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GVEI 57-67 CONSTITUIÇÃO OBJETIVANTE E O DESVELAMENTO DA ESSÊNCIA OBJETIVA
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Após evidenciar o fenômeno geral da encarnação abstrata que caracteriza a subjetividade objetivante, torna-se mais fácil apreender a natureza das relações entre essência e existência tanto do ponto de vista da subjetividade cognoscente quanto do ponto de vista da realidade objetivada que ela visa.
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A subjetividade lógica apreende essências não separadas, mas imersas na existência, por meio de conceitos unidos à sensibilidade e à imaginação.
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A análise kantiana dos conceitos do entendimento em suas relações com a intuição sensível se aplica ao modo de conhecimento da subjetividade objetivante, mas requer correção em dois pontos essenciais.
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O conceito não constitui o ser mesmo da experiência, mas é uma projeção mental que permite desvelar o real segundo a modalidade objetivante da subjetividade lógica.
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Na estrutura objetivante, a subjetividade transcende-se em direção ao mundo existente, que apreende como ser e não como fenômeno ou manifestação de uma inacessível coisa em si.
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O conceito como projeção mental da subjetividade é o que permite desvelar a essência objetiva.
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O conceito visa essa essência não apenas como lei de sucessão dos fenômenos, mas como estrutura orgânica objetivamente realizada no existente.
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A finalidade não é objeto de um simples juízo reflexionante, mas pertence efetivamente à estrutura objetiva do real em certo nível da experiência total.
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O conceito é o signo de uma atividade do sujeito definida como vontade de potência, implicando uma espécie de violência feita ao real e uma recusa de tudo que possa obstar ao desejo de inteligibilidade racionalizante e objetivante.
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Essa atividade, no nível psicológico-empírico, é essencialmente negativa: não consiste em informar um real prévia e formalmente espoliado, mas em descobrir no real o que corresponde ao desejo de inteligibilidade racional.
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A atividade projetante do conceito consiste essencialmente na recusa de desvelar no real existente o que não corresponde ao imperialismo de seu desejo de inteligibilidade objetivante.
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Essa atividade não é criadora: é porque o real já está implicitamente desvelado diante da subjetividade objetivante que esta pode exercer sua atividade de projeção conceitual, permitindo que a essência se desvele de forma explícita.
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O papel da experiência na projeção do conceito consiste no desvelamento implícito da essência objetiva imersa no real existente, processo semelhante à abstração metafísica da noética aristotélico-tomista.
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A projeção do conceito ao contato com a experiência visa a universalidade racional imanente à experiência, excluindo as determinações propriamente individuais nas quais essa universalidade se realiza.
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O conceito é menos uma criação do espírito do que um ato espiritual que, ao contato com a experiência, visa precisamente nela o que corresponde ao desejo de inteligibilidade.
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O conceito é tanto mais profundamente engajado no jogo das potências sensíveis quanto mais a essência objetiva que visa e permite desvelar explicitamente só existe enquanto engajada na imanência da experiência sensível.
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Os dados sensíveis intervêm de dupla maneira na dinâmica da projeção conceitual e do desvelamento da essência objetiva.
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Primeiro, os dados sensíveis despertam a atividade de projeção inteligível do sujeito: a experiência é de início inteligível, mas de modo confuso e mutilado, e o conceito consiste no esforço incessante de tecer a rede de relações coordonadas ou hierarquizadas nas quais se inserem a totalidade dos seres ou fenômenos do mundo existente.
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Segundo, os dados sensíveis intervêm na confirmação da projeção conceitual, como na verificação experimental que sucede à hipótese no trabalho do cientista.
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No momento do desvelamento explícito da essência, a subjetividade percebe a essência na própria experiência, em atividade aparentemente mais passiva em que a inteligência apreende intuitivamente uma essência pertencente ao real.
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A intuição cartesiana das naturezas simples corresponde exatamente a esse momento capital, logicamente distinto do da projeção conceitual, cuja descrição pesou excessivamente sobre a análise kantiana do entendimento humano, voltada exclusivamente ao aspecto discursivo e criador da subjetividade lógica.
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O aspecto criador não desaparece inteiramente no momento intuitivo do desvelamento explícito da essência objetiva, pois esse desvelamento é condicionado pela projeção conceitual, ela mesma determinada pela decisão prévia de descobrir na experiência apenas o que se coaduna com o imperialismo da vontade de potência.
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Essa dialética da projeção do conceito e do desvelamento da essência exige o recurso a uma atividade diferente do sujeito, que se situa em outro plano e torna possíveis tanto a projeção quanto o desvelamento.
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Essa atividade é a constituição, termo tomado à fenomenologia husserliana, pela qual a subjetividade transcendental constitui as significações essenciais que a subjetividade empírica desvelará na experiência sob forma de essências objetivas.
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Para que a subjetividade possa descobrir uma significação ao nível de uma experiência que lhe é dada, é necessário que essa significação não lhe seja estranha, e que a subjetividade participe, de alguma maneira, do movimento espiritual que a constitui.
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No empirismo tomista, o intelecto agente que extrai do sensível o inteligível nele contido em potência participa de alguma maneira da Inteligência criadora de Deus, que criou o ser sensível projetando a essência inteligível sobre o plano da existência espaço-temporal.
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Todo empirismo é, em última análise, inconscientemente tributário de uma perspectiva ambígua que admite implicitamente uma participação da inteligência humana no Verbo transcendente.
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Se se recusa à subjetividade humana toda relação de participação com a Transcendência, é necessário admitir que essa mesma subjetividade constitui, no plano transcendental, as significações que será capaz de descobrir.
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As significações constituídas pela subjetividade transcendental objetivante não são mais intemporais do que a própria subjetividade temporalista, sendo ontologicamente imanentes à existência espaço-temporal.
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A subjetividade transcendental objetivante constitui necessariamente essas significações essenciais em correlação com seu movimento de transcendência em direção ao mundo.
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Essa atividade constituinte emana da subjetividade transcendental considerada em seu centro e princípio espiritual, não enquanto encarnada, espacializada e temporalizada, mas como origem imanente da temporalidade e da espacialidade.
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Essa subjetividade constitui essas significações apenas como relações universais destinadas a se atualizar na imanência da experiência e não tendo realidade senão nessa atualização.
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A subjetividade objetivante, considerada em sua raiz transcendental, constitui a essência como processo de existencialização, segundo um esquema que importa evidenciar.
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O nó de relações que constitui a essência situa-se sempre no plano de uma universalidade abstrata, embora encarnada e existencializada.
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Esse nó é a réplica, no plano da realidade objetiva intencionalmente visada pela subjetividade objetivante, da encarnação abstrata que constituía a natureza essencial desta última.
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A significação essencial constituída pela subjetividade transcendental objetivante nunca visa, ou melhor, nunca constitui um ser em toda a densidade ontológica de que esse termo é capaz, mas uma entidade abstrata.
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Embora a essência só possa ser concebida como individualizada e encarnada no plano da existência espaço-temporal, sua noção é diferente da noção de ser individual.
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Na deficiência ontológica inerente à abstração desse ato constituinte reside a objetivação que caracteriza a vontade de potência da subjetividade objetivante, e a universalidade abstrata da essência encarnada constitui a objetividade no sentido ontológico.
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Essa abstração é profundamente ligada à encarnação ou à imanência da essência na existência espaço-temporal.
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A objetivação não está ligada à posição da essência em geral nem à da universalidade em geral, mas à posição de uma essência ao mesmo tempo universal, abstrata e encarnada.
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A essência é universal no sentido de aplicar-se a um número indefinido de realidades particulares; abstrata no sentido de mover-se à superfície do ser, como as leis da física matemática ou as essências específicas da biologia; encarnada no sentido de que a essência objetiva só tem realidade em seu ato de inserção no quadro individualizante do espaço e do tempo que ela própria constitui em seu desdobramento.
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A universalidade, a abstração e a encarnação constituem a tripla condição do processo de objetivação que caracteriza a vontade de potência da subjetividade lógica.
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À encarnação abstrata da subjetividade cognoscente, necessariamente individualizada embora não individual, corresponde a encarnação abstrata da essência universal, que também é sempre individualizada em realidades singulares, mas não individual.
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O desvelamento da essência objetiva integra-se, com a projeção do conceito e a constituição da significação essencial, à dialética epistemológica que caracteriza a subjetividade objetivante.
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A subjetividade objetivante desvela o mundo como um conjunto de essências imanentes à experiência ou existencializadas, e nisso consiste a transdescendência objetivante em direção ao mundo existente.
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Não se trata de uma transcendência em direção à existência concreta, envisagée como a totalidade dos predicados que definem os seres individuais em sua intimidade singular, mas de uma transcendência em direção ao que convém chamar de existência abstrata.
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A singularidade das determinações da experiência espaço-temporal nunca é senão a abstrata tradução da universalidade da essência: tal cor aparece como exemplar da cor em geral, tal homem concreto como exemplar qualquer da humanidade em geral, mas não como tal ser individual envisagé como totalidade singular e concreta.
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O desvelamento da essência objetiva consiste na apreensão quase intuitiva pela subjetividade empírica objetivante da essência universal e abstrata no coração mesmo da existência em que ela se encarna.
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A essência é projetada sobre a existência apenas no nível do processo transcendental e quase cosmogônico da constituição, logicamente impossível de recusar se não se admite o recurso metafísico ao processo transcendente da criação ou da participação.
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A existência é implicitamente visada como o termo último da intencionalidade da subjetividade em direção ao mundo, mas como o termo sempre oculto, recalcado e recoberto pela expansão da inteligibilidade racional, abstrata e objetivante.
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No plano empírico, a essência não é projetada pela subjetividade, mas desvelada no coração dessa existência abstrata.
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A objetivação que caracteriza a transcendência da subjetividade em direção ao mundo existente determina a objetividade como independência da realidade em relação à subjetividade.
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Essa independência está ligada ao fato de que a subjetividade empírica encontra o objeto, ou seja, a essência objetiva abstrata e encarnada que se desvela para ela.
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Essa encontro pelo sujeito empírico é explicitamente postulado como idêntico para qualquer sujeito empírico, pois cada um desses sujeitos não é senão um exemplar qualquer da subjetividade transcendental que tampouco existe senão enquanto encarnada e individualizada.
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A objetividade, que implica a encontro de uma essência individualizada pela subjetividade empírica, funda-se igualmente sobre a constituição universal de uma essência abstrata pela subjetividade transcendental.
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A objetividade, intimamente ligada à aparência de desapego e de quase-passividade diante do real, só aparentemente se opõe à vontade de potência que caracteriza a subjetividade objetivante.
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A independência aparente da essência objetiva e seu acolhimento pela subjetividade empírica não deve mascarar que a subjetividade transcendental que constitui a significação essencial e objetiva é a essência mesma da subjetividade empírica.
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A aparência de desapego da subjetividade empírica deve ser referida à atividade fundamental pela qual a subjetividade transcendental individualizada projeta sobre o existente bruto significações ou essências objetivas.
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No acolhimento objetivo e desinteressado que caracteriza o desvelamento objetivante, manifesta-se a implícita decisão da Vontade que inclinou a Inteligência individualizada no sentido de uma visão totalizante, embora limitante e mutilante, do real.
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O desvelamento do real está sempre subordinado, aqui como em cada uma das estruturas temporais da subjetividade temporalista, ao Querer fundamental e deformante que pesa sobre a Inteligência enquanto ela se recusa a toda relação positiva de participação com a Transcendência, tanto no plano ontológico quanto no gnoseológico.
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A dimensão do presente resulta precisamente dessa transcendência objetivante em direção à essência atualizada, existencializada ou individualizada.
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A projeção do conceito implica uma abertura permanente sobre um futuro indefinido e inesgotável, marca da existência em sua oposição à plenitude imóvel e acabada da essência metafísica ou simplesmente lógica.
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O presente é o ponto de ancoragem da subjetividade ao real existente, ou seja, à plenitude abstrata da essência encarnada.
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O presente não é tanto o lugar de passagem de um possível que nele se atualiza para desaparecer irrevogavelmente no passado, quanto o que permite à subjetividade superar o risco de tal aniquilamento.
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Cada uma das determinações que a essência revela em seu incessante devir integra-se à presença fundamental da essência desvelada.
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O passado é a essência em sua realidade espiritual mais profunda, que aparece como ser e plenitude e não como nada.
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O futuro, que não é nem indeterminado nem imprevisível, é a essência objetiva enquanto visa a existência abstrata na qual precisa atualizar-se, sendo essa atualização a garantia e o signo de sua realidade.
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A subjetividade objetivante desvela, no nível do real objetivo, uma temporalidade tão abstrata e tão pouco trágica quanto aquela em que ela mesma se encontra mergulhada como subjetividade empírica.
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A natureza da presença ao mundo que une a subjetividade ao real existente constitui o tempo como presente continuado, fundado sobre um passado que lhe confere densidade ontológica e significação, e projetado em direção a um futuro que lhe assegura permanência e continuidade.
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O primado da dimensão do presente provém do fato de que a subjetividade, em seu movimento de transcendência em direção ao mundo existente, não visa a existência em sua contingência e opacidade originárias, mas enquanto mediatizada pela essência a que ela permite atualizar-se.
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É essa visada da essência existencializada que confere ao presente esse aspecto de permanência oposto ao aspecto fugitivo que muitas vezes lhe é atribuído e que se analisará nas outras estruturas temporais.
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