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SÍMBOLO (ORIGEM GREGA)

BORELLA, Jean. Le mystère du signe. Paris: Maisonneuve Larose, 1989.

  • O termo símbolo provém do grego symbolon, transmitido pela forma latina symbolum, derivando do verbo sym-balleïn e de vocábulos aparentados, cujos sentidos convergem para a ideia de estar junto e de movimento, de onde se consolidam acepções como lançar junto, unir, reunir e pôr em contato, sem que disso se conclua legitimamente um sentido primitivo estritamente topológico tal como pretende R. Alleau ao invocar Pausanias.
    • Transposição grega-latina: symbolon para symbolum.
    • Derivação a partir de sym-balleïn, symbolaïon e symbolè.
    • Elemento sym- como estar junto e com.
    • Elemento balleïn como movimento, base do sentido de lançar.
    • Sentidos lexicais: lançar junto, unir, reunir, pôr em contato.
    • Referências nominais: R. Alleau e Pausanias.
    • Antiguidade da dispersão semântica de symbolon e da família lexical.
    • Obra citada: De la nature des symboles.
    • Rejeição da equivalência simballeïn como ligar junto, aproximar, comparar, confrontar, pressentir.
    • Contestação do símbolo como simples tessera, tabuleta, anel partido e outros objetos de reconhecimento.
    • Enumeração de acepções derivadas: marca, índice, sinal de ralliement, emblema, presságio, contrato, convenção.
    • Proposta de Alleau de retomar synthéma para designar todo tipo de vínculo mútuo.
    • Distinção funcional: synthème como vínculo intelectual e social; símbolo como elevação da alma ao sagrado e ao divino.
  • Apesar das afirmações de R. Alleau, a lexicologia não confirma a substituição de symbolon por synthèma, pois embora synthèma e syntithèmi ocorram com o sentido de vínculo e de ligar, sua dispersão semântica permanece muito menor que a de symbolon, impondo-se aceitar o uso grego amplo e reconhecer que no vocabulário do simbolismo nenhuma distinção técnica se estabiliza sem ser contrariada pelo uso.
    • Ocorrência de synthèma como vínculo mútuo.
    • Syntithèmi como base verbal para ligar e prender.
    • Frequência e extensão semântica mais restritas que as de symbolon.
    • Necessidade de acomodar-se ao uso pouco preciso.
    • Caráter típico do léxico do simbolismo.
    • Distinções especializadas sem respaldo em uso fixo.
  • Não há motivo para rejeitar a definição erudita dominante do símbolo como signo de reconhecimento, objeto material ou fórmula para reconhecimento entre iniciados, desde que se preserve o sentido dinâmico de balleïn e se compreenda que o signo exige realização, pois a metade do anel rompido chama a outra metade que lhe confere plena realidade, tornando o símbolo simultaneamente vínculo mútuo e nó social eficaz apenas quando a junção é efetivamente operada.
    • Definição: signo de reconhecimento.
    • Objeto material ou fórmula ligada à iniciação.
    • Sentido dinâmico associado a balleïn.
    • Exigência de ato de realização e cumprimento.
    • Metáfora das duas metades do anel.
    • Símbolo como ligação, relação e nó social.
    • Eficácia dependente da junção realizada.
    • Duplo papel: orientar a busca da reunião e certificar a reunião.
    • Prova objetiva: encaixe exato das duas metades.
  • Em Platon encontra-se no Banquet a utilização de symbolon em perspectiva mística e metafísica, quando Aristophane afirma que cada um é um símbolo de homem por ter sido cortado como limanda e por isso buscar sempre o próprio símbolo, o que permite a Guigniaut reconstruir o sentido primitivo como coisa composta de dois e seguir a ampliação progressiva do termo até sua inserção na esfera religiosa e mistérica.
    • Referência: Platon e o Banquet, passagem 191 d.
    • Personagem citado: Aristophane.
    • Fórmula: anthropou symbolon.
    • Imagem: corte à maneira das limandas.
    • Consequência: de um ser surgem dois.
    • Busca do próprio símbolo como busca da metade correspondente.
    • Autor citado: Guigniaut e sua dissertação.
    • Sentido primitivo proposto: coisa composta de dois.
    • Uso hospitalar: tabletes quebrados, symbola, symbolaia, tesserae hospitales.
    • Conservação pelas partes como gage de contrato mútuo.
    • Extensões: gage, signo de reconhecimento, palavra de ordem, tesserae militares, palavra convida, anel nupcial.
    • Evolução semântica: signo em oposição à coisa significada.
    • Inserção religiosa: relações homem-deuses não explicáveis, apenas interpretáveis.
    • Relação com doutrina secreta e culto superior nos mistérios.
    • Emblemas e fórmulas dos iniciados como símbolos de reconhecimento.
  • Após o texto do Banquet, pretende-se oferecer ilustrações adicionais das significações para apreender o espírito que unifica o campo semântico de symbolon e eventualmente enriquecê-lo por nuances.
    • Continuidade metodológica após o exemplo platônico.
    • Finalidade de unificar o campo semântico.
    • Possibilidade de acrescentar nuances ao entendimento.
  • O uso técnico do termo aparece associado aos pitagóricos e aos neoplatônicos, sem excluir vocábulos como allegoria, sèma e hyponoïa, conforme Porphyre e Jamblique, que descrevem a exortação de Pythagore de modo discursivo e simbólico e a comunicação por símbolos entre pitagóricos diante de profanos, enquanto Plotin aplica o termo ao modo pitagórico de nomear o Um por Apollon como negação da pluralidade.
    • Grupos mencionados: pitagóricos e neoplatônicos.
    • Vocábulos correlatos: allegoria, sèma, hyponoïa.
    • Autores citados: Porphyre e Jamblique.
    • Pythagore exortando de maneira discursiva e simbólica.
    • Expressões gregas citadas: dîexodikôs, symbolikôs.
    • Exposição segundo trope mystérico.
    • Comunicação a mots couverts por símbolos na presença de estrangeiros.
    • Autor citado: Plotin.
    • Problema do nome do Um.
    • Designação simbólica: Apollon como negação da pluralidade.
  • Embora symbolon tenha patronagem pitagórica e neoplatônica, a realidade designada é apresentada como mais antiga e remontando ao Egito, de onde Pythagore a teria trazido, segundo Porphyre e segundo Jamblique, que vinculam a doutrina às stèles d’Hermès examinadas por Platon e por Pythagore e descrevem a teologia egípcia como produção de cópias simbólicas das intellections mystiques em analogia com a natureza e a criação divina.
    • Antiguidade anterior aos pitagóricos.
    • Origem evocada: Egito.
    • Porphyre: Pythagore frequentando sacerdotes egípcios.
    • Iniciação na sabedoria e na língua dos Egypciens.
    • Três espécies de letras: epistolographiques, hiéroglyphiques e symboliques.
    • Escrita kyriologique mencionada via Clément d’Alexandrie.
    • Procedimento allégorique por énigmes.
    • Jamblique: Les Mystères d’Egypte.
    • Interlocutor suposto em forma epistolar.
    • Antiques stèles d’Hermès como fonte.
    • Platon e Pythagore como leitores dessas stèles.
    • Imitatio: natureza universal e criação divina como modelos.
    • Cópias simbólicas de intellections mystiques escondidas e invisíveis.
    • Natureza exprimindo razões invisíveis por formas aparentes.
    • Criação divina esboçando Idées por cópias visíveis.
    • Convite à interpretação intelectual dos símbolos segundo inteligência egípcia.
  • Afirma-se a existência de simbolismo natural e cosmológico ao qual corresponde simbolismo tradicional ou sagrado no plano cultural, com formas sensíveis, palavras e gestos de finalidade noética ou didática e sobretudo ritual, incluindo a teurgia cujas obras ordinárias comportam causas suprarracionais e símbolos consagrados de toda eternidade aos seres superiores.
    • Simbolismo natural e cosmológico.
    • Simbolismo cultural tradicional ou sacro.
    • Formas sensíveis, palavras e gestos.
    • Finalidade noética e didática.
    • Primazia da finalidade ritual.
    • Teurgia como quadro de referência.
    • Causa ineffable e suprarationnelle.
    • Símbolos consacrés de toute éternité aos seres superiores.
  • Símbolos culturais e rituais são instituídos, mas essas instituições são atribuídas aos deuses por conformidade ao ordenamento inteligível e celeste, possuindo medidas eternas e sinais maravilhosos pelos quais o démiurge e o pai de tudo fazem exprimir segredos indicíveis, encerrando o invisível em formas e representando o superior por imagens.
    • Instituições provenientes dos deuses direta ou indiretamente.
    • Conformidade ao ordem do divino.
    • Imitação do ordem intelligible e do ordem céleste.
    • Medidas eternas do ser.
    • Signos merveilleux.
    • Envio pelo démiurge e pai de tudo.
    • Expressão de segredos indicíveis por símbolos misteriosos.
    • Invisível encerrado em formas.
    • Superior representado por imagens.
  • O uso do simbolismo não se limita a pitagóricos e egípcios, pois Plutarque afirma que entre gregos e bárbaros a physiologia aparecia como exposição física ocultada em mitos e que sobretudo as liturgias iniciáticas e os ritos simbólicos dos sacrifícios manifestam a pensamento dos antigos.
    • Ampliação do campo: todos os antigos.
    • Autor citado: Plutarque.
    • Grecs e Barbares.
    • Physiologia como discurso físico em mitos.
    • Exemplos: poemas orphiques e lendas egípcias e frígias.
    • Primazia: liturgias de iniciação aos mistérios.
    • Ritos simbólicos dos sacrifícios.
  • A afinidade entre simbolismo e liturgia revela-se pelo fato de que o simbolismo sagrado, fundado no simbolismo natural do mundo sensível, atinge no rito seu cumprimento e realiza sua essência, de modo que a verdadeira hermenêutica não é a glosa intelectual mas a ação ritual que insere o símbolo na ordem sacramental.
    • Fundamentação do simbolismo sagrado no mundo sensível.
    • Rito como lugar de cumprimento.
    • Essência realizada na ação.
    • Hermenêutica como prática e não apenas explicação.
    • Entrada do símbolo na ordem sacramental.
  • Os exemplos apresentados mostram que symbolon e seus derivados caracterizam para os gregos tanto a natureza icônica do mundo sensível quanto a significação esotérica das formas culturais do sagrado acessível por hermenêutica adequada, bem como a dimensão mística e divina das liturgias e dos sacrifícios.
    • Mundo sensível como icônico.
    • Linguagem das formas culturais do sagrado.
    • Necessidade de hermenêutica apropriada.
    • Dimensão mística e divina do rito e do sacrifício.
  • O termo symbolon não é o único empregado nesses usos, pois também ocorre frequentemente o vocabulário de allégorie, allégorique e allégoriquement, o que conduz ao exame breve de textos das tradições judaica e cristã de língua grega.
    • Coocorrência de termos de allégorie.
    • Transição para tradições judaica e cristã em grego.
    • Anúncio de exame de textos.
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