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AMOR DE SI E AMOR DE DEUS

JEAN BORELLA. La Charité profanée. Subversion de l’âme chrétienne. Paris: Éditions du Cèdre, 1979.

Introdução

A ilusão mortal de um amor natural dos outros aparece agora em toda sua nitidez. Por aí mesmo que o outro é outro, não me é possível amá-lo verdadeiramente, a menos de uma conversão interior. O calor, o poder, a amplitude do amor natural não podem nada mudar ao fato da pluralidade dos egos. O poder caritativo pode muito bem recobrir a separatividade existencial de um véu de afecção unitiva, ela não poderia aboli-la sobre seu próprio plano: ela não pode senão mentir à realidade. O amor natural dos outros é uma mentira, talvez nada subjetiva e voluntário, mas objetivo e apesar de todos nossos esforços.

Dizemos “talvez”, pois segundo uma expressão de Bazán Manifestação e Natureza, este amor é frequentemente “petrificado de amargura”: “A existência (daqueles que negam Deus) é condenado a uma espécie de divindade, ou melhor a um simulacro de divindade, donde esta aparência de superioridade da qual falamos, este sentir-à-vontade marmóreo que se combina voluntariosamente com uma caridade petrificada de amargura levantada no fundo contra Deus”.

  • Amor de si, remorso e nudez interior
  • Realização da nudez interior em seu protótipo crístico
  • Acesso à proximidade interior
  • A crucificação alquímica
  • Notas sobre amor e gnose
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