evola:ject-9
TEÍSMO E ATEÍSMO
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A gênese da crise espiritual no Ocidente moderno vincula-se à percepção de que o cristianismo, desprovido de um ensinamento metafísico interior ou esoterismo, tornou-se uma forma religiosa puramente humana e sentimental, incapaz de resistir à demolição promovida pelo pensamento livre.
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Inexistência de uma doutrina de princípios superiores além dos dogmas populares
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Insuficiência da mística esporádica para suprir a carência de um corpo doutrinário absoluto
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Facilidade da subversão racionalista diante de uma tradição mutilada e exoterizada
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A morte de Deus anunciada por Nietzsche refere-se estritamente ao deus da moralidade e do teísmo, uma projeção dos valores sociais e suporte da fraqueza humana, cuja superação permite o ressurgimento da divindade em termos metafísicos, para além do bem e do mal.
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Conquista sobre o deus pessoal e providencial do moralismo burguês
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Distinção entre o colapso do teísmo e a perenidade da metafísica
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Reaparecimento do princípio divino despojado da pele moral humana
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As grandes tradições anteriores e exteriores ao cristianismo reconheciam um fundamento universal anterior a todas as antíteses, conferindo uma justificativa suprema a toda a existência, inclusive aos seus aspectos destrutivos, sob os símbolos do jogo e da dança divina.
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Identidade transcendente entre o devir (samsara) e o incondicionado (nirvana)
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Simbolismo da dança de Shiva como expressão da vontade divina no caos
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Referência ao mistério de Osíris como deus negro e à unidade neoplatônica
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O olhar livre que não julga segundo categorias humanas de bem e mal
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O processo involutivo da modernidade provocou o desaparecimento desses horizontes metafísicos, transformando sistemas como o budismo e o taoísmo em formas devocionais populares e consolidando no Ocidente uma visão do sagrado restrita aos termos morais e sentimentais.
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Regressão do plano metafísico para o religioso e confessional
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Profanação das doutrinas internas originais por incapacidade de compreensão das massas
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Exclusividade do modelo moral de transcendência no mundo ocidental
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Alusões a uma liberdade superior e a uma era do espírito surgiram marginalmente no cristianismo, como na anomia proclamada pelos Irmãos do Livre Espírito ou na pobreza simbólica de Jacopone da Todi, que negava o temor ao inferno e a esperança no céu.
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A terceira idade de Joaquim de Fiore como era de liberdade espiritual
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Superação da lei e das categorias de mérito e castigo na mística radical
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Virtude que prescinde de si mesma em favor da liberdade de espírito
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Os conceitos fundamentais do Ocidente cristão, como o deus pessoal e a lei moral sancionada pelo além, são estranhos à visão metafísica da Tradição, sendo o ataque niilista a esses pilares a condição necessária para a abertura de uma nova essencialidade inviolável.
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Queda do deus-ópio e da pequena moralidade burguesa
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Permanência do núcleo metafísico inacessível aos processos de dissolução
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Prova de força e de fé no sentido superior através da aceitação do niilismo
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A realidade, em sua fundação absoluta, desconhece as categorias de bem e mal, as quais funcionam apenas em relação a fins humanos; a Grande Economia do universo integra o que se denomina mal como um aspecto particular de uma ordem superior.
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Concepção da realidade livre de julgamentos naturalistas ou pantéicos
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Insuficiência da teodiceia teísta frente à amoralidade do Absoluto
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Legitimidade da ação vinculada ao Ser e não a finalismos coletivos
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O outro mundo combatido pelo niilismo não constitui uma realidade separada, mas uma dimensão absoluta da própria realidade, na qual o real adquire significado na nudez pura do Ser, sem necessidade de negação do mundo sensível.
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Superação da dicotomia entre mundo real e mundo ilusório
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Significação absoluta da existência na dimensão da transcendência
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Crítica ao niilismo que interpreta o espiritual apenas como evasão
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A visão de vida adequada ao homem reduzido a si mesmo exige a descoberta de uma identidade suprema e a ancoragem na transcendência interior, convertendo-a no eixo imóvel que sustenta a superioridade sobre a vida no próprio seio desta.
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Percepção da transcendência como centro gravitacional inabalável
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Impossibilidade existencial da prece e da petição externa
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A divindade como posse intangível e presença calma, não como objeto de crença
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Identidade absoluta que torna sem sentido as etiquetas de ateu ou crente
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O desafio existencial diante da dor e do absurdo deve ser enfrentado através da ativação consciente do princípio transcendente, transformando a adversidade em um meio de confirmar a própria força e valor.
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Valorização do homem superior em combate com a sorte adversa
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O que não destrói fortalece como máxima de coragem metafísica
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Diferenciação entre o fortalecimento espiritual e o endurecimento estoico ou físico
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O choque da realidade e o trauma contemporâneo podem atuar como catalisadores para o despertar da força interior, especialmente quando a distinção entre a individualidade humana e o princípio do ser é reduzida a uma película tênue.
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Reação positiva ao vazio e à tragédia em oposição ao retorno religioso
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Momentos de libertação realizados na própria desintegração
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Exemplificação da visão Milleriana que justifica o caos a partir de um centro vivo
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A ruptura de níveis, operada por um choque súbito, instila uma qualidade distinta no circuito da vida, permitindo que o indivíduo se situe em um centro onde o periférico e o caótico deixam de afetar a essência do ser.
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Transição da periferia caótica para a centralidade absoluta
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Mudança qualitativa na percepção do mundo após o trauma existencial
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Desvinculação definitiva do destino individual em relação ao colapso do mundo exterior
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