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INTELECTO OU CONHECIMENTO INTUITIVO

JEAN BORELLA. La Charité profanée. Subversion de l’âme chrétienne. Paris: Éditions du Cèdre, 1979.

  • A conhecimento mental, em seu exercício ordinário submetido à razão e também chamado de alma racional, procede discursivamente por meio do conceito, que medeia a dupla exigência de ir do mundo à razão e da razão ao mundo, embora a conhecimento em si mesmo seja sempre intuitivo, uma percepção direta e unificadora de seu objeto.
    • O processo de conhecimento é discursivo, envolvendo uma corrida dividida entre duas direções.
    • O conceito é o meio e a mediação desse processo discursivo.
    • A intuição, como visão ou audição, é o ato final e próprio da conhecimento.
  • A natureza intuitiva da conhecimento é uma evidência primeira e indefinível, pois conhecer é ver o que é, e somente o processo de aquisição ou validação do conhecimento é que pode ser discursivo, exigindo, no ato cognitivo final, uma união direta e transparente entre sujeito e objeto inteligível.
    • A conhecimento não pode ser definida por ser um dado primordial e irredutível.
    • A metáfora da visão é adequada porque a própria visão é um modo sensível de conhecimento.
    • A confiança no ato cognitivo intuitivo é indispensável para qualquer conhecimento, sob pena de se cair em ceticismo.
  • Com o intelecto, distinto da realidade psico-corporal, entra-se em um domínio onde a individualidade e a existência, que andam juntas no plano psico-corporal, são transcendidas, pois o ato de conhecimento implica uma abertura universal do intelecto ao inteligível do objeto, que é recebido despojado de sua existência individual.
    • A existência psico-corporal é a vida de um ser individual e fechado em si mesmo.
    • O intelecto, ao contrário, caracteriza-se por uma transparência e abertura quase universais.
    • O objeto é conhecido por sua modalidade inteligível, não por seu ser individual impenetrável, o que implica uma desrealização no ato de conhecer.
  • O intelecto é definido como o sentido do real, uma faculdade que, paradoxalmente situada fora do real e a ele ligada, só pode ser explicada por uma luz transcendente que o ilumina, representável como um ponto central da alma mental onde incide um eixo vertical de uma realidade superior.
    • A realidade só tem sentido para o intelecto, que distingue o real do irreal.
    • A nota de rodapé apresenta a existência do intelecto como uma prova irrefutável da suprema Realidade divina, pois Deus é o conteúdo implícito de todos os atos intelectuais.
    • A transcendência da luz intelectual em relação ao plano de sua manifestação justifica a imagem do centro do círculo como ponto de encontro com o domínio psíquico.
  • A imagem do círculo com centro no intelecto e raios emanando para a razão ilustra as funções cognitivas, onde os raios (razão) ordenam a superfície mental e a ligam ao centro, os princípios racionais se impõem intuitivamente por refletirem uma luz supra-mental, e a superfície do círculo (o mental) constitui o meio humano que reveste o conhecimento de forma abstrata, cujo conteúdo inteligível se realiza no contato entre o inteligível externo (mundo) e o interno (intelecto).
    • A razão tem um papel arquitetônico e regulador, estabelecendo a relação (ratio) entre a periferia e o centro.
    • O teorema de Gödel é citado em nota como exemplo da imposição intuitiva de um princípio (não-contradição) que não pode ser demonstrado.
    • O ato de conhecimento é a atualização recíproca do intelecto e do inteligível no mundo.
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