evola:espiritismo
ESPIRITISMO
Máscara e Rosto do espiritualismo contemporâneo
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O espiritismo como vanguarda do novo espiritualismo e o seu contexto de origem
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A constituição do espiritismo como a vanguarda do novo espiritualismo, erguendo o apelo à revolta contra o materialismo e sendo seguido nisto pela teosofia.
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A divisão da grande maioria dos apaixonados pelo invisível entre estas duas correntes.
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A observação relevante de que ambos os movimentos nasceram em países anglo-saxônicos protestantes e que certas mulheres, como as irmãs Fox para o espiritismo e Helena Petrovna Blavatsky e depois A. Besant para a teosofia, desempenharam um papel fundamental nas suas origens.
O mérito inicial do espiritismo no reconhecimento de fenômenos extranormais e a sua transição para a pesquisa psíquica-
A primazia do espiritismo em trazer de volta à atenção do grande público uma ordem de fenômenos bem conhecida da antiguidade, mas posteriormente negada pelo paradigma positivista.
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A delimitação de que todo o valor do espiritismo começa e termina neste reconhecimento inicial.
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A extensão da ação do espiritismo para além da mera observação, procurando favorecer e provocar os fenômenos, descobrindo os chamados médiuns e propondo desenvolver faculdades mediúnicas latentes.
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A busca de uma explicação para os fenômenos através da ação de espíritos de humanos falecidos, afirmando fornecer uma prova experimental da sobrevivência da alma.
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A definição da pesquisa psíquica, metapsíquica ou parapsíquica como o exame e produção destes fenômenos sem uma superestrutura teórica obrigatória, sob rigoroso controlo científico e com uma atitude análoga à da exploração de fenômenos naturais.
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A reivindicação pela pesquisa psíquica do aspecto positivo do espiritismo, tornando incontestável a realidade do extranormal.
O perigo fundamental do espiritismo e da mediunidade para a unidade espiritual da pessoa-
A caracterização da corrente espírita, na sua totalidade, como portadora do aspecto típico pelo qual o espiritualismo constitui um perigo para o espírito.
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A definição da mediunidade como um método para favorecer ou acentuar a desintegração da unidade interna da pessoa.
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A transformação do homem, como médium, num órgão para a manifestação no nosso mundo de forças e influências de uma natureza extremamente diversa, mas sempre subpessoal.
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A incapacidade do médium para controlar essas forças, pois a sua consciência capta apenas certos efeitos ou desliza para o sono, o transe ou a catalepsia.
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A postura passiva dos espíritas, que valorizam as manifestações como revelação sensacional que confirma as suas hipóteses e necessidades sentimentais.
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A postura dos pesquisadores psíquicos, que veem o homem como produtor de fenômenos e pouco se preocupam com o que acontece do ponto de vista interno, não tendo escrúpulos em usar meios artificiais para intensificar a mediunidade.
O perigo ampliado da mediunidade como centro de infecção psíquica e a deficiência de defesas no mundo moderno-
A caracterização do médium como um centro de infecção psíquica para o seu ambiente, funcionando como um canal através do qual forças obscuras e impessoais podem exercer uma ação no nosso mundo e nas nossas mentes, indefesas perante elas.
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A consideração das manifestações obtidas nas sessões como apenas uma parte das consequências, muitas vezes negligenciáveis face ao que se infiltra pelas portas entretanto abertas do mundo inferior.
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A possibilidade de identificar efeitos graves para indivíduos e coletivos em relação às condições criadas involuntariamente nestas sessões.
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A menção ao papel que a conjuração em geral teve, antes do nascimento do espiritualismo contemporâneo, nos processos de infiltração e degradação de certas organizações secretas envolvidas na subversão revolucionária europeia.
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A quantificação do perigo espírita considerando os milhares de praticantes ativos em Itália e os milhões no mundo, representando uma ação de corrosão das barreiras que protegem os homens do além.
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A preocupação acrescida com a saturação de influências inferiores na vida moderna, devido à falta da contrapartida de influências efetivamente sobrenaturais que as grandes tradições sabiam atrair.
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A constatação de que, desde o Renascimento, o homem ocidental foi abandonado a si mesmo, excluído das conexões com o alto que o poderiam armar para a sua defesa interna.
A manifestação da ação das influências através da possessão e a cegueira moderna perante o perigo espiritual-
A consideração das objeções às críticas como exageradas e a negação do perigo até ao confronto com consequências sensacionais, como doenças misteriosas ou acidentes inexplicáveis.
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A primazia dada pela mentalidade moderna apenas ao que ameaça a fortuna, a existência corporal ou a saúde física, considerando o que diz respeito ao espírito como uma questão privada de opinião e moral, não de realidade.
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A identificação da possessão, no sentido lato de não pertencer mais a si mesmo, como uma das formas mais difundidas de ação das influências sobre a personalidade humana.
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A substituição da pessoa livre por algo que obstrui ou perverte toda a aspiração superior, com o princípio pessoal, aleijado, recuando ecstaticamente para o princípio promíscuo e coletivo.
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A compreensão de que esta ação mais ampla não se limita aos médiuns no sentido estrito, mas tem como pontos de partida focos desse género, convergindo com outros elementos num mesmo plano.
A limitação relativa do perigo na pesquisa psíquica de orientação científica-
A aplicação das considerações iniciais tanto ao espiritismo militante como à pesquisa psíquica que tende a produzir e multiplicar fenômenos, aprovando e valorizando a mediunidade.
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A existência de uma limitação quase automática do perigo no segundo caso, quando a atitude científica é verdadeiramente mantida.
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A atuação da atitude científica, com a sua desconfiança e dúvida metódica, como um fator negativo e paralisante sobre a mediunidade e a produção de fenômenos, que requerem uma atmosfera psíquica ad hoc.
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A caracterização deste impasse como um círculo vicioso que procede da inadequação do método científico face ao material a que se pretende aplicar.
A insustentabilidade das hipóteses espíritas sobre a sobrevivência da alma-
A apresentação da crença espírita de que os fenômenos mediúnicos constituem uma prova experimental da sobrevivência ou imortalidade das almas dos falecidos.
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A afirmação de que tanto os espíritas como os pesquisadores psíquicos não dispõem de meios para averiguar as verdadeiras causas dos fenômenos.
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A redução dos estados mediúnicos a estados de consciência reduzidos ou paralisados, onde o poder de visão e controlo interno do eu não acompanha a mudança de nível que desencadeia as causas dos fenômenos.
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A possibilidade de uma grande variedade de causas produzir o mesmo fenômeno, como a levitação poder ser obra de um médium, um santo, um feiticeiro ou um iniciado.
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A garantia de que a falta de uma base doutrinal sólida e a presença de sugestões e predisposições sentimentais conduz a hipóteses ingénuas e unilaterais, ou a afirmações dogmáticas disfarçadas de credo.
A inadequação do método da pesquisa metapsíquica e a natureza dos agentes das manifestações-
A crítica à inadequação do método da pesquisa metapsíquica, que adota a atitude da ciência positivista perante fenômenos físicos, tacitamente persuadida de que se trata de leis naturais ainda não bem conhecidas.
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A consideração da garantia da ausência de truques e mistificações como a contribuição positiva de tais investigações.
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A caracterização como singularmente obtuso o fato de não se compreender que, se se trata verdadeiramente do espiritual, o conhecimento adequado não pode vir da medição e de avaliações exteriores, mas apenas da identificação com o próprio processo.
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A perda de relevância da questão sobre se os fenômenos se explicam por faculdades desconhecidas dos médiuns ou por agentes extraindividuais, quando se traz o inconsciente ou subconsciente para a consideração.
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A definição do subconsciente como a região psíquica onde o individual e o não individual são separados por uma fronteira permeável, podendo estender-se a zonas povoadas por influências, pensamentos errantes e forças sem correspondência no mundo dos seres encarnados.
A hipótese metafísica sobre os espíritos como resíduos vitais e a sua manipulação por forças não humanas-
A consideração, na metapsíquica mais recente, das hipóteses estritamente espíritas como primitivas e superadas, mas com o risco de cair no excesso oposto.
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A existência de razões para acreditar que, numa classe particular de manifestações mediúnicas, estejam envolvidos espíritos dos mortos, desde que o termo espírito seja entendido no sentido antigo, longe de ser equivalente a almas.
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A definição de espíritos como as energias vitais, qualificadas no sentido mental e dinâmico, que a alma, se sobreviver à morte, deixa para trás, tal como fez com o corpo físico.
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A passagem destes elementos vitais para o estado livre, desprovidos da sua unidade essencial de ser, organizando-se como segunda personalidade ou como complexos mnemônicos, monoideísmos, entidades-tendências e virtualidades cinéticas tornadas impessoais.
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A encarnação destes elementos no médium, produzindo variedades de fenomenologia extranormal que os mais ingénuos tomam como provas da sobrevivência da alma.
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A constatação de que se trata, não da alma no sentido verdadeiro e tradicional, mas de formas vitais residuais, destinadas a extinguir-se após um termo mais ou menos breve.
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A existência de casos em que forças não humanas se incarnam nestes resíduos, conservando algo semelhante ao falecido, animando-os e movendo-os, provocando as aparições e fenômenos mais enganadores e sinistros.
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A predominância destes casos em fornecer ao espiritismo o incentivo para se tornar uma nova religião macabra, sem se perceber a mistificação e sedução de carácter satânico neles manifestas.
A fraude mediúnica como fenômeno mediúnico e o espírito de decepção-
A verificação, através do estudo da relação entre mediunidade e fraude, de que em muitos casos a fraude mediúnica não emerge da intenção do médium como falsificador consciente.
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A possibilidade de a fraude surgir como um fato já ele próprio mediúnico e espírita, como uma manifestação no médium de uma influência caracterizável como espírito de decepção.
A doutrina tradicional sobre a sobrevivência e a imortalidade da alma-
A colocação em questão da crença comum, sob influência de crenças religiosas ocidentais recentes, na sobrevivência frequente e geral da alma após a morte.
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A crítica à puerilidade de colocar o problema como um dilema entre mortal ou imortal, e à simplicidade das soluções materialista e espiritualista.
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A exposição da ideia recorrente nos ensinamentos tradicionais de que alguns morrem com ou após a morte do corpo, e alguns sobrevivem, passando para estados diferentes, sendo uma pequena porção aqueles que atingem a condição privilegiada da verdadeira imortalidade.
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A variação do desfecho de pessoa para pessoa, dependendo do que cada homem é.
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A sobrevivência daquele que já em vida operou uma separação real ou virtual do seu princípio espiritual das condições impostas pela consciência corporal ou pela experiência sensível.
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A dependência das várias possibilidades no post-mortem tanto das inclinações impressas na alma em vida, como da iniciativa e do comportamento da própria alma no momento da morte ou perante experiências do outro mundo.
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A referência ao ensino lamaísta contido no Livro dos Mortos Tibetano (Bardo Todol) como uma ciência genuína dos estados do post-mortem.
A identificação dos espíritos com resíduos psíquicos e a raridade do contato com almas transfiguradas-
A decomposição, após a morte, daqueles que não atingiram uma condição para a sobrevivência, nos seus elementos psíquicos e vitais, nos seus espíritos, sem um único resíduo de verdadeira unidade espiritual consciente.
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A menção à ideia da segunda morte em certas tradições.
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A identificação geral dos espíritos que entusiasmam os círculos espíritas como os resíduos psíquicos desindividualizados, ou larvas, mascarados e fac-símiles de personalidades, vitalizados por influências inferiores.
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A raridade do caso em que são efetivamente as almas libertas dos mortos a fornecer o material, podendo ser excluído a priori.
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A constatação de que as almas transfiguradas se encontram em regiões espirituais tão transcendentais que não têm qualquer relação com o mundo dos corpos, e quando se manifestam por uma missão, o último lugar para a procurar é entre os fenômenos caprichosos e confusos das sessões.
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A concordância com René Guénon sobre a natureza dos fenômenos não deixar dúvidas sobre as forças que os produzem, tratando-se de forças subumanas, complexos psíquicos errantes, larvas ou produtos de decomposição de almas que não sobreviveram.
O caminho do médium como o caminho de Hades e a condenação tradicional da conjuração dos mortos-
A interpretação literal da noção de que são os mortos que atuam, significando que o médium segue o caminho dos mortos.
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A evocação, pelo transe, dos primeiros graus da redução da consciência e da dissociação progressiva da unidade espiritual, semelhante àquela sofrida por quem realmente morre.
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O encontro do médium, ao longo deste caminho de Hades, com os resíduos dos mortos, que tentam manifestar-se no mundo.
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A comparação do papel destes resíduos no plano psíquico com o dos produtos da putrefação como focos de infecção para organismos vivos.
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O conhecimento superior dos Antigos, dos Orientais e de certas populações primitivas sobre estas coisas, em comparação com espíritas e pesquisadores psíquicos.
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A condenação da conjuração dos mortos como um crime grave na antiguidade, e a razão secreta de muitos ritos funerários tradicionais ser afastar, aplacar ou ligar os restos espirituais dos mortos.
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A consideração do comércio com as almas dos mortos para obter revelações como um absurdo, ilustrada pela reação de um lama ao saber que os ingleses acreditavam nisso.
A natureza regressiva e destrutiva das práticas mediúnicas e a atitude antitética tradicional-
A instrução sobre o erro e o perigo das práticas mediúnicas para si e para os outros, atraindo necessariamente a primeira coisa que chega nas aberturas praticadas ao acaso.
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A ação destrutiva destas forças sobre a personalidade formada e a unidade espiritual, e a sua resolução num fator de desordem, desequilíbrio e desvio na psique coletiva.
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A referência a uma pintura etrusca como símbolo de uma atitude exatamente contrária à do médium.
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A existência na antiguidade de uma arte para atrair e dirigir conscientemente uma ordem determinada de influências, com base em leis de analogia, da qual os espiritualistas de hoje nada sabem.
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A crítica aos espíritas por seguirem o caminho da superstição e do consolo sentimental, e aos pesquisadores pelo caminho da pesquisa científica, sem perceber o que poderiam evitar ou conhecer se mudassem radicalmente de atitude e método.
As limitações da metapsíquica e o carácter regressivo das faculdades parapsíquicas-
A permanência da vasta documentação de fenômenos metapsíquicos no plano de subprodutos do extranormal, de carácter espontâneo, esporádico, irracional e não intencional.
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A impossibilidade de a pesquisa profana contar com outra coisa senão um material espúrio, esparso e aleatório, pois quem tem o poder de produzir fenômenos de forma intencional e voluntária não se colocaria à disposição como sujeito de pesquisa.
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O reconhecimento na metapsíquica da impossibilidade de examinar estes fenômenos como produzidos de forma livre e voluntária, constituindo uma desvantagem insuperável para a pesquisa experimental.
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A verificação de que o processo de percepção extra-sensorial e de outras faculdades parapsíquicas é, na sua parte essencial, inconsciente, ligado a uma redução da consciência, a um estado limite semelhante em parte ao transe do médium.
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A formulação da hipótese de estados filogeneticamente regressivos por parte de investigadores, correspondendo ao nível de populações selvagens.
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A formulação de hipóteses que trespassam no espiritualismo, como a de uma consciência universal ou de um éter psíquico (campo PSI), para explicar fenômenos de perceção extra-sensorial e precognição.
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A observação de que, mesmo admitindo um quid supra-sensível, os contatos com ele são estabelecidos no subconsciente ou inconsciente, em condições de consciência reduzida, por um caminho descendente e não ascendente.
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A confirmação do limite anteriormente mencionado para o valor espiritual destas experiências.
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