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PARADOXOS DA EXPRESSÃO ESPIRITUAL
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A dialética, quando transposta ao domínio da espiritualidade, transcende a mera retórica lógica para definir-se como a arte da adequação verbal na expressão de realidades que ultrapassam a experiência humana ordinária.
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A insuficiência dialética de um sábio autêntico decorre, por vezes, da submissão a hábitos mentais do entorno ou da carência de artifício formal, sem que isso comprometa sua ciência infusa.
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Metafísicos tradicionais frequentemente aceitam formulações teológicas precárias como suporte mental, embora sua percepção intelectual não seja solidária a tais limitações de nível.
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As religiões abraâmicas, apresentando-se como dons celestiais em momentos históricos específicos, utilizam apelos volitivos e emotivos para a conversão de coletividades, distanciando-se da intelecção pura ou de nuances dialéticas.
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O monoteísmo recorreu ao helenismo para conferir clareza às suas intenções intelectuais e superar a economia expressiva das Escrituras.
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A adoção de meios de expressão mais flexíveis permitiu o desabrochar da própria faculdade intelectiva no seio dessas tradições.
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A precariedade intelectual ou doutrinária observada em certos santos pode ser compreendida como uma função de retificação necessária para equilibrar a degenerescência espiritual e a corrupção moral da coletividade e de seus governantes.
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A extravagância ascética e o moralismo obsessivo servem como contraponto positivo a desequilíbrios sociais grosseiros e negativos.
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O santo assume uma função sacrificial ao exagerar virtudes até o limite do absurdo, carregando simbolicamente os desvios da sociedade.
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A pressão do meio circundante impõe o uso de muletas teológicas e de um antropomorfismo sentimental que, embora desfigurem a espiritualidade pura, são indispensáveis à utilidade humana concreta.
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A primazia da fé, da virtude e dos atos sobre a inteligência nas religiões justifica-se pela finalidade salvífica da alma, uma vez que a capacidade intelectual não é pré-requisito para a salvação nem garantia dela.
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O valor efetivo da inteligência depende de sua vinculação a verdades fundamentais e de seu equilíbrio com a fé e a virtude.
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A fé atua como a tradução ativa da verdade, unindo a aceitação mental ao amor e à vontade de realização integral do ser.
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A virtude representa a disposição volitiva de conformidade com as exigências da verdade.
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A fé e a virtude não engendram a inteligência, mas permitem que ela alcance seu grau máximo de pureza e acuidade, enquanto o Intelecto puro contém essas potências em sua própria substância.
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A realização do Intelecto pressupõe a colaboração de uma fé viva e do esforço virtuoso em todos os métodos espirituais.
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A carência de virtude na inteligência ordinária impede que ela se manifeste plenamente de acordo com sua natureza essencial.
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A frequente associação entre inteligência e orgulho no pensamento voluntarista refere-se à faculdade mental disponível ao mundo e dissociada de Deus, e não à inteligência em si mesma.
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A inteligência em seu estado pleno engloba as raízes da fé e da virtude.
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A corrupção da capacidade de coordenação mental justifica a cautela religiosa frente ao fenômeno intelectual comum.
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Embora a virtude prime sobre a inteligência sob o aspecto da piedade, a corrupção da primeira anula sua natureza, ao passo que a inteligência desviada permanece como tal, ainda que desprovida de adequação metafísica.
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O vício é definido como privação ou excesso de virtude, enquanto o erro intelectual não decorre necessariamente de uma falha ou excesso da faculdade cognitiva.
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O uso comum do termo inteligência não é sinônimo de percepção da verdade absoluta.
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A problemática terminológica da inteligência reside em sua divisão entre a pura intelecção e o raciocínio, sendo este último capaz de operar engenhosamente mesmo na ausência de dados reais ou de percepção espiritual.
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A racionalidade virtuosa pode coexistir com a estupidez no nível das operações mentais puras.
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A distinção entre as modalidades da inteligência é frequentemente ignorada pela psicologia e pela linguagem corrente.
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A intelecção pura pode manifestar-se através de uma lógica débil ou de uma expressão ingênua sem perder sua natureza fundamental, superando em profundidade a mera virtuosidade racional.
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A debilidade no raciocínio de teólogos e místicos não exclui a posse da verdade salvadora.
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A aceitação da verdade por mentes simples é tão possível quanto a aceitação do erro por mentes dotadas de capacidade racional superior.
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A convicção do fiel de ser o maior pecador do mundo exemplifica o pensamento voluntarista que sacrifica a lógica em favor de uma eficácia sentimental destinada ao homem passional.
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A análise racional revela o absurdo lógico de tal afirmação sob múltiplos aspectos de conhecimento e probabilidade.
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O contexto teológico busca induzir a consciência do nada humano frente ao Ser necessário de Deus através de um drama de aniquilamento subjetivo.
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As estratégias de persuasão baseadas em exageros hagiográficos perderam sua eficácia histórica devido ao desenvolvimento de um senso crítico analítico na humanidade moderna.
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O homem atual prioriza a análise lógica dos fenômenos em detrimento da sensibilidade ao conteúdo e à intenção espiritual.
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A evolução da percepção técnica, análoga à história da arte, substituiu a consciência simbólica primitiva por uma descrição topográfica e acidental da realidade.
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A doutrina islâmica fundamenta-se na vontade absoluta de Alá e em Sua unicidade para negar a causalidade horizontal e a continuidade intrínseca das leis naturais.
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A existência é percebida como um caos mantido por atos criadores renovados a cada instante, onde as causas físicas são meras aparências.
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A recusa em admitir causas segundas visa proteger a soberania divina de qualquer associação ou necessidade externa.
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O pensamento teológico islâmico foca exclusivamente na dimensão vertical da causalidade, enquanto a metafísica pura é capaz de conciliar os aspectos divergentes e complementares da realidade.
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A teologia fixa pontos de vista para fins de valorização espiritual, ao passo que a inteligência metafísica adapta-se à diversidade do Real.
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Somente a perspectiva metafísica harmoniza a absolutidade do Princípio com sua manifestação relativa no mundo.
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O sufismo médio identifica a sabedoria com atitudes morais e ascéticas que, embora possam preparar o caminho para o conhecimento, obscurecem a primazia metafísica da gnose.
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O desapego provocado ab extra visa forçar a compreensão da ilusão universal que, na gnose pura, deveria advir da intelecção ab intra.
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A subordinação do conhecimento à moralidade cria uma ambiguidade dialética que altera a hierarquia esotérica original.
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O esoterismo quando se torna acessível à coletividade exterioriza seus métodos, utilizando a ascese como ferramenta para romper a ignorância, em vez de recorrer à percepção intelectual direta.
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No sufismo médio, as noções metafísicas surgem apenas a posteriori como pontos de referência para o esforço prático.
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A pedagogia espiritual adapta-se à capacidade do homem médio através de meios quantitativos e individualistas.
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Existe uma distinção necessária entre o esoterismo puro, que parte de conceitos superiores, e o pré-esoterismo, que se configura como um exoterismo ascético interiorizado e levado ao extremo.
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Ordens como a shadhiliyah dispensam extravagâncias morais e mudanças de condição social por se fundamentarem em doutrinas não individualistas.
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O pré-esoterismo exerce uma função disciplinar ao submeter o homem a provações antes de lhe confiar verdades superiores, garantindo que estas sejam recebidas com piedade definitiva.
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A confusão entre os meios de purificação e os fins em si mesmos decorre da vulgarização de métodos que visam a descoberta do conhecimento imanente.
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A hagiografia islâmica caracteriza-se por exageros e platitudes que, embora didaticamente incisivos para o receptor oriental, resultam em ininteligibilidade e falta de verossimilhança para o observador externo.
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A violação da lógica exterior em favor da eficácia emocional e simbólica compromete o valor apologético desses relatos fora de seu contexto original.
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O essencial nessas lendas é a transmissão de uma mensagem de virtude que o fiel aceita independentemente da absurdidade do detalhe.
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O escrúpulo legalista e a exaltação da pobreza na hagiografia visam educar o homem para a sinceridade e a veracidade absoluta, refletindo a unidade divina nos atos humanos.
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A intenção profunda da pobreza é o desapego contemplativo frente às seduções do mundo.
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Toda a estrutura virtuosa dos relatos tem sua raiz na fé unitária e na extração de suas consequências últimas, do escrúpulo ao monismo sapiencial.
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A hagiografia islâmica privilegia a realidade espiritual e a quintessência do conteúdo sobre a exatidão dos fatos, diferenciando-se da mentalidade europeia focada na realidade imediata da contingência.
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A estilização dos fatos é uma forma de atuar em prol da verdade espiritual superior.
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A linguagem das Escrituras e das tradições é largamente simbólica, não se submetendo aos critérios de historiadores ou geógrafos.
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A aparente monotonia e o infantilismo de certas narrativas espirituais no Islã funcionam como medidas corretivas contra o titanismo filosófico e a ambição humana, mantendo o fiel em uma infância bíblica.
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O ambiente original exigia a demonstração heroica e incisiva de virtudes como paciência, generosité e temor a Deus.
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A cultura islâmica prefere o risco da simplicidade mental ao perigo do gênio que pretende ocupar o lugar da Divindade.
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As expressões simbólicas das profecias não devem ser atribuídas a imperfeições de pensamento, mas ao uso de linguagem concreta adequada à compreensão da coletividade, como ensinado por Ibn Arabi.
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O uso de figuras de linguagem protege o fraco de espírito da avidez e das paixões.
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O sábio é capaz de intuir a realidade por trás da forma figurada empregada pelo Profeta.
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No domínio do divino, o significado espiritual de um sinal ou símbolo possui maior realidade e importância do que a veracidade histórica do fato que lhe serve de suporte.
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Coisas inexistentes podem ser afirmadas e existentes negadas em função da consciência coletiva e da eficácia do sinal.
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A promessa divina é sempre superada pela magnitude do dom efetivo.
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A grandeza dos santos no Islã é provada pela persistência e influência de sua memória, como no caso de Ali e Fatimah, e não pelos relatos hagiográficos que frequentemente ocultam essa estatura sob banalidades morais.
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O postulado da grandeza divina única induz um nivelamento da condição humana na hagiografia.
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O efeito histórico de figuras quase divinizadas pressupõe uma causa proporcional à sua irradiação espiritual.
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A espiritualidade islâmica oculta a grandeza interior sob manifestações de humildade e até de descaso pela aparência, visando a sinceridade absoluta percebida apenas por Deus.
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O princípio dos malamatiyah busca o desprezo humano para assegurar a retidão diante do Divino.
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Narrativas sobre a pobreza extrema de califas como Omar servem para exaltar a sinceridade, embora possam parecer problemáticas sob uma análise lógica exterior.
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A hagiografia e o culto às figuras espirituais no Islã estruturam-se sobre a sinceridade da fé, manifestada através do temor, do amor ou do conhecimento.
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O escrúpulo manifesta a sinceridade no temor, a generosidade manifesta-a no amor, e o monismo metafísico manifesta-a no conhecimento.
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As exultações dos sufis e os exageros didáticos são formas distintas de expressar o mesmo heroísmo da fé única.
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Algumas lendas periféricas ao Islã funcionam como uma proteção providencial do seu próprio significado frente à influência de outras religiões, mesmo ao custo de distorções históricas ou lógicas.
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A coexistência de versões incompatíveis de um mesmo relato sublinha a natureza marginal e humana dessas construções protetoras.
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A instituição substantivamente divina comporta essa margem de contingência em sua periferia.
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O simbolismo profundo pode ser veiculado por relatos chocantes ou extravagantes, cabendo aos comentadores o dever de resgatar a intenção inerente em vez de adicionar especulações pessoais.
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A pluralidade de versões divergentes reforça o caráter abstrato e não histórico dos temas tratados.
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A obscuridade de um texto não deve ser explicada por outra obscuridade ainda maior.
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Na mentalidade oriental, a associação sugestiva de ideias e a primazia da intenção moralizadora superam a lógica dos fatos, tratando-se frequentemente de uma escrita impulsiva e negligente diante de Deus.
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O leitor é convidado a extrair a essência espiritual e relevar as falhas formais resultantes da pressa religiosa.
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A aceitação da pequenez humana justifica acidentes de expressão que o senso crítico ocidental tenderia a condenar.
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É preferível aceitar imperfeições que transmitem verdades graves do que se render a uma inteligência crítica vazia de conteúdo real.
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A existência de elementos de ininteligibilidade e dissonância é necessária para a própria constituição do mundo e das religiões, sob pena de serem sistemas ineficazes e mecânicos.
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A fonte das dissonâncias religiosas reside na emotividade que perturba a reflexão lógica em favor da eficácia psicofísica.
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O sábio deve discernir o essencial sem se desencorajar pela presença do acidental detestável ou fanático.
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O ser humano é majoritariamente unilateral, sendo incapaz de integrar dados complementares àquilo que o hipnotiza, o que resulta em estreitezas tanto no fanatismo quanto no cientismo.
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A desigualdade do espírito humano e elementos passionais subconscientes limitam a imaginação e a percepção da realidade.
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A objetividade perfeita exige uma extinção da eguicidade que frequentemente contradiz os interesses superficiais do homem.
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A religião tolera a ininteligibilidade piedosa como um mal menor necessário para combater o orgulho intelectual satanista, priorizando a verdade recebida de forma simples sobre o erro brilhante.
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O entendimento puro e calmo é a norma proposta, mas sua insuficiência para a massa exige a aceitação da bêtise sagrada.
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A inteligência só é um bem quando vinculada à verdade, pois em si mesma ela permanece estrangeira à sua própria natureza se privada de sua finalidade divina.
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