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ESOTERISMO

DAUGE, Yves Albert. L’ ésotérisme: pour quoi faire? Paris: Dervy-Livres, 1986.

Este não é um tratado de esoterismo. Um livro desse tipo, aliás, seria impossível de escrever.

Também não é a exposição de um sistema, nem um catecismo. Como esoteristas — e, portanto, abertos ao jogo ilimitado do real, ao mesmo tempo em que conscientes da insuficiência nunca preenchida de todo conhecimento —, nos opomos resolutamente a todos os modos de redução e fixação do “saber”. Quando a Energia se sistematiza, ela se torna matéria: e o Vivo não tolera a entropia.

Que o leitor não tome por um ensinamento ne varietur uma apresentação didática que visa a clareza da comunicação, um quadro geral que se pretende uma ferramenta de trabalho e um ponto de partida para a reflexão pessoal.

Este livro foi concebido como um convite à viagem, à mais bela e necessária das viagens, aquela que nos leva ao coração das coisas e dos seres, de nós mesmos e do Divino. Seu objetivo é guiar as mentes para o essencial, habituá-las a uma linguagem tão transparente quanto possível, a uma perspectiva tão global quanto possível, para que evitem as armadilhas dos pseudomestres e das doutrinas incompletas. Gostaríamos de ser como a Coscena da Conferência dos Pássaros, do soufï Attar, proferindo um discurso adaptado a cada um, a fim de levar cada um ao fim de sua realização, onde descobrirá Deus em Deus.

Estas páginas não devem ser desprezadas nem admiradas. Devem ser utilizadas com a máxima inteligência pelo leitor, pelo pesquisador, que sabe que tudo depende dele mesmo, de sua própria vontade, de seu próprio desejo ardente, e que um livro, seja qual for o seu valor, não é o Vivo, mas um reflexo do Vivo. Rumi dizia, a respeito de sua obra-prima: “Não cantei o Mathnawî para que fosse carregado, repetido, mas para que fosse colocado sob os pés e voasse com ele. O Mathnawî é a escada da ascensão à verdade… » E Angelus Silesius termina seu Peregrino Querubínico com estas palavras: «Vá e torne-se você mesmo, o livro e a essência.» Que se leia nossa obra com esse espírito: nossos desejos serão realizados.

Aliás, não pedimos que se acredite no que dizemos: é preciso experimentar por si mesmo. Em nenhum momento procuramos ser originais, mas verdadeiros. Um bom livro de esoterismo não deveria, na verdade, ser anônimo?

Vivendo em um mundo onde se quer opor a Ciência e a Tradição, falamos de uma e de outra, mas tendo consciência da relatividade de todas as categorias mentais e de todas as modalidades exploratórias do real. Tentamos reequilibrar a perspectiva atual de trabalho, insistindo no regime do Jogo — liberdade, Graça, intersubjetividade, “Amor louco”, imponderáveis, etc. —, que é pelo menos tão importante para nós quanto as análises da ciência e as tabelas da Tradição.

Tendo nós mesmos, à nossa medida, experimentado o Vivo, não nos deixamos aprisionar por nenhuma condição, nenhuma dualidade, nenhuma doutrina, nenhum método; e esperamos que o mesmo aconteça com todos os leitores que compreenderam o que escrevemos.

Quem fala em esoterismo, fala em conhecimento operacional. Gostaríamos de ter proposto aqui uma seleção de exercícios e esquemas de aplicação decorrentes dos princípios e das chaves de que falamos, mas não tivemos espaço suficiente. De qualquer forma, era preciso começar por limpar o terreno, desobstruir a paisagem, oferecer uma visão geral clara e útil. E se o leitor nos acompanhou bem, ele certamente encontrará por si mesmo a melhor maneira de colocar em prática as informações.

Este é um livro imperfeito, mas escrito com paixão e amor. Desejamos que, como um ícone, ele seja, para cada um, uma janela aberta para si mesmo e entreaberta para o Divino, um meio de captar “o brilho fulgurante de Sua Beleza dentro de tudo”.

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