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VIDA ATIVA (3)

PALLIS, Marco. The Way and the Mountain: Tibet, Buddhism, and Tradition. 1st ed ed. New York: World Wisdom, Incorporated, 2008.

  • A Vida Ativa delimita-se tradicionalmente pela Vida Contemplativa, que lhe é superior, e pela Vida do Prazer, que lhe é inferior, embora a mentalidade antitradicional moderna tenda a obliterar tais distinções ao restringir a realidade ao domínio do movimento e da relatividade.
    • A negação do caráter transcendente da contemplação resulta na perda de sua influência positiva nos assuntos humanos, especialmente no Ocidente.
    • O pensamento moderno equivocadamente imputa inatividade ao que não apresenta movimento visível, ignorando que a imobilidade contemplativa reflete a intensidade máxima da realidade.
    • A perspectiva tradicional busca a causa suficiente no reino universal do imutável, enquanto a mentalidade moderna foca em aplicações, sintomas e efeitos, aprisionando o ser em um estado de sonho e ignorância.
  • A clarificação das ideias por meio de uma doutrina constitui o primeiro requisito para a ordenação dos atos, visto que o conhecimento ou a ignorância condicionam a eficácia da ação e sua capacidade de servir como suporte ao ser.
    • Preocupar-se com atos isolados antes de ordenar a visão geral é uma política pouco prática que ignora a dependência da ação em relação ao conhecimento.
    • Atos realizados em conformidade com a doutrina reforçam tendências positivas, enquanto atos desordenados interpõem obstáculos ao desenvolvimento espiritual.
  • O simbolismo fundamenta-se na correspondência entre diferentes ordens de realidade, permitindo que qualquer ato ou objeto do mundo manifestado, se referido ao seu princípio, torne-se um signo para a compreensão do universal.
    • Um ato isolado de sua causa é apenas um caos irresolúvel; como símbolo, torna-se um meio efetivo de entendimento.
    • O exercício da Vida Ativa em sua integridade dispõe o ser para a Vida Contemplativa, funcionando como um reflexo da realidade superior.
    • A constatação de Meister Eckhart sobre a superioridade de uma pulga em Deus sobre um anjo em si mesmo ilustra que o valor de qualquer existência reside em sua referência à causa suficiente.
  • A função da Vida Ativa manifesta-se na integração do ato na ideia, exemplificada pela fórmula evangélica de agir em nome do Princípio, o que transforma a ação e seus frutos de obstáculos em meios de realização.
    • Agir em nome do All-giver implica a imitação do arquétipo universal da doação no plano relativo.
    • Conceitos como a arte pela arte ou a virtude como recompensa de si mesma são decepções sentimentais que pressupõem uma independência impossível para entidades limitadas.
    • A integração real exige que a referência ao Divino seja operativa durante toda a ação, tornando-se, idealmente, uma segunda natureza que prescinde de esforço consciente de vontade.
    • O karma-marga, ou Caminho das Obras, conforme exposto na Bhagavad Gita, detalha os métodos para que a ação perca seu poder restritivo.
  • A Vida Ativa plenamente integrada caracteriza-se pelo caráter ritual de todos os atos, sem distinção entre o sagrado e o secular, transformando funções vitais e artesanais em meios de comunicação com a realidade superior.
    • Atos cotidianos como comer, lavar-se ou o exercício da husbandry são, em sociedades tradicionais, ritualizados em alto grau.
    • O termo sânscrito karma designa tanto a ação em geral quanto a ação ritual, dependendo apenas do ângulo de observação.
    • Na compreensão elevada, a distinção entre atos religiosos especializados e funções ordinárias desaparece, conferindo à vida sua máxima coerência.
  • A degeneração intelectual de uma civilização evidencia-se pela divisão da existência em mundos independente, rotulados como sagrado e profano, processo que culmina na desolação das funções vitais abandonadas a si mesmas.
    • A profanação da vida ocorre quando o elemento ritual é restrito a ocasiões isoladas, ignorando que todos os lugares e momentos são potencialmente sagrados.
    • A falácia do progresso mascara a dissolução iminente de culturas que perderam a capacidade de referir a aparência à realidade essencial.

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