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ESBOÇO DE UMA ANTROPOLOGIA ESPIRITUAL
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A estrutura do Absoluto comporta intrinsecamente a Infinitude radiante e a Perfeição qualitativa, projetando-se na relatividade para dar origem às qualidades divinas e cósmicas.
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Absoluto como Realidade pura.
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Infinito como Possibilidade que contém e projeta.
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Perfeição (o Bem) como conjunto dos conteúdos da Possibilidade.
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Os modos da Perfeição divina constituem-se essencialmente como Conhecimento, Amor e Poder, refletindo-se nas faculdades humanas de inteligência, sentimento e vontade.
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Substância divina como Sujeito que conhece, ama e quer.
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Unidade fundamental entre Conhecimento e Amor.
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Poder ou Vontade como prolongamento energético dos outros dois.
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No Absoluto, o ternário Conhecimento-Amor-Poder existe de modo indiferenciado e suréminente, distinguindo-se apenas no nível da projeção onto-cosmológica.
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Presença necessária na Essência divina.
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Ausência de distinção modal na Essência.
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Identidade absoluta onde a Essência é cada um dos atributos.
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A antropologia espiritual deve ser uma extensão da teologia, visto que o ser humano, feito à imagem de Deus, reflete em seu espírito a trindade de Conhecimento, Amor e Poder.
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Homem como espírito feito de inteligência e sentimento.
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Vontade como prolongamento polarizado em intenção e atividade.
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Analogia com a luz e o calor procedendo do sol.
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A determinação da existência humana pela realidade de Deus e das fins últimas abrange a convicção intelectual, a felicidade sentimental, a atividade espiritual e a virtude moral.
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Convicção derivada da inteligência discernidora.
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Felicidade derivada do sentimento que ama o bem.
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Atividade e virtude operadas pela vontade.
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As perspectivas espirituais podem variar na hierarquização das faculdades, ora enfatizando a complementaridade inteligência-sentimento, ora a afinidade inteligência-vontade.
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Polaridade masculino-feminino entre intelecto e sentimento.
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Vontade como modo secundário imediato da inteligência.
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Sentimento como prolongamento afetivo da vontade e inteligência.
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A via do conhecimento (jnana) coloca a inteligência no topo, subordinando vontade e sentimento, enquanto a via do amor (bhakti) subordina o intelecto ao amor e à vontade.
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Inteligência como verdade e ideia motora.
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Vontade e sentimento constituindo o caráter ou virtudes.
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Epistemologia sensualista ou voluntarista da via do amor.
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O preconceito contra o sentimento deve ser corrigido reconhecendo sua capacidade de objetividade e adequação ao real quando justificado pelo objeto, análogo ao Amor divino.
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Distinção entre sentimento subjetivo errôneo e sentimento objetivo.
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Amor ao sagrado como forma de adequação.
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Sentimento humano como reflexo de qualidade hipostática.
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O coração atua como o centro sintético onde inteligência, sentimento e vontade se unem, distinguindo-se das sedes periféricas do cérebro (mente) e da psique (alma).
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Coração como sede do intelecto, amor e poder.
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Mental como sede da razão; alma como sede da afetividade.
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Vontade associada tanto às regiões periféricas quanto ao coração.
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A distinção entre o sentimento superficial da alma e o sentimento profundo do coração reside no enraizamento deste último na essência do amor, exemplificado pelo amor místico.
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Sentimento anímico determinado por fenômenos externos.
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Sentimento cardíaco nutrido ab intra pela essência.
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Analogia com o conhecimento intuitivo versus pensamento racional.
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As funções espirituais distribuem-se de modo que o mental compreende, o coração concentra e a alma pratica a virtude, sendo a piedade o elo indispensável entre elas.
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Mental recebe luz do coração para discernir.
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Coração como órgão de concentração da subjetividade pura.
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Alma virtuosa e feliz por natureza ao amar o bem.
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A inteligência humana normal deve equilibrar a razão cerebral e a intuição cardíaca, sendo esta última a fonte da fé inabalável e do realismo escatológico.
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Razão como capacidade lógica e discursiva.
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Intuição cardíaca como percepção direta da verdade salvífica.
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Ideal de plenitude em ambos os níveis.
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A formulação mental é necessária para atualizar e comunicar as luzes do coração, permitindo que a intuição irradie e se firme através da linguagem e da doutrina.
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Necessidade de exteriorização para melhor interiorização.
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Mental como lua que reflete a luz solar do coração.
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Piedade da inteligência total.
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Na vida espiritual, a qualificação moral e a profundidade do coração prevalecem sobre a agilidade mental, podendo a realização ocorrer com noções intelectuais simples mas bem ancoradas.
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Primazia do temperamento e vontade sobre a inteligência cerebral.
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Risco da ciência livresca sem piedade.
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Possibilidade de santidade com mente estreita mas coração vasto.
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A contradição de uma inteligência cerebral que nega o divino é superada pela prova existencial da subjetividade, que evidencia fulgurantemente a Inteligência em si.
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Impossibilidade de ser inteligente sem uma fonte transcendente.
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Subjetividade como prova imediata do Onisciente.
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Cegueira do racionalismo cético.
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A inteligência em si possui quatro funções fundamentais – objetividade, subjetividade, atividade, passividade – que se manifestam no mental como razão, intuição, imaginação e memória.
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Razão inspirada em dados externos (objetividade).
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Intuição operando por analogia interna (subjetividade).
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Imaginação combinando possibilidades (atividade).
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Memória conservando dados (passividade).
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O espírito em si, polarizado em conhecimento, amor e poder, revela-se em essência como a Verdade, a Beleza e o Bem quando volta seu olhar para o interior de sua própria substância.
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Conhecimento voltado para dentro como realização.
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Identidade entre sujeito e seus objetos supremos.
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Extinção ou realização na consciência da substância una.
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O mistério supremo pode ser situado no Rayonnement interno do Absoluto, a causa insondável que projeta a Relatividade (Maya) e permite o desdobramento dos mundos e seres.
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Distinção fundamental entre espírito universal e alma individual.
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Maya como projeção da Infinitude intrínseca.
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Causa sem entrar no encadeamento causal.
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