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VESTÍGIOS DO PECADO ORIGINAL
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A noção de pecado original, ao centrar-se em ações más, apresenta a desvantagem de permitir que o homem que não comete transgressões graves se julgue perfeito, sendo combatida pela ênfase cristã na pecaminosidade universal e na infinidade dos pecados veniais.
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A doutrina cristã combate a presunção da perfeição própria afirmando que todo homem é pecador.
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Os pecados veniais, embora numerosos, tornam-se graves quando habituais, transformando-se em vícios.
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Uma confissão de culpa genérica e sem objeto concreto é ineficaz, diferentemente da consciência da tendência inata à exterioridade e à horizontalidade, que constitui o vício hereditário derivado do pecado original.
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O mea culpa mecânico não torna ninguém melhor.
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A verdadeira questão é a consciência de uma propensão da alma para o exterior e para o horizontal, que é o vício herdado.
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A relação entre ato e intenção é complexa, pois existem ações objetivamente más sem intenção subjetiva má e vice-versa, lembrando que, embora o ato valha pela intenção, esta também deve ser objetivamente boa.
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Um santo pode negligenciar um dever por êxtase, um hipócrita cumpri-lo por vaidade.
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A intenção subjetivamente boa não basta, precisa ser objetivamente boa.
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A afirmação de que todo homem é pecador significa que, com raras exceções, todos sucumbem à tentação da exterioridade e da horizontalidade, prevalecendo a atração do mundo sobre o dever de interioridade que define o ser humano.
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A solidariedade com o ambiente é um direito limitado pelo dever complementar da interioridade.
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O reino de Deus interior deve prevalecer sobre a magia sedutora do mundo, conforme ensina o Mandamento supremo.
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O pecado de omissão permite aproximar-se da noção de pecado hereditário, que é uma atitude do coração contrária ao amor a Deus exigido pelo Mandamento supremo, configurando um “ser” e não apenas um “fazer”.
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A atitude contrária ao amor a Deus, da indiferença ao ódio, constitui o pecado supremo.
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O pecado, em seu sentido mais profundo, expressa uma atitude do coração, um ser, simbolizado pelo mito bíblico como uma substância.
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Para os hindus, o pecado original é identificado como nesciência (avidya), a ignorância metafísica da identidade entre a alma e Brahma, da qual resultam todas as ações contrárias à Lei intrínseca (Dharma).
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A avidya é a ignorância de que Brahma é real e o mundo é ilusório, e de que a alma não é outra coisa senão Brahma.
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Todas as ações contrárias ao Dharma resultam dessa cegueira do coração.
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A horizontalidade é o pecado contra a transcendência, esquecendo Deus e o sentido da vida, enquanto a exterioridade é o pecado contra a imanência, esquecendo a alma imortal e sua vocação, sendo ambas as dimensões os efeitos e a predisposição para repetir a transgressão original.
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A horizontalidade é amar a vida terrena em detrimento do caminho celestial; a exterioridade é amar as coisas externas em detrimento dos valores espirituais.
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A perfeição primordial era feita de verticalidade e interioridade, atestadas pela posição ereta e pela linguagem racional do homem.
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A transcendência e a imanência se inter-relacionam, havendo uma transcendência subjetiva que separa o Eu divino do eu humano, e uma imanência objetiva que é a Presença divina no mundo, sendo a consciência de uma inseparável da consciência da outra.
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A consciência de Deus como Objeto implica a consciência de Sua imanência; a consciência de Deus como Sujeito implica a consciência de Sua transcendência.
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A verticalidade e a interioridade, opostas à exterioridade e horizontalidade, são as dimensões que definem a grandeza e a pequenez humanas.
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A essência do pecado, simbolizada por Eva, Adão, a serpente e a torre de Babel, reside na pretensão da criatura de se apropriar do discernimento entre bem e mal, querendo ser igual ao Criador e usurpando uma prerrogativa que pertence à natureza do Ser.
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A tentação da serpente é querer ser mais do que se pode ser.
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Reivindicar para si o discernimento entre bem e mal é querer ser igual ao Criador, sendo essa a essência de todo pecado.
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A queda é a reação da realidade ao engano voluntário do pecador sobre as coisas e sobre si mesmo.
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A ambiguidade fundamental do homem reside em sua natureza divina sem ser Deus, com autoridade e autonomia relativamente absolutas, o que implica que sua queda não poderia ser total, como demonstra a natureza e o destino de Enoque.
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No Corão, o homem dá nomes às criaturas, merecendo a prostração dos anjos, exceto do Anjo supremo, indicando a relatividade de sua divindade.
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A existência de figuras como Enoque prova a priori que a queda do homem não pode ser total.
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A ideologia exotérica condena o esoterismo como usurpação do discernimento entre bem e mal, ignorando a presença no homem de algo incriado, o Intelecto, e que a queda consistiu precisamente na ruptura entre a razão e o Intelecto, entre o eu e o Ser.
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A gnose é acusada de reivindicar a prerrogativa da árvore proibida.
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Há na alma algo incriado e incriável, que é o Intelecto.
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A queda foi a ruptura entre a razão e o Intelecto, ruptura que afeta a humanidade sem poder ser absoluta.
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