schuon:forma-substancia:cruz-tempo-espaco
A CRUZ TEMPO-ESPAÇO NA ONOMATOLOGIA CORÂNICA
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O versículo do Alcorão que menciona os quatro nomes divinos contém uma doutrina metafísica, cosmológica e de alquimia espiritual, na qual se cruzam simbolismos temporais e espaciais para formar uma síntese dos aspectos fundamentais do Universo.
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O versículo em questão é o terceiro da surata do Ferro (LVII, 3).
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A doutrina presente é equiparável à da Shahadah em seu escopo.
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O cruzamento do simbolismo temporal com o espacial gera uma síntese abrangente.
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Os nomes “o Primeiro” e “o Último” designam o Princípio em sua relação de anterioridade e posteridade em relação à Manifestação, enquanto “o Exterior” e “o Interior” designam a extroversão do Princípio pela Manifestação e seu caráter velado e transcendente no centro dela.
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“O Primeiro” é o Princípio que antecede a Manifestação, e “o Último”, o Princípio que a sucede.
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A Manifestação é descrita como uma onda que “sai” do Princípio e “retorna” a ele, sendo ao mesmo tempo o Princípio sob o aspecto de exterioridade.
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O Princípio permanece transcendente e interior em relação à sua manifestação ilusória.
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Os quatro aspectos traduzem a relação Princípio-Manifestação segundo a sucessão (Primeiro/Último) e a simultaneidade (Exterior/Interior).
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Os nomes divinos “o Primeiro” e “o Último” possuem analogia com outros pares de nomes que expressam a transcendência do Princípio, seja em relação ao mundo, seja em si mesmo, cada um deles implicando os demais na revelação da proximidade divina através do distanciamento que é a Manifestação.
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“O Primeiro” é análogo a “Aquele que é sem começo” (El-Azal) e “o Primordial” (El-Qadïm), enquanto “o Último” o é a “Aquele que é sem fim” (El-Abad) e “o Perpétuo” (Ed-Dâ’im).
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Outros pares de nomes, como “Aquele que cria de nada” (El-Badi) e “Aquele que resta” (El-Bâqt), também expressam essa relação.
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El-Azal e El-Abad referem-se à natureza intrínseca do Princípio, sem origem e sem fim, enquanto os outros nomes o situam em relação à criação.
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A Manifestação universal é um caminho que vai de Deus a Deus, um “afastamento” que serve à “revelação” da “proximidade”.
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O Princípio é “o Primeiro” não apenas em relação ao mundo, mas também em si mesmo, significando que a Essência (Dhât) é anterior às Qualidades (Çifât), as quais, embora divinas, já pertencem ao domínio da Relatividade principial (Mâyâ) e prefiguram a criação e a revelação.
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Em linguagem vedantina, as Qualidades (Çifât) são uma manifestação de Mâyâ dentro do próprio Princípio (Atmâ).
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Essa Relatividade no seio do Princípio (o Ser) não compromete sua natureza divina intrínseca.
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O nome “o Exterior” (Ezh-Zhâhir) aplica-se ao mundo na medida em que este é necessariamente divino, sendo a manifestação visível do Ser através dos sentidos, ao passo que Deus, em si, é “o Interior”.
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O nome “o Exterior” (Ezh-Zhâhir) designa a realidade divina que se manifesta como Existência, Vida e Consciência, revestindo todas as formas e contingências sem com elas se confundir, sendo tudo o que existe, mas nenhuma coisa em particular.
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Ezh-Zhâhir é também o espaço, o tempo, a forma, o número, a matéria e os reflexos sensíveis das Qualidades divinas.
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Ele é visível por ser “o Exterior”, mas não é visto em sua essência por ser Deus.
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A ideia de “emanação” da Manifestação universal deve ser entendida sem o viés do emanacionismo filosófico, que reduz o Princípio à Manifestação, pois, para o Princípio em si, não há manifestação, mas apenas a possibilidade permanente daquilo que, do ponto de vista da criatura, aparece como uma “saída” ou criação.
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O emanacionismo deísta ignora a transcendência ao ver o cosmos como um “fragmento” de Deus.
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Para o Princípio, a manifestação não implica modificação ou empobrecimento de sua Substância.
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A perspectiva de uma “saída” ou “criação a partir do nada” é válida apenas do ponto de vista contingente das criaturas.
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Entre “o Primeiro” e “o Último” situa-se o mundo, que é Deus mesmo enquanto “o Exterior”, ou seja, a Manifestação vista não como substância separada, mas como o desdobramento ou revelação, ilusoriamente externa, do Princípio imutável, que reflui para sua fonte após se diferenciar em etapas até o limite de seu jorro.
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A Manifestação é um “mensagem d'Ele por Ele mesmo a Ele mesmo”.
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O Princípio, ao se manifestar como “o Exterior”, parece “diferir-se”, “endurecer-se” e “segmentar-se” em estágios.
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Esse processo atinge um limite para então refluir, por etapas de interiorização, de volta à sua fonte verdadeira, que jamais deixou de ser o que era.
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A natureza verdadeira do Princípio, que nunca saiu de si mesma e que pode aparecer como “o Exterior”, “o Primeiro” ou “o Último”, é “o Interior” (El-Bâtin), para o qual não há exterioridade senão como possibilidade essencial incluída nele mesmo.
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Do ponto de vista do Centro (“o Interior”), a exterioridade é ilusória.
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O “Interior” só é assim chamado devido a uma perspectiva contingente, condicionada pela extroversão ilusória.
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“O Último” corresponde analogamente a “o Interior” no sentido de que a ação de reconduzir todas as coisas ao Princípio é mais conforme à Essência do que o ato criador, sendo a reintegração um processo que visa o Princípio, enquanto a manifestação visa a distinção em “outro que Ele”.
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“O Primeiro” projeta-se para ser conhecido distintamente no “outro”, enquanto “o Último” visa a realidade essencial e indiferenciada.
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A relação entre “o Primeiro” e “o Último” é análoga à que vai da criação à redenção ou do Paraíso terrestre à Jerusalém celeste.
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“O Primeiro” e “o Último” são como duas fases divinas, assim como “o Exterior” e “o Interior” são dois aspectos divinos, que surgem devido ao véu que separa da Unidade inalterável de Allah.
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“O Primeiro” manifesta-se no microcosmo pela existência e nascimento do indivíduo, no macrocosmo pela criação do mundo e, no sentido mais universal, pelo desdobramento de Mâyâ.
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Essas são as três manifestações de “o Primeiro” nos diferentes níveis.
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“O Último” manifesta-se na consciência pela certeza da morte, pela evidência do Juízo final e pela noção metafísica de apocatástase, cada uma correspondendo, respectivamente, à antítese das manifestações de “o Primeiro”.
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A morte é antítese do nascimento.
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O Juízo final é antítese da criação do mundo.
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A apocatástase é antítese do desdobramento de Mâyâ.
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“O Exterior” manifesta-se pela existência atual do indivíduo e do mundo, independentemente de sua origem e fim, e por Mâyâ enquanto extroversão universal que contém todos os fenômenos.
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Mâyâ, sob esse aspecto, é o próprio véu em que todos os fenômenos são tecidos.
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“O Interior” manifesta-se no microcosmo pelo Intelecto, no macrocosmo pelo Ser puro e, na Realidade total, pelo Si (Soi), sendo que em cada nível o aspecto interior é velado pelo aspecto exterior correspondente.
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O Intelecto é velado pelo ego.
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O Ser (Être) é velado pelo mundo.
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O Si (Soi) ou Supra-Ser é velado por Mâyâ, que engloba o Ser.
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O Ser, princípio do mundo manifestado, é “o Interior” em relação a ele, mas é “o Exterior” em relação ao Si, que é o “Princípio do Princípio” e o “Interior do Interior”.
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O sufi vive concretamente sob o olhar desses quatro nomes divinos, conscientemente como o ponto de intersecção onde essas dimensões metafísicas se encontram, sem se iludir com falsas exterritorialidades.
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Ele vive essas dimensões como as criaturas comuns vivem no espaço e no tempo.
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Ele está rigorosamente engajado no drama universal, sem buscar escapatórias ilusórias.
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O mundo, em todos os seus conteúdos, jamais se separa de Deus, sendo a substância celeste caída no nada e endurecida pelo afastamento, cujos limites e calamidades testemunham tanto a origem divina tornada distante quanto o ponto de queda inelutável.
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O sábio vê nos fenômenos o fluxo e o refluxo, a expansão e o retorno, o milagre existencial e o limite ontológico.
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O sufi percebe, pelo “olho do coração”, que “toda coisa é Ele”, pois o mundo, embora não seja Deus em sua existência particular, é “o Exterior” em sua possibilidade profunda e no milagre permanente que o sustenta, de modo que, em certo sentido, “não é outro senão Ele” devido à sua causalidade divina.
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A afirmação de que o mundo “é Deus” é verdadeira em um sentido, mas exige a contrapartida de que Deus não é o mundo, razão pela qual não se pode falar de “o Exterior” sem “o Interior”.
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O mundo “é Deus” ou não é, pois sua existência depende inteiramente da causalidade divina.
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Todo homem está suspenso entre “o Primeiro” e “o Último”, sendo um fluxo emanado do “Primeiro” e uma coagulação veiculada por “o Exterior”, devendo, para ser humano, carregar em si a vontade do refluxo para “o Último” e a consciência de “o Interior”.
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O homem é um fluxo que deve tender ao refluxo, sob pena de ser animal.
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O homem é uma individuação (coagulação) que deve ter consciência do “Interior”, pois sua razão de ser é a manifestação do Não-Manifesto.
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Deus é “o Primeiro” também como Legislador, cuja Lei estava antes do homem, e “o Último” também como Juiz.
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O homem, por ser feito à imagem de Deus, estende-se da forma corporal, passando pela alma e espírito, até o Ser e o Si, sendo tecido em “o Exterior” e desembocando em “o Interior”.
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O que provém de “o Primeiro” deve retornar a “o Último”, constituindo o fundamento do drama escatológico humano, no qual o homem, como “mensagem de Deus a Deus”, deve percorrer livremente o caminho, sendo a liberdade uma espada de dois gumes que inclui a possibilidade do absurdo de querer ser para si mesmo o princípio e o fim.
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A razão de ser da natureza humana é a manifestação plena da liberdade.
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A liberdade, sendo uma possibilidade, não pode deixar de se realizar, tornando o homem necessário.
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A liberdade inclui a eventualidade do absurdo, que é o desejo de ser autossuficiente, ignorando que a existência provém de uma vontade externa.
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O homem, tendo recebido tudo, inclusive a existência, é feito para a obediência, e é nesse quadro que sua liberdade positiva encontra sentido ao escolher a submissão espiritual, ao contrário da ilusão moderna de uma liberdade de direito que a criatura contingente não pode possuir, a menos que seja transcendida pela gnose, onde a Liberdade absoluta toma posse do homem.
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A liberdade positiva é a que escolhe a verdade e o bem, e, tendo-os escolhido, decide-se por uma verdade e um bem particulares.
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A liberdade de escolher a submissão é a liberdade positiva, espiritualmente falando.
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A pretensão à posse total de algo que escapa ao próprio poder é absurda, como a existência recebida.
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A maldição do homem moderno é crer-se inteiramente livre de direito, quando a liberdade só é possível no sobrenatural, onde a criatura se ultrapassa pela gnose e pela graça.
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A “mística” moderna é a da revolta, um espírito de rigidez e frieza, uma petrificação espiritualmente mortal e agitação sem saída, que contrasta fundamentalmente com o espírito de submissão e só pode ser vencida pela inteligência e pela graça, cujo milagre é uma irrupção de “o Interior” (El-Bâtin) no domínio de “o Exterior” (Ezh-Zhâhir).
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O espírito de revolta, diferentemente da santa cólera, é o orgulho que se coloca como vítima.
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Esse espírito implica ódio e é incompatível com a submissão, como água e óleo.
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A inteligência da maioria não resiste à paixão da amargura, tornando necessário o milagre para romper essa crosta.
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O Paraíso celestial tem o sentido inverso ao do milagre, sendo uma entrada de “o Exterior” no domínio de “o Interior”, assim como as Revelações são manifestações “tardias” de “o Primeiro” e os cataclismos manifestam “por antecipação” “o Último”.
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A consciência do milagre permanente da Existência é um recolhimento devocional, complemento da concentração intelectual, que percebe os “acidentes” sem perder de vista a “Substância”.
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O Paraíso é a natureza interna da pura Existência, e a conformidade com essa natureza, obtida pela submissão à Lei celeste, leva à Bem-aventurança, enquanto a oposição a ela, pela idolatria dos acidentes, afasta da Beatitude e encerra na própria contingência e no inferno, princípio que se estende do Ser ao Supra-Ser, onde reside o “Paraíso da Essência”.
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Submeter-se à Lei é conformar-se à própria essência, pela qual se existe.
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A ausência de Beatitude só pode ser o inferno, pois a Existência é feita de felicidade.
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O “Paraíso da Essência” (Jannat edh-Dhat) dos sufis é o Parinirvana supremo.
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O Si (Soi) é a natureza interna ou absoluta da pura inteligência, cuja via de acesso é o discernimento e a concentração contemplativa, ao passo que o polo da Existência se caracteriza por Pureza, Inviolabilidade e Misericórdia, sendo o Si o eixo luminoso e liberador que nela penetra.
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A resposta sobre o Si é dada em simetria com a resposta anterior sobre o Paraíso.
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O polo da Existência corresponde à via da ação, da obediência, da caridade e do amor ativo de Deus.
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O polo do Si corresponde à via do amor contemplativo de Deus e da gnose.
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A devoção é o elemento que une todas as intenções e perspectivas humanas.
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A questão sobre se a Realidade é “boa” ou “má” comporta duas respostas: ela não é nem boa nem má, por transcendência, e ela é boa, porque o bem revela essencialmente a natureza dessa indiferenciação superior, de modo que o todo é sempre bom, mesmo que a parte possa ser um mal.
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O mal só pode existir a título de fragmento, nunca de totalidade.
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O bem dilata, o mal retrai; o mal torna fragmentário, o bem torna inteiro.
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Deus só se manifesta nas perfeições; onde há falta, não pode haver totalidade ou centro.
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Diante do mundo, há três atitudes possíveis: a aceitação dos fenômenos como única realidade, que nega a interioridade de Deus; a rejeição do mundo como o que não é Deus, que nega a exterioridade divina; e a visão do mundo como “Exterioridade divina”, que, consciente de sua transparência metafísica, vê Deus em tudo sem prejuízo da Lei divina.
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A primeira atitude, infra-humana, nega que Deus é tanto “o Exterior” quanto “o Interior” e que um só tem sentido pelo outro.
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A segunda atitude vê no mundo apenas impermanência, engano e sofrimento, negando “Deus-o-Exterior”.
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A terceira atitude toca as essências através das formas, sem perder de vista que nenhuma aparência “é” Deus e que cada uma tem um reverso oriundo da exterioridade separada da interioridade.
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A sexualidade, pertencente ao domínio de “o Exterior” (Ezh-Zhâhir), tem como fins a procriação e, em virtude de seus protótipos divinos e da transparência dos símbolos, uma função contemplativa, sendo que a fruição sexual fora dessas condições constitui uma profanação de gravidade ontológica que acarreta a queda em estados infernais.
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O êxtase carnal pertence a “Deus-o-Exterior”, sendo o homem apenas o instrumento da vontade divina de expansão.
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Nada humano é puramente animal, pois o homem é feito à imagem de Deus.
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O elemento contemplativo deve encontrar seu lugar no quadro da legislação sagrada, sem comprometer o equilíbrio social tradicional.
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Uma imagem do reino de “o Primeiro” (El-Awwal) remeteria às origens do Paraíso terrestre e ao desabrochar das criaturas, enquanto uma ideia do advento de “o Último” (El-Akhir) exigiria antever a explosão da matéria e o refluxo existencial da Trombeta.
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Esses aspectos são inacessíveis à experiência direta, diferentemente de “o Exterior”.
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“O Exterior” (Ezh-Zhâhir) está sempre ao alcance imediato, manifesto na grandeza da natureza virgem e nos símbolos da arte sacra, enquanto “o Interior” (El-Bâtin) está ao mesmo tempo próximo e infinitamente distante, sendo pressentido na verdade, na intelecção pura, na virtude e na graça, podendo o divino Si, por sua onipresença, queimar os véus da separação.
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A natureza virgem (profundezas do céu, majestade das montanhas, ilimitação dos mares) manifesta a grandeza de Ezh-Zhâhir.
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El-Bâtin está “dentro de nós”, mas escapa à imaginação voltada para as contingências.
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Para o animal, só Ezh-Zhâhir é Deus; para o crente comum, só El-Bâtin o é; mas para o “conhecedor por Deus”, ambos os aspectos são Deus e nenhum deles o é, pois esses Nomes, resultantes de uma polaridade, resolvem-se na unidade intrínseca do Princípio, que é o que é por Si mesmo e em Si mesmo, independentemente de qualquer função.
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Falar de interioridade é ainda considerar Deus em função de uma exterioridade.
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Deus é o que é “por Si mesmo” (bi-Hî) e “em Si mesmo” (fî-Hi).
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A distinção entre os aspectos depende do grau de realidade que o Intelecto contempla “com a permissão de Deus”.
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A afirmação final do versículo de que “Ele sabe infinitamente toda coisa” exclui qualquer interpretação que reduza o Princípio a estados ou substâncias inconscientes, pois Allah, sendo a causa infinita de tudo, possui toda perfeição concebível, incluindo a consciência e a atividade, sem conflito com sua unidade e simplicidade.
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O versículo que precede imediatamente os quatro Nomes afirma que “A Ele é o reino dos Céus e da terra”.
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Todas as possibilidades estão prefiguradas na infinitude de sua Substância.
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Sendo Allah Um, a polaridade “Exterioridade-Interioridade” não é absoluta nem eterna, de modo que “o Interior” coincidirá com “o Último” quando, para além de todas as distinções, só restar a “Face de Allah”.
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O sol “interior” se levantará no campo “exterior”; “Deus virá”.
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“O Exterior” retornará a “o Interior”.
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A frase final “não restará senão a Face de Allah” sintetiza o destino último de toda polaridade.
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