evola:sobrenatural
SOBRENATURAL
Máscara e Rosto do espiritualismo contemporâneo
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A crítica ao falso misticismo e à espiritualidade desenfreada na modernidade
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A caracterização da hora atual como favorável aos empreendimentos equívocos de todo falso misticismo, que mistura curiosamente a confusão espiritualista com a sensualidade materialista.
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A observação de que as forças espirituais invadem por toda a parte e que a grande enfermidade atual já não é o materialismo, mas uma espiritualidade desencadeada.
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A constatação de que o verdadeiro sobrenatural não é reconhecido em maior medida, pois o mistério se instala nas regiões obscuras do eu, que devasta, e no centro da razão, que esmaga, sendo reintroduzido em toda parte exceto na ordem divina, onde verdadeiramente reside.
A proliferação contemporânea de seitas e doutrinas ocultistas e a constituição de um caos espiritual-
A multiplicação de grupos, seitas e movimentos que se consagram ao oculto e ao sobrenatural, avivados por cada novo agravamento da crise do mundo ocidental.
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A enumeração das diversas correntes, como o espiritismo, adaptações de Ioga, variedades de um misticismo espúrio, ocultismo, neo-rosacrucianismo, regressões naturalistas e primitivistas, neo-gnosticismo, divagações astrológicas, parapsicologia e mediumnismo.
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A facilidade com que os contemporâneos se interessam por tudo que varia da normalidade e apresenta características do excepcional, do oculto, do místico e do irracional.
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O envolvimento de ramos da ciência, como a psicanálise e a psicologia profunda, em evocações promíscuas nas regiões limítrofes do eu, e o paradoxo de representantes de disciplinas positivistas indulgentes em formas primitivas de neo-espiritualismo.
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A comparação dos amplos segmentos do mundo ocidental, que inalam um caos espiritual, com o mundo helenístico asiático em decadência.
A identificação das causas principais da difusão do neo-espiritualismo-
A indicação de um impulso geral para a evasão como o traço mais perspicaz do fenômeno, análogo a tudo que o homem de hoje tenta empregar para fugir do mundo circundante e das formas sufocantes da civilização ocidental.
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O reconhecimento de motivações parcialmente legítimas, como a reação à visão materialista-positivista do homem e do mundo, ao racionalismo e à carência de formas de uma civilização tradicional no sentido superior.
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A referência específica ao predomínio do Cristianismo no Ocidente, que deixou de aparecer como algo vivo e se reduziu a um devocionismo confessional e a um moralismo de caráter pequeno-burguês.
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A insuficiência das ideologias recentes, que propõem como princípio e fim do homem a Terra e uma sociedade de produção de bem-estar da massa, condenada a tornar-se insípida e a mutilar a personalidade.
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A subsistência, nas profundezas da natureza humana, da necessidade de algo mais e, no limite, de algo sobrenatural, que busca seu cumprimento no que o neo-espiritualismo parece oferecer.
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O reconhecimento esporádico do extranormal como manifestação de energias, leis e possibilidades para além das admitidas no período positivista.
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A difusão da consciência de doutrinas de origem predominantemente oriental, que prometem mais do que as religiões positivas ocidentais ofereceram.
A caracterização do neo-espiritualismo como uma segunda religiosidade no declínio do Ocidente-
A apresentação do neo-espiritualismo como portador das características daquilo que Oswald Spengler chamou de segunda religiosidade.
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A manifestação desta religiosidade, não no período original luminoso de uma civilização orgânica e espiritual, mas nas margens, numa civilização crepuscular em dissolução, especificamente como um fenômeno peculiar ao declínio do Ocidente.
A necessidade de pontos de referência fundamentais para uma postura discriminatória perante o neo-espiritualismo-
A sublinha do interesse pela parte do espiritualismo que não se reduz a teorias, mas que inclui tendências favoráveis à conjuração de forças do outro lado, contactando indivíduos e grupos através do cultivo de modalidades extranormais de consciência.
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A premissa de que estas influências e modalidades realmente existem, tal como as formas da realidade física e da psique ordinária, sempre reconhecida por civilizações normais e completas.
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A exigência de ir além de um simples reconhecimento em termos psicológicos ou psicologistas, compreendendo este espiritual em termos ontológicos, precisamente como realidade.
O risco fundamental para a personalidade no contato com o espiritual-
A definição do risco fundamental para o homem como o aleijão da sua unidade interior, do seu pertencer a si mesmo, do seu poder de clara presença a si mesmo e de clara visão e ação autônoma, que definem a essência da personalidade.
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A constatação de que a personalidade se sente em casa no mundo das coisas tangíveis e mensuráveis, dos pensamentos lógicos e da ação prática, mas corre um risco contínuo no mundo do espiritual, onde não existem os apoios a que está habituada.
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A observação de que muitos dos que cultivam o espiritualismo são seres sem uma espiritualidade pronunciada, enquanto os que dão sinais de personalidade forte se contêm perante as coisas positivas e têm uma repulsão invencível pelo supra-sensível, como uma manifestação inconsciente de um instinto de defesa espiritual.
A confusão entre o superior e o inferior e a necessidade de discernir entre o sobrenatural e o infranatural-
A crença errónea de que tudo o que transcende o mundo habitual constitui ipso facto algo superior, um estado mais elevado.
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A tomada de qualquer caminho por parte dos mais fracos, sem perceber que entram assim na órbita de forças que não estão acima, mas abaixo, do homem como personalidade.
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A necessidade fundamental de ver com a máxima clareza as situações em que o neo-espiritualismo pode ter efetivamente um carácter regressivo, em que o espiritual pode não ser um sobrenatural, mas um infranatural.
A definição ampla de natureza e a identificação do domínio infranatural-
A indicação de que a natureza, no seu sentido amplo e completo, não se reduz ao mundo físico conhecido pelos sentidos e mensurado pelas ciências exatas, sendo esta apenas uma imagem que se forma em relação à personalidade humana numa certa fase do seu desenvolvimento.
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A percepção da natureza em si mesma no ponto onde o sentido de exterioridade e o estado de consciência lúcida se atenuam, sendo substituídos por estados em que objetivo e subjetivo, interior e exterior, se confundem.
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O início, neste ponto, dos primeiros domínios de um mundo invisível e psíquico, que é eminentemente natureza e não sobrenatureza.
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A identificação do caminho de regressão à natureza através do recuo da consciência pessoal formada para o subconsciente, via sensações orgânicas obscuras, emergência de complexos e automatismos psíquicos, descendo até às profundezas do subconsciente físico.
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A referência a pesquisas recentes sobre a neutralização progressiva do córtex cerebral, que leva ao desaparecimento dos conceitos de espaço, tempo e causalidade, e ao limiar das funções subconscientes e da vida vegetativa, onde termina a pessoa e começa o impessoal, a natureza.
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A interpretação dos génios, espíritos dos elementos e deuses da natureza da antiguidade como dramatizações de experiências psíquicas obscuras de contacto com forças, de modo análogo aos sonhos.
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A ligação dos fenômenos de clarividência natural ou sonambulia à neutralização do cérebro e à dependência de uma consciência reduzida ligada ao sistema nervoso simpático.
A medida da verdadeira espiritualidade e a definição do caminho ascendente para o verdadeiro sobrenatural-
A definição da verdadeira medida da espiritualidade de um homem como a consciência clara, ativa e distinta que possui quando examina objetivamente a realidade exterior ou quando toma uma decisão na sua vida moral.
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A caracterização da passagem para estados de um misticismo nebuloso, de um despedaçamento panteísta ou da fenomenologia da regressão e do transe não como uma ascensão, mas como uma descida na escala da espiritualidade.
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A entrega às forças inferiores enclausuradas nas formas da natureza, em vez de uma superação da mesma.
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A formulação da ideia de uma direção espiritual antitética, que pode servir de medida para o que possa ser válido no espiritualismo.
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A proposta, para quem tem uma vocação e qualificação particulares, de um caminho que conduza a experiências que transformem a consciência em superconsciência e elevem a presença distinta a um grau superior, integrando os princípios que constituem a essência da personalidade.
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A identificação deste caminho como o caminho para o verdadeiro sobrenatural, que pressupõe uma atitude e uma vontade de ascese, no sentido original da palavra, contrária à atitude dos entusiastas do espiritualismo.
A doutrina da dignidade e do destino sobrenatural da pessoa humana como ponto fundamental para a orientação-
A dificuldade de trazer a mentalidade moderna a considerar e a julgar em termos de interioridade, após a devastação causada pelo biologismo, pela antropologia e pelo evolucionismo.
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A referência ao ensino católico da dignidade e do destino sobrenatural da pessoa humana como o ponto fundamental para a ordem de coisas em questão.
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A distinção, com base neste sentido, de dois domínios antitéticos no imaterial: a ordem natural, correspondente às formas de consciência inferiores ao estado de vigília da pessoa humana normal, e a ordem sobrenatural.
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A posição do homem entre estes dois domínios, podendo gravitar para um ou para o outro.
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A afirmação de que o homem, como personalidade, já se levanta do mundo das almas místicas e das coisas e elementos, das profundezas de uma cosmicidade indiferenciada, e que a sua visão das coisas físicas claras e o seu experiência de pensamentos logicamente concatenados exprimem já uma espécie de catarse e de libertação do mundo.
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A caracterização do regresso a esses estados como uma abdicação e uma traição ao seu destino sobrenatural, tomando o caminho descendente, enquanto a fidelidade a esse fim lhe permitiria ultrapassar todo o estado condicionado.
O esquema conceitual como base para uma crítica e orientação preliminar perante as correntes de espiritualismo-
A consideração do esquema conceitual apresentado como suficiente para uma orientação preliminar no confronto com as várias correntes de espiritualismo.
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A expectativa de que o desenvolvimento da crítica clarificará e integrará progressivamente estas visões, tornando visíveis os seus pontos de referência positivos.
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