coomaraswamy:budismo-reinterpretado
BUDISMO REINTERPRETADO
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O estudioso budista passou a ver o budismo em seu marco indiano, reconhecendo-o como muito menos heterodoxo do que se pensou, resultado em grande medida da obra de Mrs. Rhys Davids, o que provoca a reflexão de que a suspeita popularidade do budismo na Europa se apoiou numa completa incompreensão do que o budismo era realmente, pois o ensinamento não era mais manso ou doce do que o de Jesus e estava em oposição radical ao individualismo moderno e ao interesse na sobrevivência da personalidade, sendo o Buda qualquer coisa menos um humanista.
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Nota de rodapé: o artigo foi publicado pela primeira vez no New Indian Antiquary, Bombaim, II, 1939.
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Nota de rodapé: as referências especiais são às recentes obras de Mrs. Rhys Davids What was the Original Gospel in Buddhism, To Become or not to Become e A Manual of Buddhism.
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A mudança de Mrs. Rhys Davids se deu sobretudo em sua interpretação de anatta, sendo legítimo o ponto de vista por ela recentemente expresso no JRAS de 1937 de que o Buda dava por suposto o atman, e sendo muito preferível traduzir atman por espírito em vez de alma ou si mesmo, pois espírito compartilha com o termo indiano atman a associação com sopro, além de que o espírito é a essência da pessoa e seu si mesmo verdadeiro em distinção do ego empírico, enquanto o uso de si mesmo quase inevitavelmente implica em inglês e em espanhol uma egoidade.
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O significado pleno de atman é si mesmo espiritual, e traduzir por espírito mostra a equivalência com a doutrina cristã do Espíritu Santo, o pneuma grego, o ruh árabe e outros equivalentes.
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Traduzir atman por alma é indesejável porque o mukta indiano está liberado tanto do corpo físico como de tudo o que se entende por psique; traduzir por corpo é aceitável apenas em contextos muito excepcionais.
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Nota de rodapé: para o Buda seria tão supérfluo dizer há um att quanto dizer há Devas ou há um Brahma; o grande ponto sobre que havia que insistir era que os homens não vissem um att no que não era att, ou seja, não caíssem no engano do asura no Chandogya Upanishad VIII.8 nem no de Indra no Chandogya Upanishad VIII.10.
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Nota de rodapé: é significativo que uma única e mesma raiz subjaz no latim propium e no sânscrito priya; o ego empírico é querido enquanto considerado como nosso próprio, mas quando se percebe que só o Homem Interior é realmente nosso, apenas ele nos é querido.
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Mrs. Rhys Davids traduz, assim como também o faz Coomaraswamy, as últimas palavras do Buda como sede tais que tenhais o Espírito como vossa lâmpada, o Espírito como vosso refugio, conforme o Maitri Upanishad VI.30, sendo a negação budista de att sempre exclusiva e nunca inclusiva: o erro das multidões inensindadas consiste em ver att no que não é att, ou seja, no corpo ou na alma, enquanto considerar o arhat como aniquilado é igualmente um erro, sendo o na me so att não uma negação do si mesmo real, mas sua definição por exclusão de seus acidentes.
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Na parábola do carro nunca se diz que não há nenhum auriga, mas apenas que o carro é um composto instável desprovido de toda entidade real.
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O ser perfeicionado é insuscetível de tudo exceto de uma definição negativa; o arhat é inominado, indescoberto, inumerável, e para ele já não há mais talidade.
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Nota de rodapé: ao Buda, como a Agni, chama-se frequentemente sarathi, provido de um carro; em Samyutta Nikaya I.33 o dhamma é o auriga, o que equivale a dizer que o Buda mesmo é o auriga, pois quem vê o dhamma O vê; a parábola de Milinda sobre o carro apenas afirma que Nagasena e carro são designações convencionais de compostos evanescentes, sem excluir a possibilidade de uma essência que pode estar em Nagasena mas não ser de Nagasena.
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Nota de rodapé: o oposto de sankha gacchati, receber um número, ou seja, nascer, é o arhat que não é de nenhum tipo nem nenhum que; o cosmos que o budista quer sair é precisamente o reino do quantitativo.
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O homem tem dois si mesmos que podem estar em guerra um com o outro, conforme a Bhagavad Gita VI.5-7 e o Samyutta Nikaya I.91-92, correspondendo ao anima que deve ser rejeitado e ao anima que deve ser salvo de Lucas 17.23, Mateus 16.25 e João 12.25, distinção que os Brahmanas e as Upanishads abundam em referências, sendo o Grande Si mesmo o Senhor do pequeno si mesmo conforme o Dhammapada 160, e o Si mesmo Limpio contrastado com o si mesmo sujo no Anguttara Nikaya I.149.
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Mrs. Rhys Davids diz ter encontrado explicitamente traçada a distinção apenas uma vez, no Anguttara Nikaya I.249, com o mahatta e o apattamo, mas a questão fundamental das Upanishads qual é maximamente o si mesmo se reflete no Suttanipata 508 por qual si mesmo alcança-se o mundo de Brahma.
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No Dhammapada 160 o Si mesmo é o Senhor do si mesmo, ou seja, o Grande Si mesmo é o Senhor do pequeno si mesmo, o homem interior do homem exterior.
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Nota de rodapé: como viu Woodward, mahattam provavelmente tomou-se pelo mahantam do Anguttara Nikaya II.21, onde se diz que quem ama ao Si mesmo deve recalcar o Dhamma; Mahatma é o epíteto que só pode aplicar-se ao que está inteiramente no espírito, correspondendo à terceira categoria gnóstica do homem como hílico, psíquico ou pneumático.
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Nota de rodapé: atakamo aqui como ajjhatarato, aquele cuja deleção está no Homem Interior é chamado verdadeiro monge no Dhammapada 362, cf. Mundaka Upanishad III.1.4 e Bhagavad Gita III.17.
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Os dois si mesmos podem estar de acordo ou em conflito como no Samyutta Nikaya I.71-72, onde naqueles cuja conduta é má o si mesmo Espiritual não é amado, e no Samyutta Nikaya I.57 aqueles cujo comportamento é pueril têm o si mesmo como inimigo do Si mesmo, correspondendo tudo isso à Bhagavad Gita VI.5-6, e sendo o Agnihotra interno do Satapatha Brahmana X.5.3.3 e do Sankhyayana Aranyaka X o correspondente exato do verso do Samyutta Nikaya I.169 sobre a chama interior, o coração como altar e a chama como o si mesmo domado.
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O Dhammapada 103 afirma que o homem que conquista o si mesmo é o maior dos conquistadores, parafraseado por Asoka no Édito da Rocha XIII.
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A confusão de si mesmos é o que faz Mrs. Rhys Davids recuar da expressão le moi haïssable, pois há um si mesmo que se deve odiar se se quer ser discípulo de Cristo segundo Lucas 14.26, sendo o Mestre Eckhart verdadeiro ao dizer que toda a escritura é um clamor pela liberação do si mesmo, e a finalidade da doutrina é transporter a consciência de ser do primeiro si mesmo ao segundo, do ego mutável e perecível ao si mesmo imortal que não pode nominar-se nem definir-se, como Deus mesmo que segundo Erivgena é não nenhum que.
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O fato de que o arhat, uma vez descartada a noção de eu sou fulano, pode usar expressões como eu e meu apenas como conveniência prática leva à consideração da reencarnação e do karma, sendo a doutrina do karma simplesmente que todo o que se faz tem um efeito e que nada acontece sem causa, idêntica à doutrina cristã do governo do mundo pelas causas mediatas de Santo Tomás de Aquino, e sendo karma e reencarnação não interdependentes, pois nenhuma doutrina da reencarnação, em distinção da transmigração, foi ensinada oficialmente na India, nem pelos brahmanes nem pelos budistas, como apontaram B. C. Law e René Guénon.
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Não há essência nas coisas compostas, o atman não é um composto, e portanto não há nenhuma essência que possa passar de uma habitação a outra conforme o Milindapanha 71-73.
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O símile do acender de uma lâmpada a partir de outra transmite apenas a transmissão de uma tendência, não de uma essência, assim como quando uma bola de bilhar golpeia outra transfere-se apenas uma moção dirigida, não nenhuma coisa.
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Nota de rodapé: Santo Agostinho enuncia uma doutrina do karma dizendo que o corpo humano preexistia nas obras prévias em suas virtudes causais, cf. Samyutta Nikaya II.64.
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Nota de rodapé: B. C. Law insiste em que os budistas negam a transmigração de uma alma; Schayer observa que a ideia de punarmrtyu é apenas uma variante brahmanista da concepção de Wieder-Tod; T. W. Rhys Davids reconhecia que a reencarnação está excluída, sendo vinnana um princípio contingente.
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Os Jatakas e a proclamação do Buda de uma memória absoluta de todos os nascimentos passados não implicam que uma individualidade passou de um corpo a outro, pois o Buda sabe que ao falar parabolicamente as multidões inensindadas podem entender isso assim, mas o discípulo instruído compreenderá que eu fui fulano significa que fulano foi um elo na cadeia sem começo de vidas ou habitações do Espírito, das quais quem fala agora é o último termo, sendo que nessa condição já não se pode perguntar adonde estou indo eu nem de onde vim eu conforme o Samyutta Nikaya II.26.
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No Parosahassa Jataka n. 99 o Bodhisattva moribundo responde aos discípulos que perguntam que bem recebestes, dizendo não há nenhum, mas o discípulo principal explica que o Mestre disse que havia alcançado a Estação de Não-ser-alguém kincannayatana, e o Mestre reaparece dos mundos de Brahma para confirmar que ter cessado de ser alguém não significa ter sido aniquilado.
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O Suttanipata 455-456 mostra que quem está na carne ainda pode dizer eu no sentido convencional sendo um nada instruído, incontaminado, sem utilidade perguntar de qual família sou eu, paralelo ao de Mateus 12.48.
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Nota de rodapé: Parosahassa é além de um milhar, e milhar significa todo no uso brahmânico; quem está sempre unido ao Senhor não pode ser alguém pois o Espírito jamais se tornou algo conforme a Katha Upanishad II.18.
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Colhe-se agora as consequências do que foi feito como karma, mas não como consequência do que um eu fez, pois nunca houve um eu fazendo algo, sendo esta a resposta à questão do Samyutta Nikaya II.75 e III.103 sobre quem experimenta os resultados de obras feitas sem um fazedor, pois a resposta ortodoxa é que o Sol é o Espírito em todas as coisas e o fazedor de todas as coisas segundo o Rig Veda I.115.1 e o Jaiminiya Upanishad Brahmana I.3.3, e que nenhum modo deve um conhecedor do princípio considerar que eu sou o fazedor de algo conforme a Bhagavad Gita V.8, sendo a resposta de Cristo ao cego de nascença em João 9.2 plenamente de acordo com o Jaiminiya Upanishad Brahmana I.5.2 e com o Samyutta Nikaya II.75.
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Santo Tomás de Aquino amplia Romanos 8.13 dizendo que as obras de um homem conduzido pelo Espírito Santo são as obras do Espírito Santo mais do que as suas próprias.
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Tauler diz que se um homem há de vir a Deus deve estar vazio de toda obra e deixar que só Deus obre.
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Desde o Rig Veda X.90.4 até Sankara sobre o Brahma Sutra I.15, onde o Senhor é o único transmigrante, ensinou-se consistentemente que toda ação é obra do Espírito e não do individuo.
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Nota de rodapé: é a Luz Increada e não a natureza física o que se entende pelo Sol nos textos védicos; Plutarco repreende os gregos que não podem distinguir entre Apolo e o sol por substituírem a faculdade do pensamento pela da sensação.
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Nota de rodapé: a resposta à questão quem recoge os frutos dos atos dá-se nos termos da Via Média no Samyutta Nikaya II.75; o pequeno si mesmo recolhe as consequências do que outros pequenos si mesmos fizeram, enquanto o verdadeiro Si mesmo apenas percebe os acontecimentos como o autor dramático presencia a ação sem ser ele mesmo um dos atores.
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O experimentador, o ator, não está em nenhuma parte conforme Mrs. Rhys Davids, e de fato Esse Um não veio de parte alguma nem se torna jamais alguém conforme a Katha Upanishad II.18, sendo que o vimutta é livre como a Divindade em sua não-existência nas palavras do Mestre Eckhart, e o que tem uma posição local não pode estar ao mesmo tempo em toda parte, enquanto o que é menor que infinitesimal e maior que a magnitude conforme a Katha Upanishad II.20 não pode ter uma posição, sendo o Espírito minha essência verdadeira e o único ator enquanto o ego psicofísico é um autômato cujo comportamento está determinado inteiramente pelas causas mediatas ou karma como hetu.
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A libertação ou imortalidade só pode darse na medida em que a consciência de ser possa transportar-se do pequeno si mesmo ao grande Si mesmo, sendo isso a divisão entre alma e espírito de São Paulo em Hebreus 4.12.
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O Dhammapada 276 diz que é trabalho vosso abrasardes-vos na tarefa, os Budas apenas contam o relato, e o estudioso moderno que é um natthika, ou positivista, raramente interessa pela verdade do ensinamento mas apenas pelo fato do que foi ensinado, e não tendo se abrasado na tarefa é incapaz de negar que ela possa fazer-se.
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Nota de rodapé: a afirmação de que o Buddha é o atman aparece no Comentário ao Udana 67, onde Tathagata se parafrasa por att; o Buddha é o atman, mas o Buda não negou nunca o atman, sendo ele mesmo o atman; isso está implícito no Brahmabhuta igual ao Buddha do Samyutta Nikaya III.83 e no Brahma-kaya igual ao Dhamma-kaya do Digha Nikaya III.84.
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Nota de rodapé: se ao ego empírico não agrada ser chamado autômato há uma saída, encontra-te a ti mesmo; o livre arbítrio que atribuímos ao ego só é válido no espaço mas não no tempo; o espírito é independente igualmente do tempo e do espaço; Boécio diz que o que mais se afasta da inteligência primeira tanto mais atado está pelo Destino.
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A tradução de bhu por devir em vez de ser é geralmente acertada, assim como o ponto de vista de Mrs. Rhys Davids de que incumbe completamente ao homem zuwerden was er ist, mas deve observar-se que werden é processo e ist é realidade atemporal, sendo que o infinito não pode atravesar-se e portanto não se pode supor que seja possível um progresso ulterior quando já se alcançou o fim do caminho, correspondendo o asekha budista, designação do Experto como aquele para quem já não há nada mais que aprender, à formulação de Plotino para quem os seres mais altos nunca aprendem pois nada está ausente em nenhum tempo de seu conhecimento conforme as Enéadas IV.4.6.
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No Aitareya Brahmana VII.15 o viajante deve seguir em frente, seguir em frente, caraiva caraiva, mas no fim do caminho onde todo onde e todo quando têm seu foco já não há nenhum significado numa locomoção.
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Pertence à essência da doutrina brahmânica e budista o fato de que pode obedecer-se a ordem de ser perfeitos como vosso Pai no céu é perfeito.
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O Anguttara Nikaya II.35 e seguintes apresenta o brahman Dona que segue as pegadas do Buda e lhe pergunta se ele é ou devirá um Deva, um Gandharva, um Homem ou um Yakkha, respondendo o Buda que não é ou não devirá nenhum deles porque foram destruídas as condições produtivas de tais estados, concluindo com eu sou o Buda, o que equivale a provar que o bhavissami prévio tem valor de presente, pois o Buda quer dizer estou desperto e não posso ser classificado em nenhuma categoria.
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Dona usa o futuro mesmo com respeito às pegadas presentes diante de seus olhos, dizendo estas não serão as pegadas de um homem, o que confirma o valor de presente do futuro conjetural ou gnômico.
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No Majjhima Nikaya I.387 na vassa karissati significa quem quer se conter, com valor de presente; no Jataka I.71 na bhavissati referido a um lugar significa não pode ser pois o lugar é igualmente inapropriado agora como o será sempre.
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O futuro conjetural tem um valor atemporal próximo ao do aoristo gnômico, como já no Rig Veda I.164.39 kim ca karissyati significa que uso pode fazer ele.
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Bhavana é um fazer devir no sentido de cultivar ou propagar, sendo que ao Senhor se chama Prabhu, o que faz sair, em tanto que Dador do Ser, e a equivalência entre bhavana e jhana que Mrs. Rhys Davids ridiculariza é legítima, pois as Sadhanas empregam constantemente as raízes cit e dhyai no mesmo sentido que o causativo de bhu, sendo dhyana radicalmente mal traduzido por meditação e sendo os únicos equivalentes adequados em inglês e espanhol a consideração, a contemplação e o rapto ou excesso em seus valores etimológicos literais, correspondendo à consideratio, contemplatio e raptus ou excessus de Vítor de São Hugão e outros contemplativos.
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Samadhi é também uma unificação, uma adaequatio rei et intellectus, enquanto no dhyana ainda há uma distinção entre o conhecedor e o conhecido.
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No Rig Veda dificilmente há algo que não seja descrito como obrado por uma contemplação dhiya, sendo assim que os artesãos fazem as coisas conforme o Rig Veda III.38.1, e o altar do fogo é feito com uma contemplação conforme o Rig Veda IX.71.6.
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Jhana é essencialmente uma elevação do próprio nível de referência da atividade de observação ao da percepção das razões eternas, e consumado no samadhi é uma identificação com essas razões; ao retornar da contemplação à atividade prática, possui-se os pramanas requeridos, ou seja, os meios de operação verificados.
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Nota de rodapé: a hesitação de Hume entre obter e meditar sobre para dhimahi na Gayatri é inteligível porque contemplar é possuir e em última análise tornar-se o objeto da contemplação.
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Nota de rodapé: Mrs. Rhys Davids reconhece em Kindred Sayings I que bhavana é trabalho construtivo na contemplação, que significa a um tempo eliminação e criação.
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Haveria inúmeras outras questões a examinar nas recentes obras de Mrs. Rhys Davids, mas o fundamental é recalcar a grande importância do problema do atman e apoiar com evidência adicional o ponto de vista dela de que os primeiros sakyas buscavam fortalecer e expandir o verdadeiro núcleo do ensinamento brahmânico, e que de los dos atmans, que podem ou não estar em guerra um com o outro, um é o Spiritus Sanctus imanente, sendo que quem compreendeu plenamente a resposta à questão fundamental ken'attan não recuará do conceito de uma aniquilação de si mesmo e terá chegado muito longe na compreensão em quais sentidos diferentes pode usar-se o termo renascimento.
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