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SINTEMAS – SÍMBOLOS – EMBLEMAS

STABLES, Pierre. Deux clefs initiatiques de la “Légende dorée”, la kabbale et le “Yi-king”. Paris: Dervy, 1975

  • A DOUTRINA CRISTÃ E A MANIFESTAÇÃO HISTÓRICA DO SAGRADO
    • A espiritualidade pré-cristã era revelada por meio do simbolismo, estando imersa na obscuridade dos tempos não históricos, segundo a doutrina cristã.
    • O advento de Cristo marca a incarnação plena das verdades espirituais na história, substituindo as prefigurações simbólicas por seu desvelamento na luz da história, conforme a Légende Dorée.
    • A noite do nascimento do Senhor, a obscuridade foi mudada em claridade semelhante à do dia.
    • A função do tempo, para a Légende Dorée, é permitir a manifestação do sagrado oculto, exemplificada por um evento objetivo e simbólico durante a noite da Incarnação.
  • A VISÃO DO IMPERADOR OTÁVIO E DA SÍBILA
    • A aparição de uma Virgem com um criança, envolvida por um círculo dourado ao redor do Sol ao meio-dia, é interpretada como um sinal da aproximação do Senhor.
    • A Virgem, de beleza maravilhosa, portando uma criança no colo, apareceu no meio de um círculo dourado que cercava o Sol.
    • A síbila explicou a visão ao imperador César Otávio, afirmando que o menino era maior do que ele e deveria ser adorado, sendo a visão identificada como “o altar do Céu”.
    • O local da visão, o palácio, foi subsequentemente dedicado a Santa Maria, conhecido como “Santa Maria de Ara Coeli” (Ara quer dizer altar e refúgio, proteção e socorro).
  • A NATUREZA DA VISÃO COMPARTILHADA E SEUS EFEITOS
    • A visão foi um fenômeno objetivo, ocorrendo entre a Terra e o Sol em plena luz do dia, e não uma experiência interior subjetiva ou um sonho.
    • Tanto o imperador quanto a síbila consideraram a aparição como diretamente concernente a eles, demonstrando um egocentrismo a dois que foi compensado pela mensagem de humildade.
    • Esta alucinação audio-visual partilhada instala a humildade em duas almas que até então eram dominadas por suas possibilidades imperiais ou proféticas.
  • A CERTEZA DO SAGRADO ATRAVÉS DO SINAL GEOMÉTRICO
    • A presença do círculo dourado conferiu à visão o caráter de sagrado e sobrenatural, pois um fenômeno geométrico não era considerado natural.
    • A visão era sagrada porque um tal fenômeno geométrico não é da ordem das coisas naturais.
    • Sem o elemento geométrico, a representação da Virgem e do Menino seria interpretada como uma mera alucinação ou um sintema, carecendo de significado simbólico para não cristãos.
  • A DEFINIÇÃO DE SINAL, SÍNTEMA, SÍMBOLO E EMBLEMA SEGUNDO R. ALLEAU
    • Os sintemas são signos convencionais e profanos, inventados pelo homem para necessidades sociais ou relações lógicas, integralmente descritíveis pela linguagem comum.
    • Quando estes signos evocam ligações mútuas de natureza convencional e profana, inventados pelo homem para responder a necessidades sociais, ou para exprimir relações puramente lógicas e inteiramente racionais, são “sintemas”.
    • Os símbolos evocam ligações sagradas entre o humano e o divino, de origem misteriosa e não totalmente redutíveis à descrição racional.
    • Quando estes signos evocam as ligações sagradas entre o humano e o divino, de natureza tradicional e de origem misteriosa, exprimindo relações espirituais ou supra-racionais que não são integralmente descritíveis pela linguagem comum, são “símbolos”.
    • As figuras geométricas pertencem ao domínio do símbolo, constituindo uma geometria iniciática aplicável a questões metafísicas e ontológicas.
    • Com efeito, existe uma geometria puramente iniciática, cujos teoremas se aplicam às questões mais árduas da metafísica e da ontologia.
    • Os emblemas participam das naturezas do sintema e do símbolo, sendo inventados pelo homem, mas sugerindo ligações sagradas não totalmente redutíveis à razão, sendo o arquétipo da obra de arte.
    • Entre os sintemas e os símbolos, situam-se os emblemas que participam das naturezas destas duas categorias de signos.
  • A VISÃO COMO EMBLEMA E A DIMENSÃO CELESTIAL
    • A beleza maravilhosa da Virgem transforma a visão em um emblema, intermediário entre o profano e o sagrado, desenvolvendo uma vocação sobrenatural no imperador e na síbila.
    • O círculo dourado isola a aparição de uma interpretação meramente natural, significando a Virgem “celestial”, um princípio transcendente e não criado que se incarnou.
    • A Virgem era “maravilhosamente bela”.
    • O conceito de separação, significada pelo círculo, coexiste com a representação da incarnação de uma entidade celestial potencial que se torna atual.
  • A DISTINÇÃO ENTRE “CELESTIAL” E “CELESTE”
    • É necessária uma distinção terminológica para evitar confusões graves entre o “celestial” (referente ao mundo das ideias e princípios transcendentes) e o “celeste” (referente ao céu astronômico).
    • O estado celestial não é de forma alguma da ordem da imaginação, no sentido atual desta palavra.
    • O termo “celestial” é adotado para designar o domínio do mundo das ideias, evitando a ambiguidade da palavra “celeste”.
  • A POSIÇÃO DA VIRGEM CELESTIAL EM RELAÇÃO AO SOL E AO CÉU
    • A Légende Dorée posiciona a Virgem celestial simultaneamente diante do Sol, em relação à humanidade, e no altar do Céu, em um estado anterior à criação do Sol.
    • O altar do Céu é “antes” do centro criador e regente do próprio Sol e do Universo.
    • Esta posição relativa e absoluta indica tanto a relação com a humanidade sob o Sol quanto a precedência eterna e transcendental do princípio que ela representa.
  • A SIGNIFICAÇÃO INTELECTUAL DA VIRGEM-MÃE CELESTIAL
    • A Virgem-mãe celestial significa a potencialidade eterna de incarnação, sem aporte natural (sem varão), de um princípio transcendente no mental humano.
    • Trata-se de uma possibilidade de geração espontânea, em nosso mental considerado natural, de uma vida espiritual supramental.
    • A representação mental do estado anterior à criação do Sol corresponde à noite primitiva da Gênese, um estado não regido pelo tempo solar.
  • O SIMBOLISMO DA VIRGEM NEGRA E DA VIRGEM BRANCA
    • A Virgem Negra com o Menino Jesus branco simboliza a realidade primordial não objetiva e “obscura” do princípio celestial anterior à criação da luz solar.
    • A Virgem branca com o Menino branco, entre a Terra e o Sol, significa os aspectos temporais e solares do poder de incarnação ao longo da existência do sistema solar.
    • A representação da Virgem celestial branca e de seu filho branco, entre a Terra e o Sol, significa os aspectos temporais do poder de incarnação desde o início do sistema solar, e isso até o seu fim.
  • A DEFINIÇÃO DO MÉTODO DE INTERPRETAÇÃO E O PAPEL DO YI-KING
    • O trabalho proposto utiliza o sistema de signos do Yi-King para interpretar o que é de ordem mental na Légende Dorée, sem fundir os domínios cristão e chinês, mas comparando suas bases intelectuais e anímicas.
    • Não se compara com uma ideia de fusão os símbolos e emblemas cristãos aos símbolos, sintemas e emblemas do Yi-King.
    • Busca-se compreender o que os Taoístas, graças à classificação sistematizada e interpretada dos signos que é o Yi-King, descreveram em situações idênticas ou análogas às que são descritas pelos símbolos e emblemas da Légende Dorée.
    • O estudo da “Terra anímica”, substrato revelado pelo Yi-King, permite perceber o que é emocionado e movido em nossa “anima” quando os símbolos e emblemas cristãos se apresentam.
  • A DISTINÇÃO ENTRE SÍNTEMAS E SÍMBOLOS NO YI-KING
    • Os hexagramas do Yi-King são majoritariamente sintemas, pois descrevem situações naturais ou objetos utilitários, e não símbolos.
    • Os signos hexagramáticos, profundamente pensados e com uma lógica de representação particular, descrevem situações naturais, quando não são objetos utilitários sobre os quais se reflete.
    • Os verdadeiros símbolos, como a suástica e o Taiji, encontram-se nos comentários taoístas e não entre os sessenta e quatro hexagramas.
    • O tipo mesmo de verdadeiros símbolos, tais como a suástica e o Taiji, não está entre os sessenta e quatro signos do Yi-King, mas em seus comentários taoístas.
  • A INTERPRETAÇÃO PSICOLÓGICA DAS NOÇÕES DE “MEIO” E “CENTRO” PELO YI-KING
    • O Yi-King oferece uma interpretação psicológica para as noções de “meio” e “centro” presentes na narrativa da Légende Dorée.
    • A imagem de um “homem de pé no centro do Universo” é descrita e analisada no parágrafo 383.
    • O sentido é este: o homem dotado assegura o destino dos povos; o governo do Rei estende-se sobre a multidão inumerável.
    • Como o sol no meio de seu curso, ele ilumina o universo.
    • A noção de centro é associada a um Príncipe que ocupa dignamente seu posto, mas que, sendo perfeito, sofre eternamente.
    • Este Príncipe tem os inconvenientes da perfeição, sofre eternamente.
  • A TRANSPOSIÇÃO DAS NOÇÕES DO YI-KING PARA A LÉGENDE DORÉE
    • As noções de quadrado (Terra) e redondeza (espiritualidade) no Yi-King iluminam os papéis do imperador e da síbila e o significado do círculo dourado na visão.
    • A noção de quadrado (a Terra) é representada na Légende Dorée pelo imperador. A síbila representa a Profecia e a adivinhação.
    • Quanto à noção de redondeza, encontra-se o seu sentido no Yi-King: é a espiritualidade.
    • O Yi-King esclarece notavelmente a Légende Dorée ao atribuir a um personagem feminino (yin) o significado de potencialidade e plasticidade universais de ordem espiritual, dominando a natureza e pronta a nela descer.
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