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ACONSELHAMENTO (12)
PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.
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O discernimento entre diversas formas tradicionais envolve critérios subjetivos, como a afinidade estética e artística, e critérios objetivos, como o grau e a natureza da corrupção ou o psiquismo coletivo predominante em cada meio.
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Fatores acessórios, embora relevantes, não podem isoladamente determinar a escolha de uma via, pois nenhum deles possui peso absoluto sobre os demais.
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A corrupção de uma forma manifesta-se geralmente através da petrificação ou da diluição, processos naturais ao domínio do que nasce no tempo.
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A avaliação do psiquismo coletivo é fundamental para compreender os obstáculos práticos que o viajor encontrará em seu ambiente imediato.
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O critério essencial de validade de uma forma tradicional reside na sua capacidade de conduzir o ser à realização espiritual plena, mantendo uma janela aberta para a Verdade sem forma.
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Uma tradição, por mais degenerada que se apresente em seus aspectos periféricos, é considerada adequada se preservar os meios essenciais para o acesso ao Absoluto.
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Inversamente, uma forma que se mantenha pura em sua periferia, mas que tenha perdido a eficácia de seus meios transcendentais, deve ser rejeitada.
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A adequação essencial é o único fator que, rigorosamente, importa para a economia da salvação e da libertação.
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A evidência de que indivíduos contemporâneos tenham atingido a plenitude espiritual através de uma determinada forma constitui prova de sua vitalidade, apesar das pressões da profanidade moderna.
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Mesmo santuários outrora imunes, como o Tibete, sofrem hoje a pressão desintegradora do mundo moderno.
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Males aparentes e flagrantes podem ser superficiais, enquanto males menos visíveis podem atingir a essência, indicando se a doença tradicional atingiu ou não o estágio mortal.
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A perfeição de uma forma é necessariamente relativa e transitória, sendo a própria expressão forma perfeita uma contradição em termos, o que exige do viajor a aceitação das imperfeições e contrastes inerentes ao mundo manifestado.
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Adere-se ao suporte da forma sem a expectativa de alívio para todas as insatisfações do corpo ou da mente, pois o mundo é, por definição, um lugar de contrastes.
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Mesmo nas eras consideradas ideais, os santos denunciavam erros e vícios, confirmando que a via espiritual sempre comporta elementos desagradáveis.
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A aceitação do aspecto austero ou penoso de uma via é condição para a participação na sua doçura espiritual.
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A resistência em aderir a uma religião devido a detalhes específicos é frequentemente uma máscara para a recusa da decisão positiva, ocultando-se atrás de uma compreensão teórica e simpatia superficial pelas coisas sagradas.
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O hábito de coar mosquitos para evitar o compromisso formal é um obstáculo recorrente entre intelectuais de boa vontade.
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A religião revelada possui suas cruzes e suas consolações; aproximar-se da Via com expectativas infladas de prazer ou com melancolia puritana é irrealista.
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O viajor deve manter o foco na verdade metafísica e nos elementos essenciais, observando as vicissitudes do mundo com senso de proporção e discernimento.
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Os defeitos e abusos inevitáveis na ordem formal servem como uma compensação positiva, pois proclamam que a forma, por mais sagrada que seja, não é Deus, evidenciando sua própria não-entidade face à Transcendência Divina.
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A relatividade da forma protege o buscador da idolatria, lembrando-o da distinção entre o suporte e o Princípio.
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Não é a imagem nem o espelho que importa, mas a Luz que o refletor e o reflexo simultaneamente velam e revelam.
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