evola:ject-11

CAUSALIDADE

Cavalgar o Tigre

  • O campo das atividades e realizações deliberadas exige uma orientação fundamentada em duas máximas tradicionais que definem a ação como um procedimento técnico e impessoal, desvinculado de flutuações emocionais ou do desejo pelos resultados.
    • Atuação sem apego ao sucesso, fracasso, vitória ou derrota
    • Exercício da “ação sem desejo” como manifestação de uma dimensão superior
    • Realização do que deve ser feito com aplicação superior à do homem condicionado
    • Conceito de “fazer o que precisa ser feito” de modo estritamente impessoal
  • A coexistência entre a imobilidade interna e a eficácia externa é sintetizada na máxima da “ação sem agir”, em que o princípio do ser permanece como o sujeito imóvel e a força motriz que sustenta e guia a iniciativa do início ao fim.
    • Paradoxo extremo-oriental da não-ação na ação
    • Preservação da integridade do ser durante a execução de obras
    • O ser como guia invisível da conduta individual ativa
  • A linha de conduta ativa refere-se ao funcionamento da natureza própria no contexto de situações assumidas, onde o conteúdo do ato não provém de um vácuo de liberdade pura, mas da definição imposta pela lei interna natural.
    • Aplicação do “agir sem frutos” ao domínio da vocação individual
    • Subordinação da iniciativa externa à necessidade da natureza interior
    • Distinção entre a liberdade abstrata e a expressão do ser autêntico
  • Enquanto a atitude dionisíaca se volta para a confirmação de si no devir e no imprevisto, a orientação ativa foca na expressão externa e no comportamento pessoal, exigindo integridade e retidão mesmo em condições de fragmentação ou adversidade.
    • Máxima de ser inteiro no quebrado e reto no curvado
    • Superação das reações periféricas e reflexos passivos da sensibilidade
    • Identificação da ação profunda como “ser enquanto se age”
    • Qualidade invariável do ato, da obra artesanal ao comando de forças sociais
    • Valorização do trabalho bem feito como recompensa intrínseca conforme Charles Péguy
  • O desapego em relação ao prazer e à dor não deve ser confundido com um estoicismo moral árido, mas compreendido como a superação de uma decadência vital em que o hedonismo e o conforto tornam-se fins separados da moção natural da vida.
    • Crítica à imposição de deveres abstratos sobre impulsos naturais
    • Identificação do hedonismo como sintoma de cisão e perda de alma
    • Analogia entre a busca isolada pelo prazer e a depravação erótica
    • Prazer e dor como ideias destacadas que substituem o movimento vital saudável
  • É fundamental distinguir entre o prazer ardente, vinculado à passividade dos instintos e à satisfação momentânea do desejo, e o prazer heroico, que acompanha a ação decisiva oriunda do ser e da embriaguez superior.
    • O prazer ardente como marca da existência naturalística e da sede vital
    • Definição do prazer heroico como emanação de um plano superior à vida
    • Vínculo entre a felicidade heroica e a soberania do princípio espiritual
  • A regra da ação pura prescreve a indiferença apenas frente ao prazer naturalístico, permitindo que a atividade seja permeada por um vigor e fogo especiais sob a transparência de um princípio calmo e destacado.
    • Coexistência de vigor vital e destacamento metafísico
    • Transmutação do sensível no hipersensível via Dionisismo retificado
    • Possibilidade de qualquer objeto tornar-se suporte para o prazer positivo
    • Independência do significado interno da ação em relação ao seu conteúdo externo
  • O prazer heróico assemelha-se à satisfação que acompanha a perfeição de uma obra ou o exercício de uma habilidade mestre, na qual o esforço se transforma em uma espontaneidade de ordem superior e em uma espécie de jogo.
    • Analogia entre a ação perfeita e o prazer da maestria técnica
    • Transição do esforço disciplinado para a espontaneidade livre
    • Caráter lúdico da realização superior e da integridade do estilo
  • A ação pura não prescinde do conhecimento das condições objetivas e da causalidade, exigindo que o indivíduo considere as relações de causa e efeito para que a execução seja perfeita, independentemente do sucesso final.
    • Rejeição da ação cega em favor da eficácia técnica
    • Estudo das leis de concordância entre ações e reações
    • Primazia da perfeição do ato sobre a preocupação com o resultado
  • O homem integrado situa-se acima do plano moral através do conhecimento objetivo das causas, substituindo o conceito de pecado pelo de erro ou falha técnica, fundamentando sua conduta na transparência da inteligência e não em patologias da consciência.
    • Substituição da culpa pela análise das consequências fáticas
    • Inexistência de germinação espiritual para noções de lícito ou ilícito
    • Testagem objetiva da ação a partir de uma interioridade livre
  • A lei do karma corresponde a uma causalidade natural e neutra em todos os planos, desprovida de sanção moral, assemelhando-se às leis físicas que impõem consequências objetivas sem exigir obrigações morais prévias.
    • Extensão da lei de causa e efeito ao domínio existencial e espiritual
    • Aceitação livre das reações negativas inerentes a uma escolha arriscada
    • Exemplo do alpinista que aceita o risco climático sem conotação moral
    • Possibilidade de neutralização técnica de certas reações naturais
  • As reações emocionais de remorso ou satisfação são fatos psicológicos naturais decorrentes da unidade ou fragmentação do ser, e não devem ser interpretadas como sanções transcendentes por quem atingiu a verdadeira liberdade interior.
    • Remorso como sintoma de uma tendência profunda violada por impulsos secundários
    • Caráter puramente subjetivo e condicionado das sanções internas
    • Rejeição da mitologia moralista construída sobre fatos psicológicos
    • Unidade do ser como resultado de uma escolha e de um ato de vontade
  • Algumas tradições admitem a neutralização mágica das reações do karma para o indivíduo que extinguiu sua parte naturalística, operando em um estado de de-individualização ativa e neutralidade absoluta.
    • Possibilidade de impecabilidade e neutralidade interior frente ao binômio bem-mal
    • Superação das reações emocionais através da de-individualização
    • O ato de queimar a natureza individual como via de libertação das consequências
  • A eliminação do plano moral ocorre impessoalmente pela observação da lei de causa e efeito, substituindo o complexo de pecado, próprio das religiões de um deus pessoal, pela consciência do erro técnico ou da inoportunidade cósmica.
    • O pecado como formação patológica vinculada ao teísmo moral
    • Perspectiva de Frithjof Schuon sobre a distinção entre o vantajoso e o prejudicial nas tradições orientais
    • Sacrifício do agradável em favor do interesse espiritual sem classificação ética
    • Distância entre o rigor da abnegação e o moralismo convencional
  • O indivíduo para quem a liberdade não é ruína possui uma visão da realidade despojada de projeções subjetivas e superestruturas teístas, retornando ao ser puro e extraindo sua regra da própria natureza nua.
    • Redução da visão de mundo à realidade pura e objetiva
    • Assunção da natureza própria como lei de conduta
    • Função da regra como ordenador frente a tendências divergentes residuais
  • O regime de experimentos em dois graus permite o conhecimento de si como ser determinado e como portador da transcendência, sendo esta última a única base para um sentido de vida incondicionado em meio à dissolução.
    • Prova da individuação e prova da dimensão supra-individual
    • Transcendência como fundamento último da lei própria
    • Solução do problema do significado via assunção do ser em função do absoluto
  • A conduta frente ao mundo define-se por uma abertura intrépida e um desapego unido, caracterizando um Apolinismo Dionisíaco em que a intensidade da vida alimenta o princípio calmo da transcendência interior.
    • Integração do estado dionisíaco com a estabilidade apolínea
    • Manifestação de si através de obras impessoais e sem desejo
    • Estilo de envolvimento total no ato sem apego ao objeto
  • A embriaguez lúcida e magnética substitui a animação que outrora proviria de um ambiente tradicional, opondo-se tanto ao racionalismo quanto ao novo paganismo que busca o êxtase na simples animalidade ou na vitalidade cega.
    • Necessidade vital da embriaguez esclarecida no mundo caótico
    • Rejeição da busca por substitutos emocionais na base vital do bios
    • Diferenciação entre a presença de espírito e a dissipação instintiva
  • As referências a pensadores modernos como Nietzsche servem apenas como um elo oportuno para abordar o niilismo europeu, podendo ser dispensadas em favor das doutrinas esotéricas da Tradição que fundamentam toda a investigação.
    • Caráter instrumental das categorias filosóficas contemporâneas
    • Intenção de dialogar com quem busca superar positivamente o mundo sem Deus
    • Antecipação do exame do existencialismo como corrente mística e confusa antes da análise de setores culturais específicos.
evola/ject-11.txt · Last modified: by 127.0.0.1

Except where otherwise noted, content on this wiki is licensed under the following license: Public Domain
Public Domain Donate Powered by PHP Valid HTML5 Valid CSS Driven by DokuWiki