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MUNDO MODERNO E HOMEM TRADICIONAL

Cavalgar o Tigre

  • A presente investigação propõe o exame das modalidades de dissolução que caracterizam a era contemporânea, perquirindo concomitantemente a conduta e a forma de existência adequadas a um tipo humano específico sob tais circunstâncias.
    • Delimitação do fenômeno da dissolução epocal
    • Busca por modelos de conduta para tipos humanos singulares
  • A análise restringe-se ao homem que, embora inserido nos pontos paroxísticos e problemáticos da modernidade, preserva uma estranheza interior em relação a esse mundo, sentindo-se vinculado a uma estirpe distinta daquela que compõe a maioria de seus contemporâneos.
    • Exclusão do homem ordinário do escopo da análise
    • Caracterização da dissociação interna entre o indivíduo e a modernidade
  • O locus existencial próprio a esse homem reside no mundo da Tradição, conceito que, convergindo com a exegese de René Guénon sobre a crise do mundo moderno, designa uma sociedade regida por princípios que transcendem o humano e o individual, ordenando todos os setores a partir de uma instância superior.
    • Definição da Tradição como sistema de princípios transcendentais
    • Referência à análise da crise moderna por René Guénon
    • Identificação de uma unidade essencial e constante nas civilizações tradicionais
  • A hegemonia do mundo moderno configura-se como a antítese absoluta de qualquer civilização tradicional, restando virtualmente nula a possibilidade de ações ou reações eficazes que, partindo de valores tradicionais, logrem alterar o estado atual das instituições, ideias e energias predominantes.
    • Antítese entre modernidade e civilização tradicional
    • Ineficácia de ações transformadoras no contexto institucional presente
  • A permanência de um grupo exíguo de homens que se mantêm íntegros entre as ruínas permite a preservação de um testemunho válido através do combate em posições perdidas, do isolamento material ou da afirmação intelectual de valores que impeçam o fechamento total do horizonte espiritual.
    • Subsistência de indivíduos vinculados ao mundo tradicional em meio à dissolução
    • Possibilidade de isolamento ou de manutenção de uma ação de retaguarda intelectual
    • Importância do testemunho para a preservação de dimensões existenciais distintas
  • A problemática fundamental transcende o isolamento material e reside na definição de critérios práticos para a condução da existência cotidiana e das relações humanas daqueles que não podem ou não desejam romper totalmente os vínculos com a vida corrente.
    • Insuficiência do isolamento material como solução universal
    • Necessidade de normas de conduta para a inserção no mundo moderno
  • O homem aqui considerado carece de qualquer suporte externo em organizações ou instituições que permitissem a realização de seus valores interiores, enfrentando um ambiente social, psíquico e intelectual regido por uma desordem destituída de legitimidade superior, tal como prenunciado na sentença sobre a progressão do deserto.
    • Ausência de estruturas institucionais de apoio ao tipo humano tradicional
    • Condição de deserto interior e exterior sob a dissolução geral
  • É imperativo distinguir o mundo da Tradição das sobrevivências de hábitos e instituições do mundo burguês, visto que a crise contemporânea atinge primordialmente o sistema consolidado após a revolução do Terceiro Estado e a industrialização, o qual já se encontrava exaurido de vitalidade original.
    • Diferenciação entre o mundo tradicional e a civilização burguesa
    • Identificação da crise como um fenômeno de dissolução do sistema do Terceiro Estado
  • A relação do tipo humano em questão com o mundo burguês deve ser obrigatoriamente negativa, reconhecendo que as forças subversivas do socialismo e do marxismo operam como uma nêmesis ou efeito de ricochete das energias liberadas pela própria revolução democrática e liberal.
    • Rejeição da identidade burguesa pelo homem tradicional
    • Nexo causal entre a revolução burguesa e os movimentos socialistas e marxistas
  • Deve-se eliminar a tentativa de defesa dos remanescentes do mundo burguês como bastião contra a subversão, pois tal orientação fundamenta-se em uma ilusão sobre a reversibilidade das transformações históricas e na ausência de legitimidade superior dessas estruturas.
    • Exclusão da defesa da burguesia como estratégia válida
    • Irreversibilidade das transformações sociais pós-guerras mundiais
  • A associação de valores tradicionais às formas residuais da civilização burguesa acarreta o risco de comprometer a integridade de tais princípios, expondo-os aos ataques legítimos direcionados à decadência burguesa e demonstrando uma compreensão insuficiente da essência da Tradição.
    • Risco de degradação dos valores tradicionais pelo compromisso burguês
    • Vulnerabilidade tática ao vincular a Tradição a estruturas caducas
  • A solução reside no rompimento de vínculos com o que está destinado ao colapso, mantendo a continuidade em um plano essencial e interior através de uma doutrina esotérica de princípios pré-formais, permitindo a maior liberdade externa possível sem dependência de formas históricas passadas.
    • Necessidade de ruptura com as formas históricas em dissolução
    • Manutenção da orientação interior via doutrina esotérica e princípios pré-formais
  • Diante da impossibilidade de restauração do sistema normal, resta determinar os termos para aceitar a situação de dissolução absoluta sem ser afetado interiormente, mantendo um espírito governado por princípios distintos mesmo diante do pensamento e estilo de vida contemporâneos.
    • Adaptação comportamental sem contaminação espiritual
    • Possibilidade de confronto com a modernidade a partir de uma determinação interior alheia a ela
  • A tática de contribuir para a queda do que já se encontra vacilante em vez de prolongar artificialmente o mundo de ontem apresenta-se como uma possibilidade para o grupo de homens diferenciados, assumindo os riscos inerentes a essa ação aceleradora no vácuo de poder da época atual.
    • Substituição da defesa pelo ataque às estruturas residuais
    • Assunção do risco como elemento característico da existência contemporânea
  • A crise da civilização burguesa pode ser compreendida como a negação de uma negação, conforme a terminologia de Hegel, resultando em um espaço livre que, embora possa degenerar em múltiplos caos ou no nada da civilização material, abre o pressuposto para uma futura ação formativa.
    • Interpretação da dissolução burguesa como fenômeno dialético positivo
    • Referência à negação da negação hegeliana
    • Possibilidade de abertura de um novo espaço para ação futura
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