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SÍNTESE PARAMITAS

  • A aparente ênfase do Budismo Mahayana na caridade amorosa deve ser compreendida em união indissolúvel com seu segundo polo fundamental, a metafísica do Vazio, que constitui a razão de ser da doutrina e o ponto de partida para a dissolução do ego no samsara total.
    • Identidade entre a metafísica do Vazio e o Advaita-Vedanta.
    • Caridade impregnada pela consciência da vacuidade.
    • Realização do Corpo universal do Buda através da compreensão do samsara.
  • A emergência tardia das escrituras Mahayana explica-se pela necessidade de a tradição criar previamente um campo de ressonância apropriado, permitindo que aspectos mais profundos da revelação se manifestem apenas quando o meio espiritual está maduro.
    • Função da tradição de preparar o ambiente para modos particulares de manifestação.
    • Proteção dos sutras por gênios ou nagas até a época de Nagarjuna.
    • Conceito de tempo propício para a pregação aberta.
  • O fenômeno do florescimento tardio de doutrinas esotéricas e artísticas constitui uma lei recorrente na história das grandes religiões, exemplificada pelo apogeu medieval cristão e pelo sufismo de Ibn Arabi, onde o ambiente moldado pela fé permite uma segunda juventude espiritual.
    • Paralelos com a Idade Média cristã e o Islã clássico.
    • Coincidência entre atmosfera coletiva madura e aprofundamento esotérico.
    • Caráter definitivo e irremplaçável das manifestações tardias.
  • A originalidade do Mahayana reside na magnitude fenomenológica com que opera esse desdobramento da revelação, incluindo o Vajrayana, devendo-se reconhecer que a causa única de tais desenvolvimentos espirituais remonta à envergadura avtárica do próprio Buda.
    • Mahayana e Vajrayana como novas voltas da Roda da Lei.
    • Impossibilidade de efeito sem causa na tradição.
    • Reconhecimento da autoridade do Buda até por bramanistas como Shankara.
  • A transição para a perspectiva esotérica transmuta a vertigem quantitativa e desesperadora dos ciclos samsáricos infindáveis do Budismo exotérico em uma visão qualitativa onde a entrega torna-se um relâmpago de intelecção ou graça e os méritos servem apenas para remover obstáculos.
    • Contraste entre a acumulação de méritos e a realização instantânea.
    • Redução das quantidades samsáricas a miragens.
    • Feminilidade apreendida em sua essência universal.
    • Salto ascensional para a própria Libertação.
  • A estrutura das virtudes ou paramitas reflete a alternância cíclica entre rigor e misericórdia, onde a caridade inicia o caminho e a sabedoria o completa, sendo as virtudes intermediárias vias simultâneas que contribuem para a eclosão do conhecimento libertador.
    • Caridade (dana) como moldura e Sabedoria (prajna) como acabamento.
    • Intermediação do renúnciamento, virilidade, paciência e contemplação.
    • Simultaneidade e sucessão na prática das virtudes.
  • O voto do Bodhisattva de adiar o Nirvana até a libertação de todos os seres encerra o duplo significado de manter uma presença angélica no mundo e realizar metafisicamente a identidade entre a vacuidade do samsara e a natureza do Nirvana.
    • Ponto de vista cósmico da presença permanente ou apocatástase.
    • Ponto de vista metafísico da identidade entre forma e vazio.
    • Consumpção das antinomias na instantaneidade da sabedoria.
  • A complexidade da natureza humana exige que a via espiritual incorpore metodicamente as diversas virtudes para tratar os múltiplos aspectos do aprisionamento samsárico, embora em princípio a união interior com o Vazio transcendente pudesse bastar como viático.
    • Suficiência teórica de Prajna.
    • Necessidade prática de ir do múltiplo ao um.
    • Adaptação do método à resistência da natureza humana.
  • A interdependência das virtudes demonstra que a gnose exige fundamentos extrínsecos como o renúnciamento e a virilidade heroica, equilibrados pela doçura da paciência e da caridade, tal como o lótus sustenta a imagem do Buda.
    • Complementaridade entre rigor (matemático/masculino) e doçura (musical/feminino).
    • Combate espiritual contra o dragão das seduções.
    • Beleza como condição para a manifestação fiel da verdade.
  • O Amidismo opera uma síntese misericordiosa das perfeições onde a Iluminação universal toma a iniciativa de englobar o indivíduo através da invocação, substituindo o esforço próprio pelo poder do Outro e permitindo a queda na libertação preexistente.
    • Atualização da memória de Amitabha pela fórmula sagrada.
    • Realização prévia dos paramitas pelo Buda.
    • Distinção entre poder próprio (Jiriki) e poder do Outro (Tariki).
  • A participação do fiel nas virtudes já realizadas pelo Buda fundamenta-se no Voto Original como ato cósmico e concretiza-se através dos três estados mentais de fé que orientam o desejo para o nascimento na Terra Pura.
    • Voto Original como base da doutrina da Terra Pura.
    • Pensamento verídico, crente e desiderativo.
    • Fé como veículo de acesso aos méritos transferidos.
  • A prática da rememoração do Buda contém intrinsecamente todas as perfeições espirituais, unificando o renúnciamento temporal, a virilidade do eterno presente, a paciência centrada na graça e a caridade expansiva em um único ato de concentração.
    • Inerência dos paramitas no buddhânusmritî.
    • Fixação da duração no instante eterno.
    • Plenitude positiva do Vazio na contemplação.
  • A redução da via aos pilares fundamentais da fé e da ação resume as virtudes contemplativas e ativas, abrangendo a totalidade das qualidades intelectuais e volitivas necessárias para atualizar a natureza búdica inata.
    • Correspondência com discernimento e concentração.
    • Elementos estáticos e dinâmicos na ascese.
    • Descrição do que somos eternamente através do que devemos ser.
  • O simbolismo espacial do Mahayana associa os cinco Budas de Meditação e o Buda Primordial aos pontos cardeais e aos elementos, estabelecendo uma correspondência analógica entre as qualidades cósmicas e os aspectos da sabedoria imutável e invencível.
    • Vairochana no centro correspondendo ao éter e à verdade.
    • Distribuição dos elementos (ar, água, terra, fogo) e virtudes pelos pontos cardeais.
    • Adi-Buddha ou Prajnaparamita no zênite, além do espaço.
  • A integração esotérica dos cinco elementos objetivos na consciência subjetiva prefigura a síntese das virtudes na sabedoria, revelando que perceber a vacuidade das coisas equivale a reconhecer sua substância idêntica à profundidade do próprio coração.
    • Consciência (chitta) como sexto elemento superior.
    • Identidade entre asseidade das coisas e asseidade da consciência.
    • Visão do mundo contida na realização do coração.
  • A perspectiva amidista identifica o Buda da Luz Infinita com o princípio supremo sob o simbolismo do oeste e da água, conferindo centralidade à virtude da paciência que paradoxalmente une a passividade da entrega à força inquebrantável do diamante.
    • Conexão entre o Voto de Amitabha e a perfeição passiva.
    • Espera confiante pelo esgotamento do karma.
    • Necessidade de determinação dura como diamante para manter a suavidade da fé.
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