hipóstase).
    • A Inteligência é idêntica ao Ser (“o Um que é”) e ao Belo, e sua imagem é o Sol, sendo Cronos-Saturno sua “outra face”.
    • Ao “dividir a visão que tem do Um”, a Inteligência irradia os Números (Logoi) ou Ideias eternas (o aspecto intemporal e inextendido).
    • Em seguida, a Inteligência desdobra-se na Alma universal (ou “total”, a terceira hipóstase), que é simbolizada por duas divindades planetárias, a Lua e Júpiter.
    • Júpiter evoca o movimento supra-individual da Alma em direção ao inteligível, enquanto a Lua evoca seu movimento individuante em direção ao sensível.
    • O movimento da Alma total “circula em torno da Inteligência como esta circula em torno do Um”, e é “medido pelo tempo”.
    • O tempo é a imagem da eternidade e nasce à medida que a Alma se desprende da Inteligência, tornando-se sede do destino e mãe das individuações (“razões seminais”).
    • O aspirar-expirar da Alma engendra a Natureza com o espaço (a soma dos “reflexos sensíveis” da Alma na Matéria, a última hipóstase).
    • A Natureza tem a inteligência e as sensações de um “dormeur” (adormecido), e a Alma universal se espalha tanto no corpo do mundo quanto nos “membros do homem”.
    • A Alma comunica aos corpos celestes o movimento circular e o “brilho incorruptível” que trazem beleza ao universo, e aos corpos sublunares (“prisões terrestres”) suas almas fragmentárias e vidas corruptíveis.
    • A produção (em todos os níveis da hierarquia) é sinônimo de contemplação, sendo a imagem “produzida sem que nada escoe do Modelo”.
    • A Natureza é a “contemplação silenciosa” no limite da Alma do mundo e, por isso mesmo, o lugar da conversão para o Um para a alma humana.
    • A imaginação (phantasia) é a “faculdade quase intelectual” e “mediadora entre a impressão da Natureza e o intelecto (nous)”.
    • A imaginação permite à alma humana reencontrar na Natureza “o pensamento não discursivo da Inteligência”, ou seja, as figuras (schemata) ou impressões visíveis (typoi) das Ideias eternas (ideai, archetupoi).
    • As Ideias eternas têm duas faces: uma (eide) voltada para a Inteligência e outra (eidos) orientada para a Alma universal, que recebe as imagens (eikonai ou eidola) sob os aspectos do Logos.
    • A Alma universal irradia ao contemplar, produz “permanecendo lá em cima”, e sua transformação é involuntária, pois ela é forma em relação ao sensível e matéria em relação ao inteligível.
    • A alma individual, embora sua parte superior permaneça voltada para objetos eternos, esquece-os ao se engajar nas memórias do sensível, “tornando-se aquilo de que se lembra”.
    • A ascensão contemplativa é para Plotino uma “correção de imagens”.
    • A ascensão é alcançada conformando e assimilando as imagens mentais (eidola) aos reflexos cósmicos das Ideias, permitindo que as “potências da alma superior” se unam aos Objetos puramente inteligíveis (“os mais belos dos seres”).
    • O movimento circular do céu, segundo Plotino, é produzido pela “conversão da potência inferior da Alma universal em direção à sua potência superior”.
    • Os dois ternários de planetas (de órbitas além e entre o Sol e a Terra) circulam no espaço circunscrito pelas doze constelações da eclíptica (órbita zodiacal do sol).
    • Os Signos do zodíaco são a síntese das imagens cósmicas dos Arquétipos eternos (as Ideias puras) que Plotino chama os “termos” da Inteligência e a “circunferência do Sol inteligível”.
    • O zodíaco, composto principalmente por símbolos do reino animal, situa-se propriamente na Alma cósmica, que é como um “intérprete” entre o sol sensível e o sol inteligível, exercendo uma função mediadora.
    • O Intelecto cósmico ou Logos é o equivalente plotiniano e alexandrino de Buddhi ou Sutratma e é o “esplendor” (eclampsis) da Inteligência na Alma total e o “produto de uma e outra destas duas hipóstases”.
    • O Logos é o Intelecto agente do hermetismo e de Avicena, regente das dez esferas estrelares e planetárias e o “primeiro criado”.
    • O Logos, que produz as partes do cosmos opondo-as umas às outras, se diversifica na Alma em uma indefinitude de logoi ou “princípios seminais” (logoi spermatikoi).
    • Os logoi são os germes informes da individuação e da transmigração, e as causas produtoras segundas (nidana em sânscrito).
    • Os logoi se identificam com as “impressões” das Ideias na Alma e são os agentes do destino.
    • Os logoi estão para o Logos como os Signos zodiacais estão para os planetas.
    • A “pré-dominância individuante” de um logos sobre os outros é adequadamente representada pela passagem dos planetas pelos signos do zodíaco.
    • As figuras (schemata) do zodíaco aparecem como destino ou fatalidade (heimarmene) apenas para o ser que, unido à sua alma inferior, as sofre passivamente, mas são apenas signos (sema) para a alma que exerce sua providência (pronoia) sobre o universo.
    • O primeiro mal é a Matéria, um “espelho obscuro” onde a união da forma com a matéria nunca é completa.
    • A Matéria só penetra na Natureza (submetida à geração e corrupção), que não é uma hipóstase, mas o “reflexo de um reflexo”.
    • O “primeiro mal” (Matieere) faz com que a triade de hipóstases (o Um, a Inteligência e a Alma) se restrinja à série de realidades divinas.
    • A Matéria é um “engano” ou fantasma em ato, que tem seu ser no não-ser, e se lhe for retirada a ilusão, é-lhe retirada a essência.
    • O simbolismo último implica o Princípio aparecendo como “o outro lado” das coisas, e pressupõe o que Plotino chama a “simpatia universal” e o budismo a “caridade cósmica”.
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