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CARIDADE
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O termo “caridade” possui um significado teológico de amor a Deus e ao próximo, um sentido corrente de beneficência e também uma acepção mais ampla de consideração pela sensibilidade alheia.
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Teologicamente, caridade é o amor a Deus e ao próximo.
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Na linguagem comum, caridade é sinônimo de beneficência, mas também pode significar ter consideração pelos sentimentos dos outros.
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A crítica de que a caridade beneficente se acompanha de indulgência excessiva ou condescendência é infundada, pois atinge apenas contingências sentimentais incertas e ignora a exigência de modéstia no exercício da virtude.
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A exigência de que a mão esquerda não saiba o que faz a direita impõe que a caridade seja feita com a máxima modéstia.
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A caridade, por si só, exige ser exercida de maneira caridosa, ou seja, modesta.
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A eventual humilhação sentida por quem recebe a caridade decorre mais frequentemente de seu próprio orgulho do que de uma atitude presunçosa do benfeitor, sendo necessário ceticismo diante de protestos hipersensíveis de dignidade humana.
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Numa época de demagogia sistemática, é preciso desconfiar de protestos gratuitos de dignidade humana.
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Tanto o benfeitor deve esforçar-se por ser modesto quanto o beneficiário deve esforçar-se por não ser suscetível, havendo necessidade de virtude de ambos os lados.
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A relação de caridade não pode ser de parceiros iguais, pois a ajuda é livre e implica uma escolha no grau de intervenção, o que estabelece uma inegável desigualdade entre quem dá e quem recebe.
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A caridade é um ato livre; se não há liberdade, não há caridade.
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O socorro imediato a quem desmaia ou passa fome é um dever humano, mas o grau da ajuda é matéria de caridade, onde há liberdade de escolha.
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A existência de um dever de gratidão por parte de quem recebe prova a desigualdade inerente à caridade.
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O que deve ser eliminado não são os elementos naturais da caridade, mas os abusos sentimentais sempre condenados, sendo monstruosa a atitude de quem não sabe agradecer de coração.
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A natureza das coisas, com seus elementos materiais e psicológicos, não deve ser alvo de eliminação.
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A incapacidade de agradecer sinceramente, sem se ocupar da psicologia do benfeitor, é uma monstruosidade.
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A ideologia do “parcerismo” na caridade coincide com a abolição do respeito a qualquer superioridade, eliminando, num mundo de igualdade pretensamente universal, o espaço para a caridade livre e autêntica.
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A noção de parceiros iguais na caridade é uma consequência da abolição do respeito à superioridade.
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Num mundo onde todos se creem iguais em todos os aspectos, não há lugar para a caridade livre, generosa e autêntica.
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A ideia de que é preciso ensinar os homens a sair da miséria, em vez de simplesmente aliviá-la, é de aplicabilidade limitada, pois as causas da miséria são frequentemente morais e não apenas técnicas ou econômicas.
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As causas da miséria podem residir na falta de técnicas, na incapacidade de lidar com dinheiro ou na preguiça, sendo tanto morais quanto materiais.
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A definição contemporânea de miséria é relativa e muitas vezes manipulada para criar novos mercados consumidores, distanciando-se da caridade genuína ao impor necessidades artificiais a populações que vivem em situações economicamente primitivas, mas normais e satisfatórias.
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Situações econômicas primitivas, mas normais, são frequentemente rotuladas como miséria com o intuito de abrir mercados para produtos industriais.
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Criam-se necessidades para encontrar compradores, fazendo crer que a não satisfação dessas necessidades é miséria, o que se distancia da caridade e, em muitos casos, da eficácia e do bem concreto.
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A caridade é definida como a ação de ajudar livre e realmente aqueles que necessitam e merecem.
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