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CULTO VIRGEM MARIA
SARÇA ARDENTE — ENSAIO SOBRE A METAFÍSICA DA VIRGEM
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O culto à Virgem é prestado principalmente pela liturgia pública, que possui um ciclo mariano associado ao ciclo crístico, mas este não será objeto de discussão no presente contexto.
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A primazia da liturgia no culto à Virgem.
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A existência de um ciclo mariano intimamente ligado ao ciclo de Cristo.
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A delimitação do tema, excluindo o culto público da análise.
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O culto privado, denominado “devoção”, deve ser compreendido em seu sentido etimológico original, livre do sentimentalismo moderno, e a obra de São Luís Maria Grignion de Montfort, embora em estilo de época, é a referência para a verdadeira devoção à Virgem, sendo necessário superar sua forma para alcançar a doutrina, objetivo das páginas seguintes.
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A necessidade de restituir ao termo “devoção” seu sentido etimológico.
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A designação de São Luís Maria de Montfort como doutor da verdadeira devoção à Virgem.
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A referência à obra de Montfort como fonte, apesar do estilo de época.
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A necessidade de transcender a forma para atingir a doutrina subjacente.
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O propósito das páginas seguintes em facilitar a compreensão dessa doutrina.
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Dentre as múltiplas manifestações do culto privado, o Rosário destaca-se como a principal devoção, independentemente de sua autoria precisa, devido à sua riqueza doutrinal e caráter metódico, sendo elevado a essa posição pelos encorajamentos papais e aparições marianas, configurando-se propriamente como um “método de realização espiritual”.
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A diversidade de formas do culto privado e a seleção do Rosário como principal.
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A irrelevância da autoria precisa do Rosário (São Domingos ou sucessores).
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A riqueza doutrinal e o aspecto metódico como fundamentos de sua primazia.
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O reconhecimento dessa primazia pelos Papas e pelas aparições marianas.
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A definição do Rosário como um “método de realização espiritual”.
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O Rosário, enquanto devoção por excelência da Igreja latina, tem sua forma atual difundida por São Domingos, mas sua origem remonta às cruzadas, com a importação de rosários muçulmanos e a evolução das fórmulas recitadas, desde o “Pater noster” até a inclusão da “Ave Maria” completa e, posteriormente, das meditações sobre os mistérios de Cristo e da Virgem.
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O Rosário como a devoção característica da Igreja latina.
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O papel de São Domingos na difusão e na forma atual do Rosário.
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A origem do Rosário nas cruzadas, com os rosários muçulmanos.
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A evolução das fórmulas: do “Pater noster” inicial à “Ave Maria” completa.
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A adição posterior das meditações sobre os mistérios.
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O Rosário é uma prática universal de oração “contada e ritmada”, presente do Oriente ao Ocidente, onde o ritmo é elemento importante e as fórmulas, embora variáveis, sempre constituíram uma invocação ao Pai ou à Virgem Mãe, servindo também como suporte para a meditação dos mistérios, que são os próprios mistérios da existência humana.
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A universalidade da oração “contada e ritmada” como base do Rosário.
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A importância do ritmo como elemento constitutivo.
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A invariabilidade da função de “invocação” nas fórmulas do Rosário.
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O papel do Rosário como suporte de meditação.
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A identificação dos mistérios crísticos e marianos com os mistérios da existência humana.
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O ritmo confere ao Rosário sua forma própria, demonstrando o conhecimento e a utilização, pela Idade Média, do simbolismo dos números, cuja eficácia se produz no sujeito que reza nas disposições adequadas, conforme estudo do Abade Bertaud sobre o simbolismo dos números no culto da Virgem.
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O ritmo como elemento formal do Rosário.
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O simbolismo dos números como fundamento medieval da forma rítmica.
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A eficácia dos números sobre o sujeito que reza com as devidas disposições.
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A referência à obra do Abade Bertaud como fonte para o simbolismo dos números do Rosário.
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Os números que estruturam o Rosário (1, 2, 3, 5, 10, 15, 50, 150, 153), cujo significado é dado por Bertaud, são “eficazes” e, no domínio espiritual, representam “qualidades” que refletem e expressam as qualidades contidas na Unidade divina, sendo assimiláveis a Nomes divinos que tornam inteligíveis aspectos da Essência que está além de todo nome e qualidade.
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A enumeração dos números sobre os quais o Rosário é construído.
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A referência ao Abade Bertaud para a significação desses números.
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A eficácia dos números sobre o sujeito que reza.
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A aplicação do princípio bíblico (Sabedoria 11,20) de que tudo foi criado com número.
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A distinção entre número como quantidade (mundo material) e número como qualidade (mundo espiritual).
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Os números transcendentais como reflexos e expressões das qualidades da Unidade divina.
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A assimilação dos números a Nomes divinos, representando Qualidades divinas.
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Pela recitação ritmada do Rosário, o crente harmoniza-se com os números sagrados que estruturam os mundos material, sutil e espiritual, preparando sua alma para receber os efeitos da graça, pois o ritmo, como vibração que percorre o ser desde o físico até o espiritual, coloca a alma em ressonância com a vibração do universo, assemelhando-a ao caos primitivo fecundado pela Palavra divina.
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A harmonização do crente com a estrutura numérica dos diversos planos da realidade pela recitação ritmada.
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A percepção dos efeitos do ritmo nas modalidades sutis do indivíduo.
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A preparação da alma para receber os efeitos dos números sagrados.
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O ritmo como vibração que percorre todo o ser, do material ao espiritual.
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A ressonância da alma com a vibração do universo.
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A alma tornada análoga ao caos primitivo, pronta para receber a ação da Palavra divina.
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O ritmo prepara a alma para a graça ao operar um acordo prévio entre ela e o mundo divino, integrando o corpo e as faculdades na atividade espiritual, de modo que o ser integral, harmonizado, possa abrir-se aos efeitos da graça, que são produzidos pela invocação dos Nomes divinos, havendo uma correspondência entre Números e Nomes como expressões das Qualidades da Essência.
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O ritmo como preparação para a graça mediante a harmonização prévia com o divino.
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A importância da integração do elemento físico (corpo) na oração.
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A domesticação do corpo e a canalização das faculdades pelo ritmo.
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A abertura do ser integral aos efeitos da graça.
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A graça como efeito da invocação dos Nomes divinos.
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A correspondência entre Números e Nomes divinos como expressões de Qualidades da Essência.
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A identidade entre Deus e seu Nome é fundamental para a compreensão do Rosário, pois o Nome divino não é mera manifestação, mas a própria Presença divina no meio dos homens, contendo todas as qualidades que podem ser realizadas pela invocação, como no caso do Nome de Jesus, que é “Deus que salva”.
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A incompreensão do incrédulo diante do Nome divino, em contraste com a compreensão inata do simples que reza o Rosário.
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A base evangélica para a oração no Nome de Cristo.
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A definição do Nome divino como “Deus em sua manifestação” e não apenas “manifestação de Deus”.
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A revelação misericordiosa de um Nome que é a Presença divina e suporte de suas qualidades.
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A eficácia do Nome de Jesus para a salvação daqueles que o invocam.
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A técnica de invocação dos Nomes sagrados fundamenta-se nas palavras de Jesus Cristo sobre a eficácia da prece feita em seu Nome, que garante a concessão das petições e a própria presença do Senhor entre os que se reúnem em seu Nome, deixado como memorial e presença real após a Ascensão.
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O mandamento de Cristo de pedir ao Pai em seu Nome.
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A promessa da presença de Cristo onde dois ou três estiverem reunidos em seu Nome.
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O Nome divino como memorial e presença real do Senhor após a Ascensão.
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O Nome divino, por ser o Princípio manifestado e não apenas manifestação do Princípio, constitui uma presença real análoga à Eucaristia, com a qual compartilha efeitos transformantes e o mesmo órgão de recepção (a boca), sendo a invocação o complemento ativo indispensável à comunhão passiva.
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A presença real do Nome divino, comparável à presença eucarística.
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O uso simultâneo de técnicas de comunhão e invocação na Igreja primitiva.
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Os efeitos transformantes comuns ao Nome e à Eucaristia.
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O papel da boca como órgão tanto da comunhão (passiva) quanto da invocação (ativa).
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A relação de complementaridade entre a invocação ativa e a comunhão passiva.
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A invocação do Nome de Jesus desenvolveu-se inicialmente no Oriente cristão com fórmulas breves, florescendo no Monte Athos sob a forma do hesicasmo, que, apesar de controvérsias como a querela palamita, mantém-se vivo e desperta interesse no Ocidente, nomeadamente através dos “Relatos do peregrino russo” e da difusão da Filocalia, sendo a oração de Jesus (“Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador”) considerada pelos Padres como síntese do mistério da salvação.
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A origem da invocação do Nome de Jesus nos desertos do Oriente cristão.
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O florescimento do hesicasmo no Monte Athos.
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A continuidade do hesicasmo apesar de ataques como a querela palamita.
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O interesse ocidental despertado pelos “Relatos do peregrino russo” e pelas traduções da Filocalia.
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A fórmula da oração de Jesus como encerramento de todo o mistério da salvação.
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O potencial da invocação do Nome divino para a restauração espiritual do Ocidente.
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A Idade Média latina, embora conhecesse formas de invocação como o Kyrie eleison, não desenvolveu a prática oriental da “Oração de Jesus” com sua repetição contínua e efeitos espirituais, que requerem ascese e direção espiritual, apesar de existirem escritos de Boaventura e Bernardino de Siena sobre o Nome de Jesus e da conhecida devoção de Francisco de Assis.
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O conhecimento limitado, no Ocidente latino, de formas de invocação como o Kyrie.
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A ausência, no Ocidente, do desenvolvimento da “Oração de Jesus” como prática contínua.
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As condições para a eficácia da oração repetitiva: ascese e direção espiritual.
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A existência de escritos sobre o Nome de Jesus por Boaventura e Bernardino de Siena.
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A devoção de Francisco de Assis ao Nome divino.
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O Rosário surge no final da Idade Média como a condensação, em uma única fórmula, do que de melhor se descobriu como método espiritual e como mais elevado em doutrina, sendo por excelência um método de invocação e um resumo da doutrina metafísica.
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A síntese, no Rosário, do método espiritual e da doutrina metafísica tardo-medievais.
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O Rosário como método de invocação por excelência.
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O Rosário como resumo da doutrina metafísica exposta anteriormente.
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O Rosário compõe-se essencialmente do Pater, oração revelada por Cristo, e do Ave, oração de origem celestial através do Anjo, ambas de origem não humana, contrapondo-se à piedade moderna que rejeita formas e fórmulas, esquecendo que a oração espontânea é um estado elevado e que os apóstolos receberam de Cristo uma fórmula como método de orar.
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A composição do Rosário pelo Pater e pelo Ave.
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A origem não humana do Pater (revelação de Cristo) e do Ave (mensagem celestial).
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O contraste com a piedade moderna, que rejeita formas e fórmulas.
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O alerta de que a oração espontânea é um estado espiritual avançado, não um ponto de partida.
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O pedido dos apóstolos por um método de orar e o recebimento do Pater como fórmula.
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O Pater é uma fórmula de louvor e purificação que pede perdão, enquanto o Ave é a fórmula de invocação dos Nomes sagrados, cuja saudação original do Anjo e de Isabel foi subsequentemente enriquecida com a inserção dos Nomes de Jesus e Maria, como joias em um relicário.
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A função do Pater como fórmula de louvor e purificação.
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A função do Ave como fórmula de invocação dos Nomes sagrados.
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A inserção posterior dos Nomes de Jesus e Maria na saudação original.
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Pela saudação “Ave Maria”, a alma estabelece relação com a Virgem, ou Substância universal, buscando realizar suas perfeições através da invocação eficaz de seu santo Nome.
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A entrada da alma em relação com a Virgem (Substância universal) pela saudação.
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O objetivo de realizar as perfeições virginais.
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A eficácia do Nome sagrado de Maria para essa realização.
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“Maria” (a Substância) é “cheia de graça” desde a Imaculada Conceição, e a alma deseja receber essa graça e conformar-se à perfeição da Virgem.
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A identificação de Maria com a Substância, cheia de graça.
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O desejo da alma de receber essa graça.
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A aspiração da alma à conformidade com a perfeição mariana.
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“O Senhor é convosco” exprime a presença perpétua do Senhor na Substância, agindo nela e por ela; por analogia, a presença divina é adquirida pela alma que, como substância individual, se conforma às qualidades da Substância universal, da qual estava separada pela queda.
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A presença ativa do Senhor na Substância universal.
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A aquisição da presença divina pela alma que se conforma à Substância universal.
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A separação original da alma individual da Substância universal pela queda.
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“Bendita sois vós entre as mulheres” significa que a Substância, ao manifestar-se, é bendita, e a mesma bênção é alcançada na alma onde Deus reconhece sua imagem divina, sendo que, em última análise, só Deus é bendito e sua presença confere a bênção à Substância.
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A bênção da Substância universal em sua manifestação.
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A aquisição da bênção pela alma que reflete a imagem divina.
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A origem da bênção na presença de Deus, o único que é propriamente bendito.
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“E bendito é o fruto do vosso ventre” indica que a Substância se torna fecunda pela presença divina e seu fruto é bendito; analogamente, a alma individual deve gerar em si a imagem do Verbo, e esse fruto será bendito, mas essa geração implica o morrer da alma em Deus, pois o fruto divino é mais real que ela própria, na reintegração essencial.
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A fecundidade da Substância pela presença divina e a bênção de seu fruto.
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O dever da alma individual de gerar a imagem do Verbo.
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A bênção concedida ao fruto gerado pela alma.
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A condição para a geração: a morte da alma em Deus.
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A superioridade do fruto divino sobre a alma, que se extingue na reintegração essencial.
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O Rosário, em seu conjunto, descreve as etapas da vida espiritual (purificação, perfeição e união) através do Pater, que purifica das faltas, do Nome de Maria, que é a criatura perfeita, e do Nome de Jesus, que reintegra na unidade divina.
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As etapas da vida espiritual descritas no Rosário: purificação, perfeição e união.
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O papel do Pater na purificação das faltas.
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O papel do Nome de Maria como modelo da criatura perfeita.
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O papel do Nome de Jesus na reintegração à unidade divina.
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Pelo Ave, a alma se põe em correspondência com a Mãe universal e realiza as qualidades virginais pela invocação de seu Nome, tornando-se “pura” e “virgem” para que Deus nela se reflita, pronuncie o “Fiat Lux” que engendra o Verbo, e ela dê à luz a Deus, sendo reconhecida como filho bem-amado.
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O estabelecimento da correspondência com a Mãe universal pelo Ave.
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A realização das qualidades virginais pela invocação do Nome de Maria.
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A condição de pureza da alma para que Deus nela se reflita.
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O pronunciamento divino do “Fiat Lux” e o engendramento do Verbo na alma.
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O parto divino da alma e seu reconhecimento como filho bem-amado.
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O Nome de Maria realiza na alma as qualidades virginais, enquanto o Nome de Jesus realiza as qualidades crísticas, sendo cada virtude assimilável a um Nome divino, até que a alma receba, na identificação final, o Nome que só ela pode ler, que é o Nome divino ao qual está predestinada desde a eternidade.
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A função do Nome de Maria na realização das qualidades virginais.
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A função do Nome de Jesus na realização das qualidades crísticas.
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A assimilação de cada virtude a um Nome divino.
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A promessa do Nome novo, conhecido apenas por quem o recebe.
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A interpretação desse Nome como identificação com o Nome divino da predestinação eterna.
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Pelo Pater, a alma se purifica, sintonizando-se com a vontade divina e pedindo perdão; pelo Ave, atrai sobre si a bênção contida nos Nomes sagrados e realiza em si os mistérios neles contidos, o que introduz a consideração dos mistérios do Rosário.
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A função purificadora do Pater e a sintonia com a vontade divina.
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A atração da bênção e a realização dos mistérios contidos nos Nomes pela recitação do Ave.
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A transição para o tema dos mistérios do Rosário.
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O Rosário distingue-se das práticas contemporâneas de meditação e oração, frequentemente desconectadas e subjetivas, por ser simultaneamente oração, invocação e meditação, centrando-se objetivamente nos mistérios crísticos e marianos, onde o “eu” deve se apagar diante do contemplado, e por seu caráter metódico, no qual a invocação e a meditação se fecundam mutuamente, descrevendo o ciclo espiritual e constituindo uma síntese doutrinal a ser realizada.
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A separação atual entre meditação (raciocínio estéril) e oração (efusão sentimental sem base doutrinal).
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A subjetividade da vida espiritual contemporânea, centrada no “eu”.
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A objetividade do Rosário, centrada nos mistérios e exigindo o apagamento do “eu”.
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O caráter metódico do Rosário, com mútua fecundação entre invocação e meditação.
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O Rosário como síntese doutrinal que descreve o ciclo espiritual a ser percorrido e realizado.
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A natureza humana, marcada pela dispersão, fraqueza e pobreza, necessita de concentração e unificação para tender a Deus, o que é alcançado pelo ritmo corporal e pelo uso do pensamento na meditação dos mistérios, sendo a invocação das fórmulas do Rosário o meio que facilita a concentração do ser e potencializa a meditação, a qual, por sua vez, favorece a invocação.
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A dispersão, fraqueza e pobreza inerentes à natureza humana.
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A necessidade de concentração e unificação para o retorno a Deus.
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A participação do corpo pelo ritmo e do pensamento pela meditação.
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A invocação como facilitadora da concentração e potencializadora da meditação.
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A relação recíproca entre meditação e invocação.
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A meditação, em si mesma, é impotente, pois a racionalização é estéril; é a graça, atuante por meio do suporte material do Nome divino, que realiza na alma o conteúdo do mistério meditado, cabendo à mente apenas a função de remover os obstáculos, enquanto o Nome divino opera a unificação do ser.
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A incapacidade da meditação e da racionalidade de, por si sós, produzirem fruto espiritual.
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A graça como agente da realização do mistério na alma.
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O Nome divino em sua materialidade como suporte da ação da graça.
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A função meramente negativa da mente: remover obstáculos.
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O Nome divino como princípio unificador do ser.
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Pela meditação dos mistérios do Rosário, a alma realiza, ou antes, o Nome divino realiza nela, os mistérios de sua própria existência, sendo que cada mistério contém uma “virtude” que a alma realiza de modo imediato, virtude esta que não é apenas moral, mas sobretudo espiritual, reflexo de uma qualidade divina que opera a transformação da alma.
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A realização dos mistérios da existência da alma através da meditação.
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O Nome divino como agente ativo dessa realização na alma.
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A virtude inerente a cada mistério, realizada pela alma.
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A distinção entre virtude moral e virtude espiritual, esta última como reflexo de qualidade divina.
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A virtude espiritual como agente de transformação da alma, para além do domínio moral.
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A realização do conteúdo do mistério pela alma transcende o domínio psicológico, onde representações imaginativas ou emocionais podem ser úteis ou prejudiciais, mas são secundárias, pois a concentração, reflexo da Unidade divina, é graça, cabendo ao homem apenas retificar sua intenção, eliminando obstáculos, enquanto a graça opera o resto, o que exige o conhecimento teórico do significado do mistério.
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A transcendência da realização espiritual em relação ao plano psicológico.
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O caráter secundário e ambivalente das representações imaginativas e emocionais.
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A concentração como graça, reflexo da Unidade divina, e não como esforço humano.
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A agitação mental como expressão da dispersão natural.
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A retificação da intenção como única ação humana possível.
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O papel da graça na realização, condicionado ao conhecimento do significado do mistério.
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A importância do conhecimento teórico de base.
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Nos mistérios gozosos, a alma se abre ao divino através de etapas que incluem o recebimento do Verbo, a alegre concentração na presença divina, a expressão de Deus pelo Nome invocado, a submissão à lei exterior e o reencontro da alegria na Realidade divina interior.
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A Anunciação: a alma virgem recebe o Verbo e dá à luz o Cristo.
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A Visitação: a alma se concentra alegremente na presença divina e age em conformidade.
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A Natividade: a alma exprime Deus pelo Nome divino invocado.
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A Apresentação: a submissão à lei exterior, apesar da embriaguez da graça.
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A Recuperação: o reencontro da alegria na Realidade de Deus presente na alma.
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Os mistérios dolorosos retraçam as tribulações do Verbo encarnado, indicando que, para que Deus se expanda, ressuscite e transforme a alma, é necessário que o “eu” seja flagelado, coroado de espinhos e morto, evitando assim que Deus morra na alma e ela permaneça estéril.
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As tribulações do Verbo encarnado como paradigma dos sofrimentos da alma.
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A necessidade de o “eu” assumir essas tribulações.
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A flagelação, coroação de espinhos e morte do “eu” como condições para a expansão divina.
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O risco de esterilidade da alma se o “eu” não for morto.
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Os mistérios gloriosos retraçam a transformação da alma e seu retorno a Deus, abrangendo a ressurreição onde só Deus é real, a ascensão através dos estados superiores do Ser, o Pentecostes com a plenitude da graça do Espírito, a Assunção como extinção do “eu” e o Coroamento como despertar em Deus para o que se é desde a eternidade.
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A Ressurreição: a realidade exclusiva de Deus e o reencontro, n'Ele, do que foi perdido pela renúncia.
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A Ascensão: a elevação da alma através dos estados superiores do Ser, abandonando as coisas criadas.
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O Pentecostes: a alma deificada, cheia da graça do Espírito Santo.
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A Assunção: a extinção do “eu” da alma, à semelhança da Virgem.
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O Coroamento: o despertar da alma em Deus, tornando-se o que é desde a eternidade.
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Essas indicações, embora esquemáticas, são suficientes para demonstrar a riqueza doutrinal do Rosário, onde toda a metafísica da Virgem é apresentada de modo acessível a cada um conforme sua necessidade e capacidade de intelecção espiritual.
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O caráter esquemático, porém suficiente, das indicações sobre os mistérios.
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A demonstração da riqueza doutrinal do Rosário.
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A apresentação da metafísica da Virgem de forma acessível a diferentes níveis de compreensão.
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Cada mistério do Homem-Deus é um símbolo eficaz, um sacramental cuja meditação, acompanhada da invocação, realiza a virtude a ele inerente, pois o Homem Universal e a Mãe Universal, em seus mistérios, traçam o ciclo do caminho da alma para a perfeição, de modo que toda situação humana, resumida a um protótipo divino vivido por Cristo e sua Mãe, deve não só ser meditada, mas vivida ou realizada nas situações concretas da vida.
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A natureza dos mistérios como símbolos eficazes ou sacramentais.
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A realização da virtude inerente ao mistério pela meditação acompanhada da invocação.
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O ciclo da perfeição da alma, traçado pelos mistérios do Homem Universal e da Mãe Universal.
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A necessidade de meditar e se esforçar para realizar as etapas desse caminho.
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A redução de toda situação humana a um protótipo divino vivido por Cristo e Maria.
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A exigência de que os mistérios sejam vividos ou realizados nas situações concretas da vida.
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