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PRINCÍPIO SACRIFICIAL
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A existência humana encontra-se em suspensão entre o plano celestial e o terrestre, o que impõe ao indivíduo o direito aos dons da natureza e o dever espiritual de renunciar ao excesso para garantir a salvação.
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A harmonia entre as dimensões horizontal e vertical constitui a condição necessária para a imortalidade.
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A transparência metafísica dos símbolos e a deiformidade do espírito justificam a assimilação de fenômenos positivos, apesar das limitações da criação.
O princípio sacrificial manifesta-se na economia da natureza e da vida espiritual como uma renúncia necessária que permite a renovação da riqueza e a manutenção da existência.-
O repouso do sabat, do domingo, da sexta-feira, do alqueive e do ramadan exemplifica o ritmo de morte e renascimento inerente ao cosmos.
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A sobriedade e o sentido do sagrado atuam como garantias de estabilidade e felicidade na vida conjugal e social.
O equilíbrio das esferas individual e coletiva depende da presença de um elemento sacrificial regulador, cuja ausência provoca desajustes que a própria natureza acaba por cobrar.-
Adam e Eva, ao romperem esse equilíbrio pelo pecado original, introduziram a doença e a fome na economia terrestre.
A vida reta exige a capacidade de morrer para si mesmo através de renúncias que interrompem o fluxo cego da existência temporal e a reorientam para a imortalidade.-
A Lembrança de Deus atua como uma morte privativa em relação à manifestação horizontal e uma afirmação em relação ao Princípio.
A Vida eterna, embora pertencente à manifestação celestial, encontra-se transfigurada pela proximidade de Deus, não estando sujeita às privações e antinomias próprias do mundo terrestre.-
A assimetria entre os ordens resulta da incomensurabilidade entre Atma, a única Realidade, e Maya, a manifestação.
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Brahma representa o repouso divino entre as criações, distinguindo-se da dissolução cósmica ou pralaya.
O instinto sacrificial coincide com a nobreza de caráter e o domínio de si, qualidades que exigem uma disciplina necessária tanto para a percepção da verdade quanto da beleza.-
A piedade gera necessariamente a nobreza, independentemente do estrato social, por estar fundamentada na verdade.
A religião exerce uma função ecológica fundamental ao prover o quadro sacrificial e moral indispensável para a subsistência da sociedade e do indivíduo.-
As diferentes morais religiosas, embora divergentes, são realistas em suas respectivas perspectivas e oferecem proteções contra os riscos do destino.
A decadência e os abusos nas tradições milenares decorrem da natureza humana, mas a solução moderna de abolir o bem para evitar excessos é um erro que conduz ao suicídio progressista.-
O excesso de um bem é preferível à sua ausência total, contrariando a lógica das revoltas modernas.
A Igreja latina, ao institucionalizar a suspeição moral sobre a sexualidade em vez de integrá-la, gerou complexos de pecado e reações opostas que culminaram na opulência sensual da Renascença e do Barroco.-
O bloqueio do cristão médio impede a compreensão da sexualidade espiritualizada observada entre os orientais.
A guerra intertribal em culturas tradicionais e castas guerreiras, como os kshatriyas mencionados pelos hindus, fundamenta-se na ideia de que a ausência de provação conduz à degeneração social.-
A Bhagavadgita atesta que a luta entre heróis possui valor educativo para o caráter em sociedades que não são compostas majoritariamente por brahmanas.
O mundo ocidental moderno nega o princípio sacrificial através de um perfeccionismo irrealista e das noções de progresso que ignoram a hierarquia dos valores e a necessidade da dimensão interior.-
A estabilidade exterior é inalcançável sem o concurso do sacrifício, que atua como um vazio celeste integrador.
O princípio sacrificial, embora negativamente formulado, possui uma beleza intrínseca por estar enraizado no Bem Soberano, conforme ilustrado no Cântico dos Cânticos.-
O sacrifício deve ser realizado com amor e beleza, evitando a amargura que desvirtua a prática ascética, conforme as instruções do Sermão da Montanha.
A prática da virtude pelo homem e a concessão da graça por Deus são os elementos compensatórios que conferem serenidade e certeza ao espírito renunciante.-
Marie Madeleine exemplifica a recepção da graça divina através da oração e do isolamento contemplativo.
A distinção entre espírito e carne refere-se à direção da alma em relação a Deus, onde o espírito pode enobrecer o natural e a carne pode falsificar o que é sobrenatural.-
A arte sacra demonstra como elementos naturais podem aproximar o homem do Divino de forma indireta, contrariando visões puramente iconoclastas.
A philosophia perennis fundamenta-se na intelecção pura e no espírito, enquanto a filosofia da carne baseia-se no racionalismo individual e no protagorismo antigo desprovido de intuição sobrenatural.-
A aceitação da verdade transcendente implica uma morte simbólica das ilusões do ego e o renascimento em uma vida superior.
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