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schuon:divino-ao-humano:antropologia-espiritual

ESBOÇO DE UMA ANTROPOLOGIA ESPIRITUAL

  • A estrutura do Absoluto comporta intrinsecamente a Infinitude radiante e a Perfeição qualitativa, projetando-se na relatividade para dar origem às qualidades divinas e cósmicas.
    • Absoluto como Realidade pura.
    • Infinito como Possibilidade que contém e projeta.
    • Perfeição (o Bem) como conjunto dos conteúdos da Possibilidade.
  • Os modos da Perfeição divina constituem-se essencialmente como Conhecimento, Amor e Poder, refletindo-se nas faculdades humanas de inteligência, sentimento e vontade.
    • Substância divina como Sujeito que conhece, ama e quer.
    • Unidade fundamental entre Conhecimento e Amor.
    • Poder ou Vontade como prolongamento energético dos outros dois.
  • No Absoluto, o ternário Conhecimento-Amor-Poder existe de modo indiferenciado e suréminente, distinguindo-se apenas no nível da projeção onto-cosmológica.
    • Presença necessária na Essência divina.
    • Ausência de distinção modal na Essência.
    • Identidade absoluta onde a Essência é cada um dos atributos.
  • A antropologia espiritual deve ser uma extensão da teologia, visto que o ser humano, feito à imagem de Deus, reflete em seu espírito a trindade de Conhecimento, Amor e Poder.
    • Homem como espírito feito de inteligência e sentimento.
    • Vontade como prolongamento polarizado em intenção e atividade.
    • Analogia com a luz e o calor procedendo do sol.
  • A determinação da existência humana pela realidade de Deus e das fins últimas abrange a convicção intelectual, a felicidade sentimental, a atividade espiritual e a virtude moral.
    • Convicção derivada da inteligência discernidora.
    • Felicidade derivada do sentimento que ama o bem.
    • Atividade e virtude operadas pela vontade.
  • As perspectivas espirituais podem variar na hierarquização das faculdades, ora enfatizando a complementaridade inteligência-sentimento, ora a afinidade inteligência-vontade.
    • Polaridade masculino-feminino entre intelecto e sentimento.
    • Vontade como modo secundário imediato da inteligência.
    • Sentimento como prolongamento afetivo da vontade e inteligência.
  • A via do conhecimento (jnana) coloca a inteligência no topo, subordinando vontade e sentimento, enquanto a via do amor (bhakti) subordina o intelecto ao amor e à vontade.
    • Inteligência como verdade e ideia motora.
    • Vontade e sentimento constituindo o caráter ou virtudes.
    • Epistemologia sensualista ou voluntarista da via do amor.
  • O preconceito contra o sentimento deve ser corrigido reconhecendo sua capacidade de objetividade e adequação ao real quando justificado pelo objeto, análogo ao Amor divino.
    • Distinção entre sentimento subjetivo errôneo e sentimento objetivo.
    • Amor ao sagrado como forma de adequação.
    • Sentimento humano como reflexo de qualidade hipostática.
  • O coração atua como o centro sintético onde inteligência, sentimento e vontade se unem, distinguindo-se das sedes periféricas do cérebro (mente) e da psique (alma).
    • Coração como sede do intelecto, amor e poder.
    • Mental como sede da razão; alma como sede da afetividade.
    • Vontade associada tanto às regiões periféricas quanto ao coração.
  • A distinção entre o sentimento superficial da alma e o sentimento profundo do coração reside no enraizamento deste último na essência do amor, exemplificado pelo amor místico.
    • Sentimento anímico determinado por fenômenos externos.
    • Sentimento cardíaco nutrido ab intra pela essência.
    • Analogia com o conhecimento intuitivo versus pensamento racional.
  • As funções espirituais distribuem-se de modo que o mental compreende, o coração concentra e a alma pratica a virtude, sendo a piedade o elo indispensável entre elas.
    • Mental recebe luz do coração para discernir.
    • Coração como órgão de concentração da subjetividade pura.
    • Alma virtuosa e feliz por natureza ao amar o bem.
  • A inteligência humana normal deve equilibrar a razão cerebral e a intuição cardíaca, sendo esta última a fonte da fé inabalável e do realismo escatológico.
    • Razão como capacidade lógica e discursiva.
    • Intuição cardíaca como percepção direta da verdade salvífica.
    • Ideal de plenitude em ambos os níveis.
  • A formulação mental é necessária para atualizar e comunicar as luzes do coração, permitindo que a intuição irradie e se firme através da linguagem e da doutrina.
    • Necessidade de exteriorização para melhor interiorização.
    • Mental como lua que reflete a luz solar do coração.
    • Piedade da inteligência total.
  • Na vida espiritual, a qualificação moral e a profundidade do coração prevalecem sobre a agilidade mental, podendo a realização ocorrer com noções intelectuais simples mas bem ancoradas.
    • Primazia do temperamento e vontade sobre a inteligência cerebral.
    • Risco da ciência livresca sem piedade.
    • Possibilidade de santidade com mente estreita mas coração vasto.
  • A contradição de uma inteligência cerebral que nega o divino é superada pela prova existencial da subjetividade, que evidencia fulgurantemente a Inteligência em si.
    • Impossibilidade de ser inteligente sem uma fonte transcendente.
    • Subjetividade como prova imediata do Onisciente.
    • Cegueira do racionalismo cético.
  • A inteligência em si possui quatro funções fundamentais – objetividade, subjetividade, atividade, passividade – que se manifestam no mental como razão, intuição, imaginação e memória.
    • Razão inspirada em dados externos (objetividade).
    • Intuição operando por analogia interna (subjetividade).
    • Imaginação combinando possibilidades (atividade).
    • Memória conservando dados (passividade).
  • O espírito em si, polarizado em conhecimento, amor e poder, revela-se em essência como a Verdade, a Beleza e o Bem quando volta seu olhar para o interior de sua própria substância.
    • Conhecimento voltado para dentro como realização.
    • Identidade entre sujeito e seus objetos supremos.
    • Extinção ou realização na consciência da substância una.
  • O mistério supremo pode ser situado no Rayonnement interno do Absoluto, a causa insondável que projeta a Relatividade (Maya) e permite o desdobramento dos mundos e seres.
    • Distinção fundamental entre espírito universal e alma individual.
    • Maya como projeção da Infinitude intrínseca.
    • Causa sem entrar no encadeamento causal.
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