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VIA MÍSTICA
BORELLA, Jean. Ésotérisme guénonien et mystère chrétien. Lausanne: L’Age d’Homme, 1997.
Introdução
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A afirmação recorrente em leitores de Guénon e no próprio Guénon de que a ausência de uma elite espiritual católica que manifeste exteriormente a compreensão efetiva do sentido profundo da tradição é um indício de sua inexistência é um argumento surpreendente.
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O argumento supõe que o observador tenha capacidade de fazer essa constatação e conhecimento completo da situação de uma Igreja com mais de um bilhão de membros.
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A reserva de Guénon sobre não ter conhecimento completo da organização atual da Igreja é insuficiente, pois seria necessário não só conhecimento completo, mas também capacidade de apreciar os indícios observados.
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A questão de fundo é se a hermenêutica guénoniana está ajustada à natureza da revelação cristã, pois embora a árvore se julgue pelos frutos, é preciso saber quem pode gustar esses frutos.
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A pertinência dessa questão é particularmente relevante em relação ao julgamento de Guénon sobre a via mística, pois, embora seja legítimo distinguir vias e denunciar confusões, é necessário ter conhecimento efetivo de ambas e fundamentar os juízos em elementos razoavelmente apreciáveis por qualquer leitor de boa fé.
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Os únicos elementos objetivamente apreciáveis sobre a mística são os textos e palavras dos próprios místicos, já que sua realidade interior e grau de realização são inobserváveis e conhecidos apenas por Deus.
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Um segundo elemento de apreciação poderia ser o julgamento autorizado da Tradição religiosa sobre o místico ou santo, mas este se expressa nas categorias da Igreja, tornando problemáticas as apreciações comparadas.
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A constatação de que Guénon, embora tenha dedicado páginas à questão da mística e invocado o critério do linguagem dos místicos, não cita nenhum texto específico em apoio às suas teses, mencionando apenas dois nomes, Anne-Catherine Emmerich e São João da Cruz, além de Louis-Claude de Saint-Martin em situação marginal, revela que a mística de que fala só tem existência dentro de seu próprio discurso.
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Para conhecer a verdadeira natureza da via mística, é necessário dar a palavra aos próprios místicos e fazer ouvir a voz do cristianismo tal como em si mesma.
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Não há outro método para colocar cada coisa em seu lugar sem desconhecer o dom de Deus nas almas que Ele gratificou com seu conhecimento.
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Antes de deixar falar alguns místicos, é necessário restituir ao termo mística sua significação autêntica conferida pela tradição cristã, significação que se inscreve na evolução do mistério cristão desde a designação do conteúdo da doutrina, passando pelas ações sacramentais da liturgia, até identificar-se, do século IV aos tempos modernos, com a essência da vida espiritual.
A Via Mística (Tópicos)
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À escuta da palavra cristã
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Crítica a Guénon e alguns de seus seguidores, por não reconhecerem uma elite espiritual em ação na Igreja
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Retorno aos textos dos místicos cristão em busca de elementos objetivamente apreciáveis, uma vez que a crítica de Guénon ao misticismo não parece de todo justa
O que os Padres entendiam por “mística”Natureza da contemplação místicaDo adjetivo ao substantivo-
Dos séculos V ao X: a herança dos Padres
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Dos séculos XI ao XIII: do sentido eucarístico ao sentido eclesial
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Dos séculos XIV ao XVI: o místico e a mística
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Sob a patronagem do Santo Dionísio o Areopagita
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Século XIX: aparição do “misticismo”
Ruptura ou continuidade na tradição mística-
Uma certa psicologização da via mística
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O aristotelismo enfraqueceu a “virtude gnóstica” do intelecto
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A mística: refúgio do platonismo cristão
Contemplação adquirida e contemplação infusaA via do Cristo e o misticismo “guenoniano”-
“Eu sou a Via”
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Desprendimento místico ou demiurgia iniciática
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O Cristo Jesus não é uma avatara
A palavra mística e a Essência divina-
A questão dos fenômenos
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A união mística
A respeito da “Pérola evangélica”Juan de la Cruz é voluntarista?/home/mccastro/public_html/perenialistas/data/pages/borella/via-mistica.txt · Last modified: by 127.0.0.1
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