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SENTIDO DO SAGRADO
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O apelo à oração islâmico constitui um sinal inteligível que atua diretamente sobre a intuição estética e o sentido do sagrado, dispensando a argumentação conceitual em favor de uma serenidade que envolve a alma.
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Eficácia imediata do sinal litúrgico.
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Superioridade da percepção intuitiva sobre a escolástica.
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Oração como napa de serenidade temporal.
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O sentido do sagrado define-se como a adequação da alma inteira ao Real, percebendo musicalmente a projeção do Centro celeste na periferia e reagindo com instinto de adoração à proximidade do Ser necessário.
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Diferença entre discernimento intelectual e ressonância total da alma.
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Sagrado como Motor Imóvel no fluxo das coisas.
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Imortalidade garantida pelo contato com o mistério de imanência.
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A consciência inata da presença divina exige um respeito universal e uma retenção diante do mistério das criaturas, excluindo apenas os fenômenos viciosos que manifestam o absurdo e a ausência do sagrado.
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Percepção sacramental e ontológica de Deus nas coisas.
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Natureza negativa ou contrastante dos fenômenos errôneos.
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Atitude natural da alma contemplativa diante da existência.
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A natureza dual do sagrado compõe-se de rigor inviolável e de doçura libertadora, exigindo que o espírito devocional integre o temor e a fascinação através da beleza que emana da infinitude.
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Coexistência de invencibilidade e misericórdia.
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Necessidade de serenidade para a contemplação da Majestade.
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Equilíbrio entre atração e imobilização.
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A percepção do sagrado consiste em identificar o rastro do imutável dentro do fluxo das coisas, utilizando a experiência da beleza para realizar uma abertura para o eterno e evitar o aprisionamento no efêmero.
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Projeção do imutável no muável.
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Distinção entre uso sacralizante e profanador da beleza.
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Mistério da dupla Maya que aprisiona e liberta.
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A dignidade moral e a solidez gestual decorrem do sentido do sagrado, que transpõe o eterno para o temporal através de formas solenes que refletem o Centro imóvel na periferia da ação humana.
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Vínculo entre devoção e nobreza de comportamento.
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Legitimidade da gravidade e lentidão nos ritos.
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Rejeição apenas das formas incompatíveis com a natureza sacra.
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O cerimonialismo legitima-se quando deriva do caráter sagrado da autoridade ou da religião, distinguindo-se das contrafrações profanas que carecem de realidade e autoridade para sustentar a solenidade.
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Origem divina do poder como base do cerimonial.
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Caráter abusivo das liturgias seculares ou republicanas.
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Validade do ritualismo religioso intrínseco.
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As cerimônias fundamentam-se frequentemente em precedentes históricos e na sensibilidade étnica da alma coletiva, que possui o direito de manifestar seu estilo sacral mesmo no encadramento dos ritos religiosos universais.
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Inspiração racial ou cultural na liturgia.
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Distinção e entrelaçamento entre rito e cerimônia.
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Exemplos da exuberância hindu e da liturgia cristã.
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A eficácia dos ritos é objetiva e comunica graças preexistentes, enquanto a eficácia das cerimônias é subjetiva e visa atualizar a receptividade humana e estimular a imaginação piedosa.
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Independência da graça ritual em relação ao sujeito.
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Função preparatória e estimulante do cerimonial.
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Referência a São Basílio sobre a força dos elementos não rituais.
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As manifestações secundárias do sagrado variam conforme a religião, assumindo formas sacramentais e artísticas no Cristianismo ou obedienciais e auditivas no Islã, adaptando-se às necessidades das mentalidades coletivas.
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Estética visual e litúrgica cristã.
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Estética do comportamento e da submissão islâmica.
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Tensão entre a piedade coletiva prolixa e a sabedoria esotérica.
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A expressão do sagrado utiliza suportes sensíveis diversos como os gestos manuais no Hinduismo, a imagem escultórica no Budismo e a teofania verbal na recitação dos textos revelados.
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Importância dos mudras e da nudez sagrada na Índia.
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Extinção da forma e manifestação da Essência na arte búdica.
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Paralelo entre a oração canônica islâmica e os gestos sagrados hindus.
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As religiões toleram ou favorecem certos excessos e abusos indispensáveis para impor o sentido do sagrado às coletividades, substituindo os vícios profanos por formas de devoção que podem parecer irracionais externamente.
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Necessidade de adaptação à massa humana.
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Função corretiva dos excessos piedosos.
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Circunstância atenuante para aspectos problemáticos da religiosidade.
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A distinção entre sagrado e tradicional permite reconhecer manifestações verticais e descontinuas da inspiração que ocorrem independentemente das formulações habituais, desde que oriundas da fonte divina.
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Sagrado não se limita ao tradicional horizontal.
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Possibilidade de diversidade de escolas.
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Primazia da fonte sobre a forma recebida.
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A originalidade intelectual e artística é legítima na civilização tradicional quando resulta de uma inspiração involuntária do Espírito e não de um desejo individual de criatividade.
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Condição de predisposição natural para a inspiração.
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Oposição entre criatividade moderna e receptividade sacra.
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Exemplo da eleição não buscada de David.
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A aptidão metafísica plena depende do sentido do sagrado e das qualidades morais, pois a inteligência sozinha não garante a exclusão do erro e necessita da beleza do caráter para acessar o santuário da verdade.
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Interdependência entre homem integral e percepção da verdade.
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Função da sensibilidade moral na imaginação especulativa.
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Necessidade de graças particulares para a alta intelecção.
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A união principial entre verdade e santidade não impede conflitos contingentes entre o senso crítico e a piedade, devendo a inteligência objetiva e adequada ao real ter primazia sobre os modos subjetivos.
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Definição de inteligência pela capacidade de captar o objeto.
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Modos secundários da subjetividade, lógica e expressão.
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Beleza como modo cósmico de santidade.
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A compreensão real das verdades transcendentes exige sinceridade e temor sagrado, distinguindo-se da mera adoção mental de ideias sublimes por vaidade ou ambição, que resulta em esterilidade espiritual.
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Diferença entre compreender e apenas aceitar ideias.
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Papel da tendência moral na aceitação da verdade.
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Necessidade de fechar o círculo da verdade na beleza.
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O milagre constitui uma prova catalisadora do sagrado baseada na irrupção do sobrenatural na ordem natural, o que não contradiz os princípios universais mas apenas as leis físicas contingentes.
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Definição de sobrenatural como o divinamente natural.
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Necessidade teofânica do milagre se Deus existe plenamente.
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Compatibilidade com a economia do possível.
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A possibilidade universal implica a ocorrência de milagres como manifestações de uma ordem preexistente que se revelam através da abertura humana, análogo ao nascer do sol que depende da rotação da terra.
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Milagre como exigência da Possibilidade.
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Imutabilidade da sobrenatureza por trás do véu natural.
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Função da receptividade na manifestação do prodigioso.
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A irrupção da vida e da inteligência na matéria prefigura o milagre no nível macrocosmico, assim como a gnose, o êxtase e a santidade representam o milagre interior que manifesta a Presença divina na alma.
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O gênero humano como milagre por excelência.
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Continuidade entre o milagre exterior e a graça interior.
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Intervenção incidente do Espírito Santo.
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A frequência dos milagres segue um ciclo de abundância inicial e rarefação progressiva devido ao endurecimento psíquico e físico do mundo e ao ceticismo que isola a matéria do domínio sutil.
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Associação dos prodígios com o início das religiões.
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Formação de uma camada de gelo entre os mundos.
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Correlação entre o silêncio do Céu e o fechamento do coração.
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A nostalgia coletiva pelo maravilhoso e a dita credulidade dos antigos explicam-se pela experiência histórica real de fatos miraculosos que deixaram marcas na memória da humanidade, para além da imaginação lendária.
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Base factual da sensibilidade hagiográfica.
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Realidade histórica precedendo a lenda.
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Valor simbólico de certos prodígios escriturísticos.
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O milagre difere da pregação por apresentar concretamente a presença de Deus em vez de apenas afirmá-la abstratamente, satisfazendo a necessidade de o divino ser percebido diretamente pelo coração.
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Deus dizendo Eu estou aqui versus Deus é.
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Impossibilidade de ocultamento total da Realidade.
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Prova existencial pela experiência direta.
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A fé opera como um mistério de percepção antecipada que torna presente o conteúdo divino antes da visão plena, permitindo ao coração tocar uma realidade que a mente ainda não abarca totalmente.
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Gnose e fé como modos de percepção cardíaca.
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Paradoxo da visão cega que já vê.
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Inexprimibilidade da natureza profunda da fé.
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